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Eletrosul e partidos políticos

A Intersul preocupada com os noticiários dos jornais em relação às indicações para a diretoria da Eletrosul, encaminhou correspondência – no dia 14 de fevereiro – ao Ministro de Minas e Energia, Sr. Edson Lobão, com cópia para o Presidente da República, Ministra da Casa Civil, Presidente da Eletrobrás e a Presidente do Conselho de Administração da Eletrosul. A carta é a seguinte:

A Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil – Intersul, entidade que congrega os sindicatos representativos dos trabalhadores da Eletrosul, ao longo de sua existência tem se pautado na defesa dos interesses dos eletricitários, dos demais trabalhadores e da sociedade em geral tendo como norte a energia elétrica como um bem público e as estatais como um patrimônio do povo.

Neste sentido, não é a primeira vez (e não deverá será a última) que ao tratar de tema tão relevante para os trabalhadores e a sociedade – como é o caso da indicação de nomes para a ocupação de cargos numa empresa pública como a Eletrosul – vimos nos manifestar.

Temos acompanhado pela imprensa o verdadeiro cabo de guerra que se estabeleceu em torno desse assunto. As disputas acirradas (na indicação deste ou daquele nome) que poderíamos considerar “normais” num período eleitoral passam ao largo de um debate mais amplo sobre o papel fundamental que uma empresa como a Eletrosul desempenha no desenvolvimento econômico e social – em especial nos estados onde atua diretamente (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul).

A história política brasileira é recheada de exemplos nada abonadores com relação à ocupação de cargos em empresas e instituições públicas. O que tem prevalecido, no momento da escolha de pessoas para ocupação desses cargos, é a acomodação de interesses partidários, é o toma lá dá cá – em detrimento dos interesses maiores da sociedade e da nação.

Se isto tudo não bastasse, ainda temos que conviver com pessoas ocupando esses tipos de cargos e com outras querendo ocupar que, quando gestores públicos, provocaram prejuízos aos trabalhadores e a sociedade. Neste caso citamos diretamente o Sr. Paulo Afonso Evangelista Vieira, que ficou conhecido nacionalmente quando governador de Santa Catarina (de 1995 a 1999) pelo seu envolvimento no chamado “escândalo das letras”. Para se ter uma idéia do quanto esta operação trouxe de prejuízos: somente a Fundação ELOS (entidade de previdência privada dos trabalhadores da Eletrosul) amargou perdas que hoje somam 14 milhões de reais. Buscando ressarcir esse e outros prejuízos causados pela operação “escândalo das letras” várias entidades entraram com ações judiciais contra o Estado de SC tendo como réu o Sr. Paulo Afonso.

Ainda, do ponto de vista mais geral, o Sr. Paulo Afonso foi o principal articulador do processo de privatização da maior empresa pública de Santa Catarina, a Celesc (distribuidora de energia elétrica do estado). Processo este que só não se concretizou graças à luta dos trabalhadores e de suas entidades de classes, articulada pelo Movimento Unificado Contra a Privatização – MUCAP e apoiada pela sociedade catarinense. Aliás, é preciso destacar que a privatização, que aconteceu em vários setores estratégicos do país, é rechaçada pelo povo brasileiro, conforme atestam pesquisas recentes, devido às conseqüências negativas para o patrimônio público da nação e para o povo.

Pelo exposto, as entidades sindicais integrantes da INTERSUL colocam-se contrários à indicação do Sr. Paulo Afonso Evangelista Vieira para ocupação de um cargo na diretoria da Eletrosul. Agindo assim entendemos que estamos cumprindo com nosso papel de vigilantes e de articuladores de ações que impeçam qualquer gesto que venha em prejuízo a boa administração e à manutenção do papel principal de uma empresa pública, que deve ser o atendimento das necessidades do país e do povo – verdadeiro dono desse patrimônio.

Diante disto, ficamos na expectativa de que nosso pleito – que tem como objetivo a preservação do interesse público – seja atendido por Vossa Excelência.

Ficando no aguardo de uma resposta, o mais breve possível, despedimos-nos. Atenciosamente,


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