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CELESC GERAÇÃO PÚBLICA: Uma vitória da sociedade

Se fosse realizada uma CPI ou utilizado qualquer outro instrumento para apurar profundamente e com seriedade o processo de privatização no Brasil, algumas pessoas/grupos poderiam estar sendo condenadas ou até presas, devido aos escândalos e favorecimentos privados observados nesse episódio. Essa fase lamentável da história brasileira, não está totalmente superada, visto que os atuais governos ainda mantém práticas predatórias ao patrimônio público, através de formas não explícitas de privatização.

Em nível nacional, as empresas distribuidoras que foram federalizadas ainda continuam no Plano Nacional de Desestatização – PND com destino incerto. Mais recentemente, em Santa Catarina, o governo do Estado quase privatizou a área de geração da Celesc.

Na defesa da Celesc Geração pública as entidades sindicais, representativas dos eletricitários, cumpriram papel decisivo. Não fosse a intervenção firme, especialmente das direções sindicais, juntamente com os eletricitários, a área de geração de energia da Celesc estaria engordando ainda mais os cofres dos ávidos por lucro alto, fácil e rápido. Exemplo disto, e muito próximo de nós, citamos a Tractebel, que abocanhou a área de geração da Eletrosul. A multinacional, vinculada ao grupo francês SUEZ, comprou em setembro de 1998 o parque gerador da Eletrosul pela bagatela de 940 milhões de reais e obteve logo em seguida 1 bilhão de reais de lucro. Não por acaso, a Tractebel também estava de olho na compra da área de geração da Celesc.

Se a organização dos trabalhadores titubeasse ou “comesse mosca” a Celesc Geração já tinha ido pro saco, ou melhor, pros cofres de poucos; servindo de suculento banquete para a orgia do mercado e do lucro a qualquer custo. A ação forte e radical (o que vem da raiz, da base) dos sindicatos dos eletricitários – articulados com as demais entidades integrantes do Movimento Unificado Contra a Privatização, o saudoso MUCAP – foi providencial para evitar mais essa vergonhosa entrega do patrimônio público.

A ironia disso tudo é que aqueles que defendiam a venda da Celesc Geração  (governo e diretoria da Celesc), com a justificativa de que era um “péssimo negócio” para o estado, agora tentam faturar politicamente a permanência da Celesc Geração pública por ser um “ótimo negócio” para Santa Catarina.

Como se vê, quem trata energia como mercadoria e não como um bem público essencial à população, pode escorregar na incoerência. O “mercado” não é um ente abstrato, tem nome e endereço: são os capitalistas de plantão que feito gafanhotos observam no mundo inteiro onde estão as plantações de girassóis para serem vorazmente devoradas. Quem trata energia como um mero negócio, a serviço do interesse privado, cumpre a tarefa de ajudar que alguns poucos continuem acumulando e se fartando com a riqueza que deveria ser apropriada por todos.

Por isso, com muita alegria e satisfação, os eletricitários, suas organizações sindicais – comprometidas com a defesa permanente do interesse público – e a sociedade catarinense, em especial, têm motivos de sobra para comemorar a manutenção da Celesc Geração pública.

Queremos o crescimento e vida longa para a Celesc Geração, defendemos que seja majoritária nos empreendimentos e que tenha financiamento público garantido, com condições favoráveis ao seu desenvolvimento econômico e social. É por isso que continuaremos lutando, para o bem da sociedade catarinense, para o bem da sociedade brasileira!


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