Sinergia firma parceria com Biblioteca Pública

Digitalização do acervo do Linha Viva inicia ainda no mês de julho

O Sinergia, representando a Intercel e a Intersul, assinou no dia 11 de julho, na Biblioteca Pública de Santa Catarina, em Florianópolis, o termo de cooperação em que será digitalizado todo o acervo do jornal Linha Viva. 

Após a conclusão deste importante trabalho, que será realizado pelas pessoas que atuam na Biblioteca Pública, em cooperação com as diretorias de Cultura e Comunicação do Sinergia, o Linha Viva ficará disponível para consulta na rede mundial de computadores. Será possível consultar qualquer termo contido nas matérias em qualquer edição do jornal desde a sua fundação, em março de 1988.

De acordo com o Coordenador Geral do Sinergia, Tiago Vergara, “esse importante passo vai trazer agilidade e será de grande valor no resgate histórico das lutas das pessoas trabalhadoras eletricitárias de Santa Catarina. Além disso, será uma forma de não apagar da memória toda a luta e todos os feitos dessa importante categoria profissional ao longo de décadas. O Linha Viva digitalizado e disponível a toda a população será fonte a historiadores e a pesquisadores das mais diversas áreas”.

Novo personagem folclórico surge: “Perdidinho”

Presidente de empresa ainda não sabe se dirige companhia de energia ou de infraestrutura

Sempre que nos reunimos em família, no trabalho ou com amigos, ouvimos histórias ou debatemos assuntos de interesses coletivos. Hoje, com a evolução da tecnologia, vários personagens e conteúdos novos têm aparecido. No setor elétrico não é diferente e apareceu um novo personagem folclórico, “O PERDIDINHO”. Reza a lenda que ele vive aparecendo na mídia e em reuniões pelo estado fazendo das suas. Vamos aos fatos!

Primeiramente, ele assumiu a presidência da maior estatal de Santa Catarina. Aí começaram suas aventuras como PERDIDINHO, comparando a empresa do ramo de energia com obras de infraestrutura de transporte. Sempre que pode, faz discursos enaltecendo que “é preciso exaltar quando soubemos que nossa rua será asfaltada/pavimentada. É necessário que estejamos preparados para interrupções temporárias na via durante as obras. Afinal, após as obras serem finalizadas, todos nós aproveitamos os benefícios do asfalto pronto”.

 Ele usa esse discurso para comparar obras de asfaltamento com o projeto Conecte, implantado em maio, trazendo enorme repercussão negativa na população catarinense sobre a imagem da empresa que preside. As consequências da mudança de sistemas estão afetando trabalhadores/as da companhia há quase três meses. 

Assim, respondemos agora ao PERDIDINHO: relacionar asfalto com o novo sistema comercial tem sim uma série de desvantagens, quando não são observadas pelos gestores da empresa as consequências de não haver uma boa análise do solo, levantamento topográfico, drenagem, uma boa compactação do solo, um asfalto de qualidade e a importância de manutenção preventiva para não acontecer a deterioração precoce do asfalto, tornando as rodovias (ou ruas) intransitáveis.

 Além disso, há que se ter em conta que os benefícios que o PERDIDINHO alega que acontecerão, também podem virar pesadelos, trazendo consigo danos aos veículos e acidentes com traumas e até mortes.

A conclusão é que, quando se trata de pavimentação de rodovias, o Brasil utiliza metodologias ultrapassadas para o planejamento de obras, apresenta deficiências técnicas na execução, investe pouco e falha no seu gerenciamento, na fiscalização e na manutenção das pistas. Não custa lembrar que o PERDIDINHO é do ramo elétrico e preside uma empresa que prefere aumentar a distribuição de dividendos aos acionistas do que investir no sistema; e cria mais uma Diretoria para acomodar indicados do governador, achando que oito Diretorias são poucas, aumentando o custo administrativo.

