Num clima muito desfavorável com 1) uma maciça campanha pela privatização da Eletrobras, 2) incorporação/extinção da Eletrosul e 3) ameaças da holding aos trabalhadores que se manifestaram contrários, os trabalhadores da sede da Eletrosul tiveram de votar uma proposta de fechamento de data base bem difícil de engolir.  Ao final da assembleia ocorrida na manhã de 30 de setembro, 195 trabalhadores da sede decidiram aprovar a proposta mediada pelo TST, 23 rejeitaram e dois se abstiveram do votar. A proposta além de perdas salariais contempla a possibilidade de demissões. Foram porém mantidas, até 1º de maio de 2020 cláusulas que garantem conquistas de mais de 30 anos.

Esta foi uma das campanhas mais longas da categoria. Começou em fevereiro num ambiente muito desfavorável aos trabalhadores. A intenção da empresa era retirar todos direitos que excedessem o que é garantido pela CLT. Resistindo por cinco meses, obrigados a gastos de locomoção e estadia para os negociadores, os sindicatos que compõem o CNE (Coletivo Nacional dos Eletricitários) optaram pela política de redução de danos, ou seja, assegurar o máximo possível para um número maior de trabalhadores.

Em resumo os trabalhadores votaram por um reajuste salarial de 70% do INPC, e pela alteração das cláusulas 6 (garantia de emprego) e 7 do seu Acordo Coletivo de Trabalho. Esta última é uma proposta do TST que diz que: a redação atual, que impede a realização de desligamentos, permanecerá vigente até o dia 31/12/2019;  do dia 01/01/2020 até o dia 30/04/2020, passará a contar com redação que limite as restrições de desligamento atualmente existentes ao universo de 12.500 empregados efetivos; do dia 01/05/2020 até o dia 30/04/2021 passará a contar com redação que limite as restrições de desligamentos atualmente existentes ao universo de 12.088 empregados efetivos.

Agora os trabalhadores aguardam os resultados das outras assembleias que estão sendo realizadas em todo território nacional. Caos a proposta seja rejeitada os trabalhadores da sede da Eletrosul decidiram ainda por greve por tempo indeterminado a partir de 7 de outubro