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Editorial – LV 915

Ibope não é tudo

Não é de hoje que as empresas estatais e as entidades públicas são alvo de críticas permanentes dos grandes veículos de comunicação, o que raramente acontece com a área privada. Não é por acaso que isto acontece, basta relembrar como foi o comportamento desses meios com relação ao processo de privatização no Brasil para perceber que a grande imprensa foi a maior difusora/defensora da privatização.

No entanto, quando a imprensa se manifesta com relação a essas empresas/instituições cabe a direção das mesmas se posicionar, se assim achar conveniente. Aos sindicatos cabe a vigilância permanente, a cobrança efetiva, a denúncia e medidas políticas práticas (tais como a greve), para exigir que essas entidades de interesse público cumpram com o seu papel – uma vez que pertencem ao povo.

Os sindicatos que compõem a Intersul vêm ao longo de sua existência (em todas as gestões dessas empresas e governos), se posicionando firmemente contra qualquer tipo de atitude que fira o interesse dos trabalhadores e da sociedade em geral. Nem sempre é compreendido. Mas isto faz parte da luta e das contradições da conjuntura econômica e política, e nós estamos aprendendo a lidar com uma realidade nunca antes vivida no Brasil.

Com relação a Eletrosul, recentemente publicamos neste semanário (LV 910, 25/10/07) um editorial (caso não tenha lido, veja em www.sinergia.org.br) que tratava de várias questões que têm indignado os trabalhadores, têm sido motivo de muitas especulações internas e externas e têm favorecido a um clima desagregador: a) o PCCS que só ficou na promessa como sendo a “principal prioridade da gestão”; b) a alta remuneração da diretoria em relação à dos demais trabalhadores; c) a questão da interinidade (quase que permanente) na presidência da empresa; d) a postura daqueles que se utilizam de qualquer meio para favorecer a sua corrente partidária ou grupos, pouco se importando com o presente e futuro da empresa e de seus trabalhadores; e) o entrave ao crescimento autônomo da Eletrosul, devido à política do governo federal para o setor, que continua favorecendo a iniciativa privada; f) a escandalosa distribuição de méritos no final do ano passado, que favoreceu assessores e pessoas ligadas ao alto escalão da empresa (motivo de greve dia 27/12/06, de denúncia no Ministério Público Federal e de recente autuação do Tribunal de Contas da União – TCU).

Tudo isso e muito mais forma um caldo propício ao desânimo, desesperança, à frustração, criando um clima desfavorável à própria empresa e à luta dos trabalhadores – devido à desagregação enquanto “ser coletivo”. Passam a vigorar os interesses pessoais, de grupos, de tendências partidárias, enfim vira uma balbúrdia que favorece o “salve-se quem puder”. Qual seja, os trabalhadores e a sociedade como um todo são os mais prejudicados.

A Intersul, através dos sindicatos que a compõem, não compactua e não admite sob qualquer hipótese que o interesse público e dos trabalhadores seja escanteado para atender outro tipo de interesse. Através de atos concretos (concentrações/paralisações/greves), através de denúncias juntos a órgãos competentes/parlamentares e deste semanário e de boletins (que é importante que todos continuem lendo), vem sistematicamente se posicionando e convocando os trabalhadores a cumprir com o seu papel. Desta forma, a Intersul entende que está ajudando a elevar o nível de consciência crítica, condição necessária para alargar a visão sobre o mundo e nosso papel nele enquanto eletricitários pertencentes à classe trabalhadora.

Para finalizar, os sindicatos que compõem a Intersul têm dialogado com os eletricitários e se manifestado de várias formas no sentido de chamar a atenção para questões que às vezes são deixadas de lado, como o financiamento público às estatais e as condições necessárias para que essas empresas não continuem reféns de interesses privados. Vamos continuar insistindo nisto, mesmo sabendo que na maioria das vezes o que dá ibope é quando se fala de dinheiro.


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