 A novidade mais recente foi a cobrança feita pelos trabalhadores de Lages ao PERDIDINHO sobre a não contratação de novos empregados e o aumento da terceirização. Sua resposta é uma pérola! Olhou para a plateia e respondeu: “vocês, quando contratam trabalhadores para construir suas casas, ao terminarem, vocês continuam pagando pelo serviço?” Olha, só pode ser piada, um presidente comparar a construção de um imóvel com o setor elétrico, que atende a população catarinense 24 horas por dia com muita responsabilidade. Ele só pode estar perdido. Talvez por esse currículo que a ANEEL está revendo até a troca do gestor da Amazonas Energia privatizada pelo PERDIDINHO. Ele perde cada vez mais credibilidade na categoria e não sabemos mais se é engenheiro eletricista, civil ou formado em gastronomia, já que, por qualquer motivo, faz tantos coffee breaks.

Os heróis “catarinas”

LV entrevista celesquianos que ajudaram na reconstrução do Rio Grande do Sul

Celesquianos têm larga experiência na atuação em catástrofes climáticas: Santa Catarina já passou por várias inundações, vendavais e outros fenômenos climáticos. Talvez por terem passado por tantas intempéries, os catarinenses se tornaram referência no atendimento em momentos tristes como esses. Durante a catástrofe climática de maio no Rio Grande do Sul, a companhia recém privatizada de energia daquele estado, com quadro enxuto de trabalhadores, não conseguiu atender a toda a demanda. A situação crítica exigiu solidariedade da Celesc Pública: trabalhadores foram deslocados ao estado vizinho para ajudar a recompor a energia nas regiões mais afetadas.

Nessa entrevista, conversamos com dois eletricistas da Celesc que se deslocaram ao Rio Grande do Sul para ajudar na recomposição do sistema: Charson Viega da Veiga (Regional de Criciúma) e Ronei Antunes Correa (Regional de Lages). Confira:

LV: Que cenário vocês encontraram no Rio Grande do Sul quando chegaram lá?

Charson: Cenário que jamais imaginávamos encontrar, com tanta destruição, ruas alagadas e muita lama. Por quilômetros observamos a marca onde a água tinha alcançado, olhávamos sem acreditar que tinha chegado naquela altura e por todo o bairro. Vimos concessionárias, lojas, mercados, postos de gasolina, tudo debaixo d’água. Sensação de impotência. Não era apenas uma enchente, era algo que não teríamos como apagar da memória. Cenário onde as pessoas colocavam tudo no lixo e pouco se aproveitava do que restou, em alguns bairros encontramos apenas o poste de ligação no terreno e a casa havia sido levada pela enchurrada. O povo gaúcho é guerreiro e como eles dizem: “Não tá morto quem peleia” e isso era uma motivação para todos nós.

Ronei: Foi um pioneirismo difícil, entramos em uma região onde as coisas já não estavam fáceis antes mesmo da catástrofe. A rede já estava em condições ruins, o serviço de emergência já era feito apenas por empreiteiras e algumas vezes por funcionários sem experiência em serviços de emergência. A experiência foi única até para entender a realidade de outras empresas e de outros trabalhadores. Saímos com a sensação de dever cumprido e com a satisfação de poder ajudar, e a certeza de que nossa mão de obra é diferenciada.

LV: Quais as maiores dificuldades encontraram durante a operação?

Charson: As maiores dificuldades no ambiente onde estávamos eram os pontos alagados, mau cheiro da lama, muito lixo e animais mortos, galhos e paus dentro d’água, locais de difícil acesso. Na execução dos serviços tivemos dificuldade em atividades no barco: tínhamos que nos equilibrar para execução do serviço, as ruas alagadas, muita lama e buracos dificultavam o acesso das camionetes. Em muitos locais foi utilizado a vara telescópica para alcançar os serviços. Também tivemos dificuldade na comunicação com o centro de operações da CEEE Equatorial, atrasando muito o serviço. A rede estava em péssimo estado, bem danificada, cruzetas podres, isoladores muito antigos e alguns dando passagem, 70% dos postes eram de madeira. Quando energizamos, aparecia mais defeitos na rede, má conexões e, na medida em que a carga começava a entrar nos alimentadores, em alguns pontos os cabos rompiam e tínhamos retrabalho. Em meio a tantas dificuldades e a um cenário de guerra, tivemos um trabalho árduo, onde o corpo não respondia mais do cansaço, mas que com muita dedicação e persistência conseguimos executar os serviços e levar um pouco de dignidade aos nossos irmãos gaúchos.

