Na última reunião do Conselho de Administração da Celesc, em meio a uma pauta trivial, dois pontos chamaram a atenção dos Sindicatos que compõem a Intercel: 1) o questionamento do direito do representante dos empregados se manifestar em todos os assuntos da pauta; 2) o direito de comunicação do conselheiro eleito com os seus representados.
Caso vivêssemos ainda no obscuro período da ditadura talvez passasse despercebidos esses dois pontos, no entanto, em pleno regime democrático, somente podem ser tachados como uma tentativa de calar os trabalhadores na discussão dos destinos da empresa. Esse ataque, assim como todos os outros já tentados, terá também uma forte resposta dos trabalhadores da Celesc. Deve ficar claro para quem quer que esteja por detrás dessas intenções sorrateiras: não ousem querer destruir os espaços de organização dos trabalhadores.
Curioso perceber esses dois pontos surge logo após a realização do 8º Congresso dos Empregados que, entre outras resoluções, aprovou lutar pela ampliação da presença dos trabalhadores nos espaços de gestão de empresa, como o Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Comissões e Gestão e Resultado. Assim, mais do que um desafio, parece ser uma afronta aos trabalhadores.
Escondidos nos frágeis argumentos do “conflito de interesse” e do “sigilo da informação” os incomodados com a participação democrática dos trabalhadores na gestão de uma empresa pública, buscam alcançar o que já têm nas empresas privadas, ou seja, o direito pleno, único e quase ditatorial de definir o que melhor lhes interessam.
A Intercel espera que esse movimento seja isolado, de alguém que ainda não aprendeu a conviver com a liberdade de expressão e o direito de participação dos trabalhadores, previstos inclusive nas normas constitucionais. Caso contrário, reagirá fortemente nas instâncias políticas e jurídicas, assim como tem feito nos últimos anos, para garantir o direito legítimo e legal de participação dos trabalhadores na discussão dos destinos da Celesc Pública.

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É muito desaforo! Como pode alguém dizer que a presença de trabalhadores no conselho de administração da própria empresa em que trabalham representa um conflito de interesse e não dizer que o mesmo não acontece com a presença de políticos, empresários e lobistas?
Publicado por Luiz Garbelotto | 02/06/2011, 4:18 pm