Quando o novo milênio chegou – anos 2000 – encontrou o Sinergia mergulhado na batalha contra as privatizações. O MUCAP (Movimento Unificado Contra a Privatização) atuava firme. Nesse período também aconteceu a comemoração dos 40 anos do Sinergia com o lançamento do livro “Da Privatização ao Apagão” e a revista “Sindicato e Cultura – da prática à teoria: a experiência do Sinergia”, em comemoração aos 17 anos de ação cultural do Sinergia.

Na América Latina começava um novo tempo, tendo em vista os vários movimentos de trabalhadores que movimentavam o continente. Partidos progressistas governavam países irmãos, e foram feitas ações na sociedade contra o sistema capitalista, com debates estruturais na sociedade contra reformas e retirada de direitos.

A partir da Venezuela vinha uma proposta de luta contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) proposta pelos Estados Unidos, com plebiscito e atos. Por aqui, os trabalhadores se vincularam a outra proposta, generosa, da ALBA (Alternativa Bolivariana), que pensava na integração para além do comércio.

No Estado de SC, se fortalecia a prática de desmonte da Celesc, quando novas lutas precisaram ser travadas. Foi também nessa década que aconteceu o apagão em Florianópolis, colocando mais uma vez em questão o setor elétrico. Nesse período acontece um intenso debate sobre o novo modelo da Celesc e governança corporativa, com reestruturação da Celesc e eleição para Dretor Comercial. Foi um tempo de sucateamento, privatização, terceirização e falta de segurança na Celesc. Mesmo assim, o Sinergia se manteve atuante e lançou o livro dos 40 anos de ACT na Celesc.

Em 2003, assumiu a Presidência da República o ex-sindicalista Luis Inácio Lula da Silva, mas a batalha contra as privatizações no estado seguiu firme. Também houve ação contra o assédio moral e muita luta contra a reforma da previdência e a reforma sindical. A proposta de sindicato cidadão é fortalecida com a adesão do sindicato às demais lutas que se fazem em toda a América Latina. A classe trabalhadora como centro. A década passa com o Sinergia encabeçando debates, encontros, articulações e movimentos por melhorias salariais, condições de trabalho e garantia de direitos.

Foi nessa década que ocorreu também o 1°ENOP – Encontro Nacional de Operadores, que organizou ações e denúncias contra o sucateamento da Operação do Sistema Elétrico brasileiro. O Sinergia, nesta década, realizou também o 4º Congresso (2001) e os Congressos dos Trabalhadores da Celesc (3º ao 7º), além do 1º Congresso dos Trabalhadores da Eletrosul (2004), reunindo trabalhadores de toda a categoria.

O Sinergia também enfrentou a proibição do projeto meia hora na Gerasul/Tractebel. A proibição da ação sindical dentro da Engie (antiga Gerasul/Tractebel) perdura até hoje. O Projeto Meia Hora foi enfrentado com atos e denúncias à sociedade até 2010, onde a empresa “permitiu” a realização no auditório da empresa, sem permitir que o sindicato percorresse as salas (prédio) divulgando a atividade.

Mesmo assim, o sindicato conseguiu avançar em outras frentes e dar início à representação dos trabalhadores da CEREJ, publicar a Revista Cultural do Sinergia, além de fortalecer a luta por saúde e segurança – MOVIDA. Em 2005 foi iniciado o desenvolvimento de atividades com a rede Vida Viva, que tem como centro do diálogo a relação entre vida, saúde e trabalho. A partir de 2009, o Sinergia participou diretamente das implantações do programa como projeto piloto.

Outros marcos importantes dessa década: os 20 anos do jornal Linha Viva e o primeiro Encontro de Mulheres da Celesc, com oficina de gênero. O Sinergia, como sempre, se mantinha atento às pautas relevantes para a sociedade e fomentava o debate com os trabalhadores e trabalhadoras. Com certeza, foi um período marcado por muita luta!