Você sabia que 50% dos acionistas da Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais) com direito a dividendos são estrangeiros? Ou que depois de sua “reestruturação” a empresa mineira chegou a distribuir (foi em 2005) mais de 100% do lucro? Quer dizer: tirou dinheiro da empresa para remunerar seus acionistas. Aliás, a Cemig mudou seus estatutos em 2004 para registrar que o mínimo a ser distribuído anualmente será de 50% da receita, quando o retorno normal em empresas públicas é de 25%.
Estes foram alguns dos dados curiosos apresentados pelo técnico do Dieese, Fernando Ferreira Duarte, que assessora os sindicatos de eletricitários de Minas Gerais.
Ele esteve em Florianópolis na terça-feira (dia 13) para uma conversa com os dirigentes da Intercel. Foi convidado pela Intercel por causa das tentativas que a empresa mineira andaria fazendo no sentido de adquirir a Celesc.
A Cemig anda num processo de aquisição de outras empresas de energia. Já tem parte significativa da Light e participações na Ceeb e outras. O objetivo da elétrica mineira é de ter 20% de cada setor nacional (distribuição, geração e transmissão), que é o máximo permitido pela legislação. Atualmente é a maior distribuidora em kms quadrados de rede, maior empresa integrada do setor (que tem os três setores) e a quarta maior geradora.
O debate que a atuação da Cemig suscita leva diretamente ao debate de empresa pública. Sim, a Cemig continua estatal (seus maiores acionistas são o governo do estado de MG e a AES). A discussão é difícil por que os mineiros a respeitam e lhe dão um valor inestimável por ter induzido o desenvolvimento do estado. Mas a dificuldade em criticá-la vai se acabando. Afinal, pensam os mineiros, que empresa pública é esta que mudou seu estatuto social para dizer que não irá mais abrir mão da receita/lucro? Que empresa pública tem a tarifa mais cara do país? Que empresa é esta que – entre todas brasileiras – deixa o maior tempo seu consumidor sem energia (um índice que vem piorando desde 2003)? Isto é eficiência do ponto de vista social? Que empresa é esta que tem condenações equivalentes a R$ 12.5 milhões referentes a práticas anti-sindicais?

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