LV 17/06/2010
Ao analisarmos a história do Brasil, observaremos a significativa contribuição que o setor elétrico estatal deu e continua dando para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país. A par de qualquer época, de crescimento ou de crise, foi o setor estatal que se fez presente e assumiu a função relevante de colocar o Brasil em posição de destaque na área de energia elétrica no mundo.
Os eletricitários, principais protagonistas desse resultado, estão atentos às recentes mudanças em torno da chamada “Nova Eletrobras” e criticam que o debate está bem distante de seu cotidiano, de suas entidades representativas e da sociedade como um todo. Pelo entendimento do papel estratégico que o setor elétrico desempenha, os eletricitários reivindicam, com urgência, um diálogo franco e honesto para saber com clareza até que ponto as iniciativas em curso vão de fato fortalecer, como se apregoa, o Grupo Eletrobrás.
Conforme carta entregue ao presidente Lula, em 27 de fevereiro de 2009, em Florianópolis/SC, a FNU (Federação Nacional dos Urbanitários), da qual a Intersul faz parte, afirma que “o apregoado fortalecimento só acontecerá se as empresas do grupo Eletrobrás estiverem voltadas para o atendimento dos interesses dos trabalhadores, da sociedade e da nação”. E alerta ainda que, “na escolha de um empreendimento, os interesses econômicos e particulares não devem sobrepor-se aos interesses públicos”.
No momento em que se fala numa nova Eletrobrás, a prática deve estar coerente com o que se promete – especialmente porque estão em curso as negociações da pauta dos eletricitários e a elaboração de um Plano de Carreira e Remuneração (PCR) único para todos trabalhadores do Grupo, que se pretende a unificação de benefícios das empresas federais de energia elétrica.
No entendimento da FNU essas questões caminham juntas. Naquela carta reafirma, “não há como se construir uma Nova Eletrobras, sem levar em consideração temas relevantes para os eletricitários; porque diretamente estão ligados a sua vida profissional e ao futuro de seus familiares”.
No momento de crise em que vive o mundo, em que as intervenções do estado estão voltadas principalmente para “salvar” o sistema financeiro e preservar interesses de grandes corporações (os principais causadores da crise), o fortalecimento da Eletrobrás como empresa estatal/pública é um dos importantes contrapontos para a manutenção e ampliação de empregos, para o avanço de conquistas sociais e para a efetivação de obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do país.
É também fundamental que a Eletrobrás esteja orientada para processos administrativos mais transparentes e democratize seus órgãos colegiados. Uma das formas seria a participação de representantes dos trabalhadores e da sociedade, comprometidos com o aprofundamento e alargamento do papel público das estatais, nos Conselhos de Administração das empresas do Grupo.
No entendimento dos sindicatos que compõem a Intersul, na medida em que o governo federal determine e estabeleça condições necessárias para que as empresas do grupo Eletrobrás estejam realmente voltadas para o atendimento do interesse do povo e do país, estará dando mostras reais em defesa do patrimônio público brasileiro; tão aviltado pelas desastrosas privatizações e pelo uso das empresas estatais por grandes corporações.
Essa postura seria um sinal da compreensão, por parte do governo, sobre a importância estratégica da área de energia para o desenvolvimento a serviço do povo e da soberania do Brasil. Neste sentido, afirma a Intersul, o fortalecimento da Nova Eletrobras sairá do campo da retórica e acontecerá de fato pela aplicação efetiva de uma política anti-neoliberal que tanto prejuízo já provocou ao mundo e ao nosso país.

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