Trabalhadores pedem a saída do presidente de Eletrobras

 

Com a presença do presidente da Eletrobras, Wilson Pinto Jr, a Ele­trosul lançou ontem um selo come­morativo pelos 50 anos da Empresa. Porém, no auditório lotado para a cerimônia, os trabalhadores da em­presa protestaram e pediram: Fora Wilson Pinto! Já no início do evento pode-se ver a disposição de traba­lhadores e sindicato em repudiar a presença de Pinto Jr na Eletrosul. Ao subirem ao palco para assinatura do selo de 50 anos, a trilha de acom­panhamento do presidente da Ele­trobras e da diretoria da Eletrosul foi sempre a mesma: vaias e mais vaias.

 

O presidente da Eletrosul, Gilberto Eggers, iniciou seu discurso (sob vaias) demonstrando-se honrado com a presença de Pinto Jr. Depois pediu um minuto de silêncio (trégua das vaias) para homenagear dois tra­balhadores da Eletrosul falecidos em serviço em menos de dois anos de sua gestão. No final, perguntou (sob vaias) "qual o modelo de eficiência, privada ou pública, se quer"? No mo­mento seguinte, Pinto Jr (sob vaias) subiu ao palco acompanhado de seu sósia amarelo (sob aplausos) e, ner­voso, não conseguiu falar. Somente após alguns minutos, nitidamente abalado (sob vaias), tentou explicar evasivamente a ofensa desferida contra os trabalhadores do grupo Eletrobras (sob vaias) chamando-os de vagabundos, motivo de ação ju­dicial de assédio moral contra ele. Ao final, saindo do auditório (sob vaias), Pinto Jr. teve a prova na Eletrosul, através dos seus trabalhadores, que 50 anos de História não podem ser destruídos com um só golpe (aplau­sos aos trabalhadores).

 

Não faltam motivos para os tra­balhadores pedirem a saída do Presidente. Desde que assumiu a Eletrobras em julho de 2016 com a promessa de que a estatal não seria privatizada, Wilson Pinto iniciou um Plano Diretor de Negócios e Ges­tão (PDNG), onde ficou evidente as verdadeiras pretensões do gestor. Na lista, está o favorecimento do mercado com a entrega do controle acionário da empresa, demissão de 12 mil trabalhadores e a penalização da população brasileira com o au­mento da tarifa de energia. Durante sua gestão, solicitou um aumento de 46% do próprio salario, ao mesmo tempo em que negocia um reajuste de 1,69% para a categoria eletrici­tária. Contratou a FSB comunicação por R$ 2 milhões para depreciar a estatal e facilitar o processo de pri­vatização. Além disso, discriminou e desrespeitou os trabalhadores ao chamá-los de “vagabundos”.

 

O sindicatos da Intersul parabe­nizam os trabalhadores que cons­truíram a Eletrosul nestes 50 anos, pelo ato de coragem na defesa do sistema elétrico nacional, contra a privatização da Eletrobras e suas subsidiárias, que o governo federal ilegítimo tenta entregar ao capital estrangeiro sem levar em conta se­quer sua história e importância eco­nômica e cultural para todo o país.