Ronei: As maiores dificuldades foram, sem dúvida, as condições da população. Eram já 23 dias do início das enchentes e a água ainda estava muito alta, e muita gente sem energia.

LV: O que os moradores falavam quando viam vocês trabalhando para religar a energia?

Charson: Saimos da CEEE Equatorial no primeiro dia e fomos a uma comunidade próximo ao bairro Humaitá, onde mais de quatro equipes da CEEE Equatorial tinham ido ao local e não tinham solucionado o defeito. Corremos o circuito apenas uma vez e identificamos o defeito. Era uma cadeia de isoladores dando passagem no último poste do circuito. Tive o privilégio de trocar esse isolador. Em seguida, presenciamos uma das maiores emoções que ja aconteceu em nossas vidas: pessoas nos abraçavam, pulavam de alegria, festejavam e gritavam “a luz voltou!!”, “fazia 25 dias que estávamos sem luz!”, “obrigado, Celesc”, e assim surgiu nosso primeiro vídeo na operação da Grande Porto Alegre. Nos dias seguintes, percebíamos que a água estava baixando com rapidez e que por onde energizamos, as pessoas retornavam para casa para iniciar a limpeza. Passávamos nos bairros e podíamos ver a leitura labial das pessoas falando “Celesc Santa Catarina”! Era o que estava escrito na porta das nossas camionetes. Em vários momentos as pessoas saíam de casa agradecendo, aplaudiam e gritavam “viva Celesc!”, “viva Santa Catarina!” Isso não tem preço, foi muito gratificante recebermos o carinho do povo gaúcho. O mínimo que podíamos fazer é entregar nosso melhor serviço para tentar amenizar a dor que eles estavam passando.

Ronei: No começo os moradores não conseguiam identificar nossas equipes, isso nos causou alguns problemas, pois estavam muito estressados com a concessionária local. Aos poucos, fomos nos adaptando e explicando nossa atuação no estado. Então a opinião da população foi mudando e as recepções eram sempre calorosas. Entre os moradores via-se a alegria quando chegamos para o atendimento, pois não saímos da localidade sem resolver o máximo de problemas possíveis.

LV: Como você enxerga o fato de trabalhadores de uma empresa pública de outro estado ajudarem na recomposição da energia num estado cuja companhia de energia foi privatizada?

Charson: Vejo que não podemos permitir a privatização. No RS, tive o choque de realidade da privatização, começando pela desorganização do pessoal em um evento climático, as falhas técnicas e falta de comunicação. Mas o pior eram os relatos dos consumidores. As pessoas reclamavam da demora nos atendimentos inclusive em áreas que não havia alagado. Moradores relatavam que tinham problemas antes mesmo da enchente. Conversei com empresários que relatavam ter que utilizar geradores pela demora no atendimento. Acredito que é reflexo de funcionários desmotivados com baixos salários, horas extras sendo pagas em banco de horas, sem motivação alguma. Nós, celesquianos, também passamos dificuldades, mas quando ocorre um evento climático em nosso estado, trabalhamos incansavelmente para nosso povo, enfrentamos tempestade por inúmeras horas em meio a ventanias, chuvas e raios, sem pensar quando voltaremos para casa. Devemos lutar pela nossa Celesc Pública e alertar nosso povo que estamos trabalhando para eles e não para os lucros de acionistas. Em relação à questão técnica da ida ao RS, foi uma ótima experiência para podermos adquirir conhecimento de outra concessionária em redes diferenciadas e com troca de experiências entre colegas de outro estado. Também podendo trazer novos recursos e ideias para nossa empresa, analisando pontos positivos e negativos.

