Desde o início da manhã desta terça-feira, 12 de dezembro, cinco integrantes da Via Campesina realizam ato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Será um dia de greve de fome em solidariedade aos setes companheiros(as) de vários movimentos entre eles o dos Pequenos Agricultores  que desde o dia 5 de dezembro se mantêm em GREVE DE FOME CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA na Câmara dos Deputados, na Capital Federal.

Os cinco integrantes de movimentos sociais que estão na Alesc em Florianópolis vieram das diferentes regiões do estado e representam diversos movimentos. São eles Justina Cima do Movimento das Mulheres Agricultoras(MMA), Antonia Sandra Vieira, do Movimento Quilombola e das Mulheres Urbanas e Camponesa, Rodrigo Timm, do Movimento dos Atingidos por Barragens, Gilberto Schneider do Movimento dos Pequenos Agricultores e Lucimar Roman, também do MMA.

“É preciso que algumas pessoas passem fome por alguns dias para que a sociedade não passe fome a vida toda”, destacam os grevistas.

 

Se a nova proposta de reforma da Previdência for aprovada, os trabalhadores e as trabalhadoras rurais assalariados terão de contribuir, no mínimo, durante 15 anos e se aposentar aos 65 anos no caso dos homens e 62 anos, das mulheres, para receber 60% da média de todas as suas contribuições. As regras são iguais aos trabalhadores da iniciativa privada.

Isso vai inviabilizar a aposentadoria dos assalariados rurais, afirma Antonio Lucas, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar). Segundo ele, essa nova proposta não dificulta o acesso dos rurais, exclui o assalariado rural do direito à aposentadoria. “É bom lembrar que, no Brasil, os assalariados rurais são os trabalhadores que convivem com a realidade do trabalho análogo à escravidão, com a alta informalidade e ingressam mais cedo no mercado de trabalho”, explica o dirigente. 

E também a dos agricultores familiares (pequenos produtores) que passarão a contribuir individualmente e por mês, “o que praticamente acaba com o sistema de proteção diferenciado dos rurais”, explica Aristides Veras dos Santos, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Para Bruno Pilon, do MPA, “a realidade do trabalhador do campo não permite que ele tenha uma reserva mensal para contribuir com a Previdência. Um trabalhador que planta, por exemplo, colhe apenas duas vezes por ano. Ou seja, tem apenas duas rendas. Como ele vai conseguir contribuir mensalmente”, argumenta.

Além de terem um motivo específico para lutar contra a reforma da Previdência, os trabalhadores do campo estão na trincheira contra o projeto pelo conteúdo total da proposta temerária. Eles afirmam que a falácia criada pelo governo de que os trabalhadores rurais estão fora do novo texto da reforma da Previdência, tem como objetivo “desmobilizar e dividir a luta e resistência”.