Fonte Stiu/Df

A consulta pública do ministério de Minas e Energia para o setor elétrico é uma tragédia e precisa ser interrompida”. A avaliação foi feita no seminário “Privatizar não é solução” pelo advogado Maximiliano Garcez, representante da Associação Latino-Americana de Advogados Laboristas do Brasil. O encontro aconteceu nesta quarta-feira (19) e continua amanhã, a partir das 9h, no hotel Nacional, em Brasília.

Segundo Garcez, a destruição do setor elétrico proposta na consulta pública transcende o debate ideológico entre direita e esquerda, e implica em prejuízos reais tanto para o País, quanto para os trabalhadores.

“Precisamos estar conscientes de todos esses pontos extremamente prejudiciais na consulta pública para explicar aos deputados e senadores, inclusive da base do governo, pois certamente nem todos concordarão com esse absurdo”, disse.

O objetivo da proposta, de acordo com uma das principais lideranças do instituto Ilumina, Agenor Oliveira, é ampliar o processo de mercantilização colocado no processo de privatização em 1995 para aumentar ainda mais o valor da tarifa. “Mais do que está sendo aumentada”, conta.

Segundo ele, a tarifa no Brasil só é menor do que em Portugal, Noruega e Canadá, onde as pessoas ganham em euro e dólar. “Os consumidores residenciais brasileiros serão os maiores prejudicados com a privatização do setor elétrico, pois vão acabar consumindo menos energia e pagando mais caro por ela. E quem vai lucrar muito com isso são os empresários, não vai ser o Brasil”, destaca.

Artur Obino, do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, alerta que o novo modelo de sistema elétrico brasileiro no governo Temer vende os principais empreendimentos e empresas do Brasil para fazer caixa. “A única forma de conter essa privatização é entender as contradições dentro do próprio governo para minar os interesses de setores empresariais e dos próprios agentes do governo”, aponta.

A consultora técnica na área de energia, Maristela Braga, destacou que a consulta pública do MME é muito genérica. “Parece uma intenção de estar cumprindo os acordos assumidos pelo governo com os setores empresariais”, disse.