O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) orienta os trabalhadores do grupo Eletrobras, a não responderem a pesquisa ou consulta sobre trabalho em home office. Orienta também que, caso seja pressionado, diga que não tem opinião formada sobre o assunto. Ao responder a pesquisa o trabalhador estará dando subsídios para alterar os seus contratos de trabalho. Esse tipo de sondagem deve ser previamente discutido com as entidades sindicais.

Tendo em vista que o prazo de uma pesquisa deste tipo se encerrou no dia 12/06 e tendo noção de que muitos empregados responderam a referida pesquisa, o CNE vai buscar junto à empresa a inaplicabilidade dela, objetivando amplo debate com os sindicatos.

O CNE alerta os trabalhadores  que muitos interesses estão em jogo, inclusive anteriores à pandemia, e não podemos nos deixar manipular em um momento de desassossego. “Temos que lutar para que a Eletrobras não cometa os mesmos erros de outras companhias no passado recente, relacionados ao home office, e, mais uma vez, os empregados sofram com consequências advindas de decisões desastrosas, como às que vem sendo implementadas nos últimos anos.”

Pesquisas apontam diversos riscos no home office, como por exemplo, (i) para a empresa: perda do contato direto com o trabalhador e menor controle sobre sua produção; e perda das relações humanas – especialmente quando há muitos empregados trabalhando no regime à distância. (ii) Para o empregado: maior tendência à dispersão provocada pelo fato de estar em casa. Exemplo: geladeira, TV, outras pessoas da família, cachorro latindo, tarefas domésticas etc.

Ora, há que estranhar a Eletrobras está agindo em meio a uma turbulenta onda de notícias na mídia, mais no modismo, e deixando de se ater à farta bibliografia literária (livros e artigos) e análise de casos concretos pré-pandemia, onde muitas empresas, inclusive de tecnologia, reverteram suas jornadas home office para presencial, visto a perda de produtividade ter comprometido suas metas. O home office levou a perda do espírito de equipe e a diminuição do entusiasmo ao desafio, comprometendo o engajamento e o comprometimento.

“Uma pesquisa feita em um momento em que as respostas são influenciadas por circunstâncias imponderáveis, não serve de referência, tornando-a enviesada e estigmatizada. A pesquisa só teria validade para medidas efetivas e permanentes caso fosse realizada após amplo debate com os empregados, via seus representantes legais, os sindicatos”, acredita o CNE.