As ruas do Brasil foram tomadas pela luta contra o ódio, a intolerância, o retrocesso, preconceito e facismo. Em atos liderados por coletivos de mulheres e organizados por centenas de de movimentos populares, o Brasil manifestou repúdio ao candidato à presidência pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, fazendo as manifestações do #ELENÃO deixarem as redes sociais e tomarem as ruas. De acordo com levantamento do jornal Brasil de Fato, foram contabilizadas manifestações em 260 cidades brasileiras. Além das manifestações nacionais, várias manifestações foram registradas em cidades ao redor do mundo.

Identificado pelas posições discriminatórias contra mulheres, homossexuais, negros, indígenas e pobres, Bolsonaro lidera a corrida presidencial. Para lutar contra a pauta de retrocessos e opressão, mulheres iniciaram uma série de mobilizações nas redes sociais, fazendo com que a taxa de rejeição à Bolsonaro atinja o índice de 46%, conforme pesquisa divulgada pelo DataFolha na véspera dos atos. As mobilizações nacionais do #ELENÃO que uniram a revolta de todos contra o discurso de ódio e os constantes ataques às minorias, ironicamente, não foram destaque em nenhuma emissora de televisão. Era de se esperar que manifestações por todo o país em um período eleitoral tivessem noticiabilidade, que tivessem destaque dentro daquilo que é notícia. Entretanto, o que se vê é uma imprensa comprometida com a manipulação da realidade, visando apenas garantir um projeto que mantenha a desigualdade e impedir um projeto popular e solidário de mudar o Brasil. Além de dar voz à luta contra o discurso de ódio, os atos realizados no dia 29 incluíram na pauta reivindicações progressistas e sociais, como a defesa da saúde pública, o combate à violência constra as mulheres, e a defesa das empresas pública e dos direitos trabalhistas, também atacados pelo "coiso", como ficou conhecido o candidato do PSL.

 Defensor de um suposto liberalismo econômico, Bolsonaro pretende entregar o patrimônio público e perpetuar a desigualdade, afirmando que fará um "governo para a maioria". Para os sindicatos da Intercel e Intersul este discurso de ódio, entreguista e discriminatório não condiz com a luta popular por melhores condições de vida e de trabalho e quem o apoia não representa os trabalhadores brasileiros.