Linha Viva 1028

Madalena na Luta

LV 08/04/2010

“Lugar de mulher é na cozinha”, já ouvimos falar. Ou “será que é na cama?” Que nada, “lugar de mulher é na igreja”. E no boteco? “Boteco, oras, não é bem lugar de mulher”. “Mulher no volante?! Isso não é bom”. E no altar? “Só se for para casar, levada por um homem e entregue a outro homem…” São inúmeras as expressões que ainda ouvimos a respeito da mulher.
Sem falar da forma como o corpo da mulher aparece em cada esquina, em cada banca de jornal. Um corpo incorpóreo, plástico, perfeito e despedaçado… e que é o melhor veículo para venda de qualquer produto!
Ao longo dos séculos foi se formando um entendimento sobre como deve ser o papel da mulher e o seu lugar na sociedade. Essa “naturalização” ocorre não apenas explicitamente, mas também sutilmente, onde as próprias mulheres acabam se resignando e reproduzindo esse entendimento nas relações sociais.
A arte é um poderoso instrumento, tanto para a manutenção da ordem dominante quanto para as possibilidades de mudanças. A estética do oprimido são princípios e fundamentos metodológicos sistematizados pelo dramaturgo Augusto Boal (16/03/1931 – 02/05/2009), que alia a arte à ação política visando à transformação social, onde as pessoas são os sujeitos produtores da cultura e não apenas reprodutores e consumidores da arte.

Objetivos

O Projeto “Madalena na Luta” visa atingir as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres e mesmo as suas próprias alienações, procurando atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros. A forma de abordagem desses temas será através das diversas expressões artísticas: encenações teatrais, confecção de instrumentos, poesias, músicas, danças, pinturas, etc..
Será um processo de elaboração coletiva, explorando ao máximo a capacidade criativa e artística das participantes. Ao longo dos quatro dias de oficina, o grupo produzirá uma performance a ser apresentada ao público, num diálogo artístico sobre a situação da mulher.

O nome do projeto faz menção à Maria Madalena, uma das discípulas de Jesus Cristo. Segundo Bárbara Santos, coordenadora do Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto, “Madalena entrou para o imaginário da sociedade cristã juntando a mulher perseguida com a santificada”.

Oficinas de arte sobre a mulher/relações de gênero na estética do oprimido

Data: 13 a 16 de abril, das 8h30 às 18h.
Local: Escola Sul da CUT, Ponta das
Canas, Florianópolis – SC
Realização: Sintrafesc e Centro de Teatro do Oprimido-Rio/ Projeto Ponto-a-Ponto


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