Ronei: Acho que falo por todos os que lá estiveram quando digo que o que nos torna uma empresa de qualidade é a nossa condição pública, pois a a nossa forma de enxergar o cliente não como apenas um número de conta ou como faturamento, mais como uma pessoa com as mesmas necessidades nossas. Nosso sentimento de donos da empresa, de família, não existiria sem as garantias que temos. Dentro de SC já tivemos condições adversas e sempre nos abraçamos e trabalhamos até estar tudo normal e até que toda a rede esteja restabelecida. Não pensamos em faturamento. Quantas enchentes enfrentamos e a troca de medidores é a última preocupação. Lá, no entanto, enquanto vínhamos restabelecendo a energia, a terceira vinha atrás trocando medidores. Empresas diferentes, formas diferentes de atuação.

LV: Você esperava uma repercussão tão grande na atuação do trabalho de vocês no RS?

Charson: Não esperava tamanha repercussão, porque foi uma destruição tão grande em proporções que não imaginava que nosso trabalho poderia fazer tanta diferença. Percebi essa repercussão quando pude presenciar a felicidade de gaúchos e gaúchas. E também os agradecimentos das pessoas nas redes sociais. Foi muito gratificante poder ajudar os gaúchos. Gostaria de agradecer aos meus colegas de farda e também às nossas famílias e a todos os envolvidos nessa missão. Cada um fez sua parte, fazendo com que chegasse de fato nossa força-tarefa, levando energia ao RS. Obrigado a todos e que Deus abençoe o povo gaúcho!

Ronei: Quanto à repercussão, sinceramente, não esperava tanto. Pude sentir a alegria das pessoas por terem um pouco de qualidade de vida com o retorno da energia, ver o quanto pequenas coisas do dia a dia, como um banho quente, uma lâmpada acesa para poder cuidar de seu patrimônio, ou ligar o lava jato são importantes. Fomos carinhosamente apelidados de “os guris de SC”, “os guri de Santa” e, onde chegávamos, éramos bem recebidos e celebrados. Posso garantir que não há melhor sensação do que poder ajudar. Principalmente naquilo que fazemos de melhor. Agradeço a todos os envolvidos pela oportunidade de ajudar e de poder, com isso, valorizar mais nosso trabalho e a grandiosidade do que fazemos.

Assembleia Estadual será em Palhoça

TODA a categoria é convidada a participar do evento em 3 de agosto

O coletivo de Sindicatos da Intercel se reúne todos os anos no primeiro semestre para construir a agenda e o planejamento da Campanha Data-Base na Celesc. Para 2024, a Pré-Pauta de Reivindicações elenca como prioridades a manutenção da Celesc Pública, a a garantia de emprego, a manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho com avanços, a recomposição do número de dirigentes liberados e a isonomia de direitos. A agenda de 2024 está sendo colocada em prática: nessa semana estão sendo realizadas as Assembleias Regionais de avaliação da Pré-Pauta e, para a semana de 22 a 26 de julho, será promovida a Caravana da Intercel, que nada mais é que uma força-tarefa para percorrer o maior número de postos de trabalho e dialogar com a categoria sobre as dificuldades que serão encontradas na campanha salarial e convidar celesquianos e celesquianas para a Assembleia Estadual.

Nesse ano, a Assembleia Estadual será realizada no Ginásio Palhoção, na cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis, no dia 3 de agosto. TODA a categoria é convidada a participar. Nesse evento serão votadas as propostas de modificação ou inclusão de cláusulas trazidas nas Assembleias Regionais. Como pode haver divergência de valores ou até mesmo de redação nas propostas trazidas nas Assembleias Regionais, é na Assembleia Estadual que a Pauta de Reivindicações será votada e unificada. É importante que a categoria participe da Assembleia Estadual, pois uma proposta trazida na Assembleia Regional pode não ser aprovada pela maioria dos trabalhadores na Assembleia Estadual. 

O evento, que iniciará às 9h da manhã e encerrará com o almoço festivo, é gratuito a celesquianos e celesquianas de todo o estado e bancado com o dinheiro das pessoas filiadas aos Sindicatos da Intercel. 

