O jornalista no Sinergia, Rubens Lopes, participa em Salvador, Bahia, do 6º Seminário Unificado de Imprensa Sindical. O evento é realizado pelo Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e pelo Fórum de Comunicação da Classe trabalhadora, reúne dirigentes e jornalistas sindicais de 19 estados do país. O objetivo central do encontro é fortalecer a comunicação sindical para enfrentar os ataques do capital.

 

O seminário começou na quinta-feira, 31, feriado de Corpus Christi, na parte da manhã aconteceu a mesa “Comunicação sindical – Fortalecer para o enfrentamento aos ataques do capital”, ministrada por Cláudia Giannotti – Coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), Kardé Mourão - Ex-presidenta do Sinjorba e ex-diretora Fenaj, Rita Casaro – Membro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

 

Na parte da tarde a mesa foi composta pelas centrais sindicais, o tema foi “A conjuntura e o papel da comunicação sindical no avanço da consciência de classes”. Participaram representantes da CTB, Nova Central , CUT e CSP- Conlutas. Foi apresentado um recorto pós reforma trabalhista onde vários sindicatos tiveram perdas na arrecadação em torno de 80% na receita. Durante o debate as centrais foram criticadas pela precarização dos profissionais da comunicação nas entidades, o acúmulo de funções, e baixos salários.

 

A última mesa do dia foi “Comunicar é preciso – O diálogo com a base e a relação entre os novos e os clássicos meios de comunicação”, com Augusto Vasconcelos, Presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Luciana Araújo, coordenadora de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo e Marcelo Chamusca,  coordenador dos cursos de Comunicação da Universidade Católica do Salvador e presidente da ALARP-Brasil. Chamusca falou sobre as novas possibilidades de comunicação ao vivo nas redes sociais e sobre o planejamento antes de transmitir. Vasconcelos trouxe uma reflexão acerca do “encantamento” do leitor, com base nos textos de Paulo Freire e trouxe algumas reflexões acerca do conceito de estética feito pelo teórico Georg Lukács e apontou alguns horizontes para comunicação sindical.

 

A mesa da manhã de sexta-feira, 01, trouxe um debate sobre como “Como trabalhar a comunicação de gênero, raça e Movimentos Populares no Movimento Sindical”, participaram Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), Cleidiana Ramos, ex-jornalista do jornal A Tarde e doutora em Antropologia pela UFBA e Vilma Reis – Socióloga e Ouvidora do Ministério Público da Bahia. As palestrantes fizeram um denúncia sobre como o racismo não é falado no Brasil e criticaram o setor sindical por não ver a comunicação como um espaço estratégico.

 

Vilma Reis afirmou que o racismo e a misoginia são as principais contradições no nosso país, onde as mulheres e homens negros são os primeiros a serem surrupiados. Salientou que quem empurra a esquerda para a esquerda no Brasil são os movimentos negros. Falou da importância da pedagogia da desobediência e que o conhecimento precisa ser um instrumento de libertação. Também trazido para o debate a luta das mulheres para serem vistas, escutadas e pautadas nos meios de comunicação. E que um dos desafios que há é vencer o assédio sexual e moral no trabalho, em casa e na sociedade.