A Celesc precisa renovar a concessão, mas a que preço? Em todas as falas do presidente da Celesc, seja em palestras ou eventos com os empregados, o discurso dele aponta que os trabalhadores são culpados por receberem seus salários.  E, quando se aproxima a data base o discurso fica mais agressivo contra os direitos.

A culpabilização dos trabalhadores pelo presidente a respeito de ações trabalhistas (que não são movidas pelos jurídicos dos sindicatos que compõem a Intercel) e principalmente pelos direitos contidos no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) conquistado há mais de 50 anos pelos eletricitários na luta, não leva a lugar nenhum. Os direitos dos trabalhadores não foram concedidos por uma entidade benevolente. Foram arrancados com muita luta, greves e mais greves de uma categoria unida e guerreira.

Quando a diretoria assinou o contrato de renovação de concessão, onde estão estipuladas metas técnicas e financeiras, as falas da diretoria da Celesc viraram metralhadora contra os trabalhadores. Várias vezes em reuniões ou rebatendo as falas do presidente concordamos que todos deveriam fazer sua parte, comprometendo-se com a renovação da concessão, porem a visão míope e preguiçosa da diretoria continua enxergando como mira só os direitos e salários dos trabalhadores.

A empresa continua a pagar a periculosidade para vários trabalhadores (chefes) que não expõem a vida ao risco, paga horas extras sem serem realizadas a alguns ex - chefes para compensar a perda da gratificação, nomeiam chefias de agencias I e II que estão fechadas, mantem um organograma de diretorias e gerencias de departamentos e divisões da empresa extremamente inchado. Queremos saber do presidente se é necessário manter 7 diretorias com todas as suas assessorias? É necessário manter a atual quantidade de departamentos e divisões onde existe muito cacique e pouco índio? Uma estrutura mais enxuta, juntando departamentos com funções parecidas seria o mais sensato. Revisar vários processos de trabalho se faz necessário para recuperar o caixa da empresa, como fiscalização de fraude, contratos e trabalho de terceirizados como poda e construção, perdas técnicas e não técnicas, etc.

Temos certeza que o ataque aos direitos e salários dos trabalhadores, orquestrado pelo presidente da Celesc nos seus discursos deve-se pela visão de achar que somos COLABORADORES, como nos chama no relatório de sustentabilidade de 2016. Colaborador é aquele que colabora com algo, sem nada a receber.  Nos somos TRABALHADORES, vendemos nossa força de trabalho.