Todos os anos os sindicatos das diferentes regiões do estado alugam ônibus ou vans para trazer a categoria ao encontro. É importante que você esteja atento/a à lista de inscrição para o transporte junto ao sindicato da sua região.

A Assembleia tradicionalmente inicia com uma breve manifestação de parlamentares presentes (todos os deputados e deputadas estaduais estão sendo convidados, independente de partido ou posição ideológica). Em seguida, são lidas e votadas todas as propostas trazidas das Assembleias Regionais. Ao final, é realizada a confraternização entre todos os presentes. Participe e defenda as suas propostas na Assembleia Estadual.

Projeto de Lei 042/2023 segue na Comissão de Previdência da Câmara

É fundamental que a categoria continue dialogando com deputados/as federais e cobrando posicionamento favorável ao Projeto

O direito dos/as eletricitários/ as que atuam em área de risco à aposentadoria especial foi retirado na Reforma da Previdência de 2019. O jornal Linha Viva teve conhecimento que tem circulado nas redes sociais e em grupos de telemensagens, notícia que, lamentavelmente, não corresponde à verdade, falando da aprovação da aposentadoria para eletricitários/as aos 55 anos. Essa notícia é uma “fake news” e não reflete a situação da categoria eletricitária.  

Tramita, na Câmara dos Deputados, o PL 042/2023, já aprovado na Comissão de Trabalho – CTRAB, com um texto que, agora atende os trabalhadores sujeitos ao agente nocivo eletricidade, corrigindo, em parte, o desmonte ocorrido em 2019 com a Emenda Constitucional 103, que deixou esses trabalhadores fora da Aposentadoria Especial.

O texto está hoje na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara, sob relatoria do deputado Pastor Eurico (PL/PE), onde será analisado e precisará passar por outras comissões (Finanças e Constituição e Justiça), pelo Plenário e, ao final, se aprovado, ser sancionado pela Presidência da República.

Ontem, 3 de julho, foi realizada uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados e a categoria eletricitária foi representada pelo companheiro Esteliano Neto, representante do ramo Urbanitário na CUT Nacional e pelo companheiro Elvio Vargas, Secretário Geral da Confederação Nacional dos Urbanitários.

Paralelamente à tramitação na Câmara, o Grupo de Trabalho da Aposentadoria Especial – da qual representantes do Coletivo Nacional dos Eletricitários fazem parte – realizará reuniões com o Presidente e integrantes da Comissão de Previdência, visando construir os apoios necessários para a aprovação do projeto.

Cabe a cada trabalhador e trabalhadora da categoria eletricitária atuar junto a parlamentares de sua região, para que aprovem o PL com a redação proposta, visando corrigir uma injustiça histórica aos trabalhadores do Setor Elétrico que estão expostos ao risco de choque elétrico.

Hoje não há parlamentares de Santa Catarina como titulares na Comissão de Previdência. As deputadas federais de Santa Catarina Ana Paula Lima (PT) e Julia Zanatta (PL) são suplentes na Comissão de Previdência. Contudo, é necessário que a categoria siga dialogando com parlamentares próximos para que façam pressão sobre os membros das Comissões por onde o PL está tramitando e, para que, quando o projeto for levado para outras Comissões, os deputados catarinenses estejam atentos e votem a favor da proposta.

FUNDACENTRO EMITE NOTA TÉCNICA FAVORÁVEL À APOSENTADORIA ESPECIAL

A Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho – FUNDACENTRO – ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, emitiu uma Nota Técnica bastante positiva, em abril de 2024, analisando a concessão de aposentadoria especial aos segurados do Regime Geral da Previdência Social para os trabalhadores do SEP – Sistema Elétrico de Potência.

A conclusão do órgão foi a seguinte:

“5.1. Inquestionável a necessidade de se regulamentar os critérios que se referem ao benefício da aposentadoria especial, precipuamente de forma que atenda princípios técnicos, éticos, morais, e que seja exequível sob a ótica de não se onerar demasiadamente o estado.

