Os trabalhadores da Eletrosul continuam mobilizados e ativos na luta contra a privatização. Na manhã desta quinta-feira, dia 24 de agosto, depois de uma concorrida assembleia, eles decidiram ir até a diretoria da empresa cobrar um posicionamento sobre o assunto. Foram recebidos pelo diretor presidente Gilberto Eggers e outros diretores. Ao final do encontro decidiram realizar um grande abraço na empresa cantando o hino nacional e sob os gritos de "Privatização é Corrupção" e "Agua e Energia não são Mercadoria". Aguardam agora novos encaminhamentos que vão ser deliberados na reunião do Coletivo Nacional do Eletricitários a ser realizada semana que vem. Neste meio tempo comprometeram-se a procurar os deputados e senadores que de seus partidos para pressiona-los a favor da manutenção da empresa pública.

PRESIDENTE EGGERS

O encontro com o presidente e diretores da empresa foi desapontador. Os trabalhadores queriam, além do posicionamento da diretoria, um compromisso contra a privatização. Eggers além de dizer que a determinação de privatizar estava dada e devia ser cumprida (“ou seguimos orientação do governo ou saímos do cargo”) comentou a suposta má vontade da população contra as empresas públicas.  Já os trabalhadores acreditam que se dadas as condições de realizar uma conscientização sobre os efeitos nefastos da privatização (perda da soberania sobre água e energia, alta das tarifas) terão condições de manter a empresa pública. Indagado a respeito do posicionamento do seu partido (PMDB) sobre o assunto, Egger disse que não conversou com seus correligionários a respeito.  Segundo ele ainda na quinta-feira a diretoria da Eletrosul se reunirá para avaliar a determinação do Ministério das Minas e Energia de privatizar a empresa.

PROCURANDO ALIADOS E AVALIANDO INIMIGOS

Tanto na assembleia como na intervenção junto à diretoria da Eletrosul os trabalhadores se mostram inconformados com a conjuntura desencadeada pela determinação do governo Temer de privatizar a empresa. Lembraram fala recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que afirmou ter a Eletrosul sido a únicas privatizada na década de 90 por que não havia respaldo político contra sua venda. “Nos seremos penalizados de novo?” cada um se pergunta lembrando que o loby político contra a privatização de Furnas e Chesf já está muito ativo. Diante disso a mobilização de cada um junto a seu deputado e senador é muito importante.