Entre discussões sobre Nova Eletrobras, PCR e comemorações do Dia Internacional da Mulher, deu-se a plenária da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), entre os dias 9 e 12 deste mês. A Intersul, como sempre, participou levando os temas e pautas tirados nas assembléias com os trabalhadores da Eletrosul.
Os debates tiveram início com a palestra do Prof. Feijó, que relatou a história do setor elétrico. Foi uma aula completa. Ele começou com a invenção da lâmpada por Tomas Edson; passou em seguida pelos primórdios do setor elétrico no Brasil, onde a energia era fornecida por empresas privadas. Depois falou do processo de estatização, decorrente da incapacidade do modelo privado promover o desenvolvimento do país. A ele se seguiu o processo de privatização da década de 90, quando o Brasil passou das menores tarifas do mundo às maiores, perdendo também o planejamento do setor e resultando no apagão de 2001; chegando então aos dias atuais, onde a falta de planejamento do setor elétrico permanece. O professor fez uma forte crítica ao modelo empresarial adotado que visa satisfazer os lucros dos acionistas, culminando com a frase “uma empresa pública não deve existir para dar lucro, mas sim dar lucro para existir”.
Foram discutidos em seguida os pontos de pauta encaminhados pelas intersindicais de todo o país. A grande maioria dos pontos de pauta reivindicados pelos trabalhadores da Eletrosul foi aprovada. Contudo, a convergência das cláusulas das várias empresas do grupo Eletrobras para a pauta nacional, resultou em um “inchaço” da pauta nacional, devendo este processo de centralização das demandas sofrer acomodações nos próximos anos.
Apesar de certa dificuldade para abrir discussões de fundo a respeito da Nova Eletrobras, decorrente do senso comum de que uma empresa única dá robustez ao setor, foi aberta uma discussão sobre o PCR, onde todas as intersindicais expressaram sua insatisfação sobre o processo e especificidades na implantação do plano: desde a mais justa dentre as justas reclamações, proveniente das distribuidoras federalizadas, que protestam contra sua exclusão da implantação do PCR, até a não menos justa extensão do ADL para os novos funcionários da Eletrosul, passando pelos protestos da Chesf decorrentes dos problemas no mapeamento da tabela salarial que acabará por rebaixar funcionários em seus níveis.
Foram protestos de todas as regiões, levando o presidente da federação a questionar o que mudou do ano passado para cá? Por quê no ano passado a Nova Eletrobras era consenso e este ano surgem dúvidas e questionamentos? A resposta veio em termos de comparação com um imóvel: “ano passado a casa estava na planta, este ano a obra está quase sendo entregue e não está como foi prometida”. Assim fica explicada a diferença entre os processos e expectativas criadas em torno da Nova Eletrobras e o referido processo de implantação – que apenas no PCR já demonstra falhas graves, como a exclusão das distribuidoras, a perpetuação da injustiça do ADL (que é concedido à todos os trabalhadores do grupo Eletrobras exceto aos novos funcionários da Eletrosul) e os problemas decorrentes do “enquadramento cego” proposto pela holding.
Não menos importante que as questões trabalhistas discutidas, é a relação da Nova Eletrobras com a sociedade, tema que está passando ao longe das discussões, tendo a holding em suas apresentações limitado-se a questões de marca e de mercado, orientando suas ações ao lucro e deixando esquecidas questões sobre planejamento do setor e política de operação. Uma vez que a liberdade dos mercados provou que não é suficiente para garantir a sustentabilidade do sistema (provado pela teoria dos jogos e comprovado pela crise financeira), o futuro do setor elétrico dar-se-à pela sorte ou azar, uma vez que sem planejamento não enxergamos o futuro e navegamos às cegas pelo rumo à Nova Eletrobras.

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