5.2. Entretanto, também é inquestionável a necessidade de se preservar a integridade física e saúde dos trabalhadores que realizam atividades em condições especiais durante sua vida laboral, buscando o benefício da aposentadoria em condições dignas, em condições física e mental de forma que seja possivel efetivamente usufruir do referido e justo benefício;

5.3. Ressalta-se que a concessão da aposentadoria especial a esses profissionais não irá gerar custos extras ao Estado, uma vez que as empresas empregadoras dessa mão-de-obra já contribuem de forma diferenciada para a previdência social, através do Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT), com alíquotas extras que variam de 6% a 12%.

5.4. Nesses termos, considerando os fundamentos constantes nesta Nota Técnica, sugere-se a revisão dos critérios propostos no PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR PLP nº 245/2019 que regulamenta a aplicação do inciso II do & 1 do artigo 201 da Constituição Federal, que dispõem sobre a concessão de aposentadoria especial aos segurados do Regime Geral da Previdência Social para os trabalhadores do SEP – Sistema Elétrico de Potência.

5.5. Ressalta-se que nesta Nota Técnica não se busca defi nir “como devem ser os requisitos “da referida PLP 245/2019, mas sim a necessidade de se reavaliar os critérios nela definidos, definindo-se critérios específicos para a categoria de trabalhadores que realizam atividades em condições especiais no SEP – Sistema Eletrico de Potência, ‘sob pena de se causar agravo a saúde desses trabalhadores de forma irreparável’”.

De acordo com a dirigente do Sinergia e da Intersul, Cecy Marimon, o parecer técnico favorável ao tema pela FUNDACENTRO, “já é um dos resultados de nossa articulação na defesa da aposentadoria especial do eletricitário”. 

Está sobrando dinheiro na Celesc?

Na quarta-feira da semana passada, dia 26, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina inseriu na pauta de votação do plenário, sem que constasse previamente na pauta do dia, um ofício de alteração do Estatuto da Celesc, que virou projeto de decreto legislativo. O objetivo da mudança do Estatuto era permitir à Assembleia de Acionistas a criação de uma nova Diretoria na empresa: a Diretoria Jurídica.

A tramitação do projeto na Assembleia Legislativa não era uma novidade para celesquianos e celesquianas. O Representante dos Empregados no Conselho de Administração da empresa, Paulo Horn, já havia noticiado o fato em seu Boletim do Conselheiro e dialogado com a categoria sobre o assunto nas suas percorridas de prestação de contas, no início de 2024. A novidade, que pegou até mesmo parlamentares de surpresa, foi a inclusão da votação do projeto na ordem do dia 26 de junho, já que o projeto não estava pautado para ser votado naquele dia. Muitos deputados que, historicamente, são parceiros das lutas de celesquianas e celesquianos, não estavam presentes no plenário no momento da votação e havia uma maioria governista – aliados de Jorginho Mello.

Votaram contrários ao projeto que permite ao Conselho criar uma nova Diretoria na empresa apenas os deputados Neodi Saretta (PT), Repórter Sérgio Guimarães (UNIÃO), Fabiano da Luz (PT) e Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL). Fabiano da Luz e Marquito, inclusive, fizeram falas questionando o projeto: “é muito estranha essa mudança no Estatuto da Celesc no momento em que a Celesc está carente de contratar funcionários, de repor servidores, não há uma discussão com a categoria sobre melhorar os aspectos e condições de trabalho. No entanto, se cria um cargo de direção com um super salário. Acredito que a Celesc precisa sentar e discutir melhor essa questão do serviço público, do atendimento ao cidadão, por isso quero me manifestar contrário a essa proposta”. O deputado Marquito fez sua fala no mesmo sentido: “Hoje a Celesc recebe uma enorme crítica até injusta da população por conta da mudança do sistema nas centrais de atendimento. Os trabalhadores organizados têm reivindicado a abertura de novos cargos, estruturação das condições de trabalho, tanto a frota de automóveis para o trabalho a ser realizado lá na ponta. E uma instituição que sempre foi uma referência, que é uma das energias elétricas mais baratas do Brasil por ser um serviço público e que vem depreciando esse serviço. Acho que esse debate da Celesc deveria ser muito bem ampliado: a abertura de concurso e de chamamento para recompor o quadro de funcionamento da Celesc (…), a questão das condições materiais para o trabalho deveria também ser reconsiderado e acho que a gente aprovar um debate para abertura da discussão interna, do Estatuto interno, e criando um cargo com um salário que difere completamente daquilo que está se pedindo lá na base, acho que é ruim para esse momento, então também quero declarar meu voto contrário à matéria”.

