CELESC: a dança continua…
LV 16/07/2009
Ainda estão no ar algumas alterações na diretoria da Celesc. Eis que surgem denúncias que apontam para rever determinados investimentos e contratos, como também, a forma de gerir os recursos existentes. A oportunidade avança para um polêmico embate – estar obrigada aos investimentos previstos e contidos na tarifa, ou recuar para apresentar maior lucro e ampliar os dividendos aos acionistas. Os cuidados cercam a permanência de diretores como acelera a ocupação dos cargos vagos. E a Celesc segue ao sabor de discussões acaloradas entre a obtenção de mais dinheiro aos acionistas e fazer as aplicações onde o sistema elétrico no estado tanto precisa. Nós empregados, organizados pelos sindicatos que compõem a Intercel, estaremos atentos e prontos para entrar nessa polêmica e fazer um verdadeiro choque de gestão e moralizador dentro da empresa.
Alguns acionistas vem demonstrando, claramente, que ao mesmo tempo em que levantam sua voz para fazer média com a população entram cada vez mais fundo na ciranda do mercado. A procura por ações da Celesc na Bolsa de Valores demonstra que os interesses aumentam, à medida em que elevam os valores das ações.
Os atores dessa trama seguem se esmerando em seus papéis previamente elaborados. A Previ na parte da frente força entendimentos para sua real intenção de receber o prometido no governo Paulo Afonso das debêntures da Invesc. Acionistas minoritários, como Lírio Parisotto, demonstram a voracidade de mais ganhar dinheiro exercendo, inclusive, relações pessoais com o governador. Luiz Henrique, na retaguarda, tenta resolver uma equação para pagar a Previ, saldar possível fatura com o acionista amigo e obter polpudo retorno financeiro, além de resolver um problema político no processo de sua sucessão. A solução surgida numa lâmpada mágica é a de privatizar a Celesc. Mas não poderia ser da forma tradicional, então, a idéia se estende para que se melhore a governança corporativa e levar a Celesc para o Novo Mercado. Pronto, tudo resolvido! Só não contavam com a capacidade de oganização da luta e a inteligência dos empregados, que souberam fazer valer o bom senso e manter a Celesc pública.
Por um lado, acionistas disputam a opinião pública e, então, escondem a necessidade de explicar o porquê de continuar a ter milhões de ações da Celesc e não de outras empresas. Lírio chegou a afirmar ser um idiota ao obter ações da Celesc, mas, continua alugando e comprando. De outro, o governador afirma que nunca falou ser a favor da privatização da Celesc e chama de baderneiros quem disse isso. No outro, a Previ tem que enfrentar sua contradição de manter o Banco do Brasil público e propor alterações na Celesc que levam a sua privatização.
Agora, começa a ficar mais claro. O golpe tentado no último dia 02, passou para mais um capítulo dessa histórica empreitada em privatizar o país. Os empregados estavam certos em defender esse, patrimônio que é de todos, em Santa Catarina, mesmo sendo chamados de baderneiros.