Linha Viva 1039

Gerentes/Eletrosul: Pisaram na bola

LV 24/06/2010

Os gerentes da sede da Eletrosul demonstraram não ter clareza política necessária durante a paralisação dos eletricitários que ocorreu em nível nacional, de 09 a 11/06/10. Além de não concordar em descer e conversar com os dirigentes sindicais – dado convite votado e aprovado durante a manifestação -  também após a paralisação começaram a pipocar algumas denúncias de retaliações a empregados. Dois exemplos: 1) pressão sofrida por alguns operadores para que se identificassem ao telefone em conversa gravada; 2) retirada de pessoas da escala de sobreaviso com a justificativa de que não se pode contatar quem estava paralisado.
 
A Eletrosul deveria instruir seus gerentes sobre a Constituição Federal afim de que estes não cometessem violações ao documento Magno do Estado ao qual prestam serviço. Quando um cidadão atenta contra o direito de greve dos trabalhadores, está atentando contra o mesmo documento que garante o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
 
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º – A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
§ 2º – Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
 
Assim, alguns bajuladores, na ânsia de serem mais realistas que o rei, expõem a empresa a risco de passivo trabalhista e engrossam a denúncia de assédio moral coletivo aberta no Ministério Público do Trabalho (esta por conta da vídeo conferência promovida no caso da ação de férias).

Porém, nem todos gerentes pensam e agem igual. Logo após a paralisação, dirigentes do Sinergia foram procurados por alguns deles que buscaram se justificar pela ausência no diálogo com os trabalhadores – conforme convite formulado pela entidade. Alguns ainda, meio que pedindo desculpas, demonstraram receio por essa aproximação sem saber direito como a diretoria da empresa a interpretaria. Cerca de uma dezena de gerentes afirmou que só não desceu para conversar, porque “não queria vir sozinho”. E outros disseram que não sabiam da tal conversa.

Enfim, justificativas e ou desculpas à parte, os eletricitários entendem que os gerentes devem ter visão própria e consciência suficiente para discernir seu papel e, mais, devem também se perceber como trabalhadores e não ter nenhum receio de estabelecer maior contato com a representação sindical. Aliás, o encontro poderia ter propiciado esse tipo de reflexão: Qual é o papel do gerente nesses momentos? Se omitir, ser conivente com tudo, se inserir (in)diretamente no processo? Ajudar para uma solução mais rápida do problema, pressionar o trabalhador/a?

Todas essas indagações e outras questões esse encontro poderia ter propiciado. A ausência dos gerentes nessas horas, conforme visão de seus próprios colegas de trabalho, não contribui para o avanço do diálogo interno na Eletrosul, para melhorar as relações e condições de trabalho e tampouco ajuda a empresa. Os trabalhadores da sede esperam e desejam que isto não se repita


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