As manifestações dos deputados Fabiano da Luz e Marquito são muito corretas. A Celesc sofre um grave dano à sua imagem nesse momento justamente por conta da mudança do sistema comercial sem preparo, sem que tivesse empregados suficientes na ponta para atender bem à população. Diversas lojas de atendimento estado afora estão fechadas hoje por conta da falta de atendentes e em boa parte delas os empregados estão adoecendo pelo excesso de trabalho e pela pressão. Faltam eletricistas e outros profissionais em número suficiente em diversas áreas. As camionetes para atendimento estão em estado crítico em boa parte do estado: “arruma aqui e imediatamente estraga ali”, relatam empregados de diversas regiões do estado. A empresa se negou a conceder uma série de direitos no último Acordo Coletivo de Trabalho (como a isonomia na sua integralidade a todos os empregados) justificando o impacto financeiro. A atual Diretoria se nega a reajustar os valores das diárias de viagens de forma a atender as demandas da categoria. Mas há dinheiro suficiente para bancar o super salário de um(a) novo(a) diretor(a), gratificações para assistentes, assessores, chefias de Departamento e Divisão, fora inúmeros outros gastos que a criação de uma nova Diretoria acarreta?

A categoria espera que a Assembleia de Acionistas não permita tamanha indecência e incoerência. As prioridades na empresa precisam ter como objetivo atender bem à população e dar condições dignas de trabalho aos seus empregados. Criar uma nova Diretoria nesse momento apenas para abrigar os “amigos do Rei” em nada contribui para a população ser melhor atendida. Do mesmo modo, não atende em nada aos anseios da categoria. 

Governador Jorginho Mello se compromete a dialogar com a Intercel

GOVERNADOR RECEBEU EM LAGES CORRESPONDÊNCIA DOS TRABALHADORES DA CELESC PEDINDO ABERTURA DE DIÁLOGO

Na última sexta-feira, 21 de junho, o governador Jorginho Mello (PL), esteve na cidade de Lages para a inauguração de uma usina fotovoltaica da Celesc – UFV LAGES II. Aproveitando a visita do governador, que se comprometeu diversas vezes – desde o período de campanha eleitoral – a manter a Celesc Pública, alguns trabalhadores e dirigentes sindicais do STIEEL (sindicato que representa a categoria eletricitária na região) levaram faixas e cartazes para a entrada do local do evento pedindo a abertura de diálogo do governo do Estado com celesquianas e celesquianos. O objetivo era chamar a atenção de Jorginho para fazerem a entrega de uma correspondência assinada pelos sindicatos da Intercel, solicitando uma reunião para tratar da Celesc.

É importante registrar que todos os últimos governadores de Santa Catarina (Carlos Moisés, Raimundo Colombo, Luis Henrique da Silveira) receberam a representação de trabalhadores e trabalhadoras da Celesc e tiveram diálogos bastante propositivos em defesa da manutenção da empresa pública. Jorginho, que está no cargo há um ano e meio, ainda não recebeu os sindicatos para um diálogo e para ouvir as preocupações da categoria.

As faixas colocadas em Lages tinham como propósito chamar a atenção do governador para a necessidade urgente de recomposição do quadro de trabalhadores e o fim das terceirizações, problemas já conhecidos de todos os celesquianos, e que vêm a cada dia mais sendo colocados como principais premissas da atual Direção da empresa.

A maior faixa no ato sugeria ao governador que “com o diálogo, todos têm a ganhar”, indicando que a conversa solicitada não pretende atacar o governo, mas, sim, apresentar proposições para tornar a Celesc ainda melhor.

Logo na chegada, o governador parou, cumprimentou os trabalhadores e disse que os atenderia no final do ato da inauguração da usina fotovoltaica. Em seguida, os trabalhadores foram até o evento, onde estavam presentes vários Diretores da Celesc – inclusive o Presidente Tarcísio Rosa -, além de autoridades e lideranças locais, como o prefeito de Lages e deputados estaduais.

Em seu discurso, o governador reafirmou o compromisso em manter a Celesc Pública. Findado o ato de inauguração da usina solar, Jorginho recebeu os dirigentes sindicais, que fizeram a entrega da carta. O governador se mostrou disposto ao diálogo, afirmando que quer, sim, estabelecer o diálogo com a categoria eletricitária.

Celesquianos e celesquianas aguardam com expectativa a abertura das conversas com o governo do estado.

Após mediação no TST, Acordo Coletivo de Trabalho da Eletrobras é prorrogado até 31 de agosto

Avanços conquistados até aqui são fruto da disposição de luta da categoria em todo o Brasil

Na última sexta-feira, dia 21, ocorreu a segunda audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) entre o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) e a Eletrobras, referente ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2024/2026.

O CNE iniciou a audiência cobrando da empresa manter coerência, no mínimo, em relação aos pontos discutidos e avançados na última rodada de negociação, conforme consolidados em ata. Ademais, o CNE relatou a expectativa gerada com a ata, no que diz respeito à interpretação de algumas cláusulas, entre elas, a cláusula de gratificação de férias.

Durante a Mediação, o Ministro Maurício Godinho Delgado discorreu sobre itens muito importantes da contraproposta realizada pelas entidades sindicais, e os advogados e dirigentes sindicais presentes tiveram a possibilidade de defender cada um destes pontos que refletem as reivindicações da categoria. Foi enfatizada a preocupação com as sinalizações da empresa quanto à possibilidade de demissão em massa

A Eletrobras já opera com poucos trabalhadores, e a preocupação com estes e com o Sistema foram relatados. Outro ponto abordado foi a sinalização de tratamento diferenciado entre a categoria no que diz respeito ao abono para quem recebe salário superior a R$6mil, penalizando quem segue na luta na construção de um ACT mais justo. 

O CNE também enfatizou a necessidade de reajuste nos benefícios dos trabalhadores, considerando que o acordo se estende por dois anos.

A Eletrobras havia afirmado não ter possibilidade de realizar qualquer avanço. No entanto, a intervenção do TST e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que atuaram como mediadores, foi muito importante. Eles ressaltaram a boa fé da categoria ao suspender a greve, conforme acordado, e destacaram que os congelamentos impostos no atual ACT representam uma economia significativa para a empresa.

No decorrer da mediação, a Eletrobras expôs ser possível avançar em alguns itens, mas não foi possível fechar a proposta durante a audiência. Ficou decidido, então, que o acordo atual será prorrogado até 31 de agosto, permitindo que as partes continuem buscando um entendimento que resulte em melhorias para o Acordo Coletivo.

O ministro do TST se dispôs a mediar as negociações a qualquer momento, mesmo durante o recesso do Tribunal, visando alcançar uma proposta mais adequada para a categoria.

Para o CNE, embora a proposta atual não contemple a totalidade das reivindicações dos eletricitários, ela representa um avanço no processo de negociação. Estes avanços só foram possíveis graças a mobilização e a determinação da categoria em lutar por seus direitos.

O CNE informa que, na próxima semana, as entidades sindicais realizarão assembleias informativas. É importante que a categoria fique atenta às convocações de suas respectivas entidades sindicais para participar dessas assembleias e se manter informada sobre os próximos passos da negociação.

Essa negociação não é apenas uma luta por melhores condições de trabalho, mas uma demonstração da força e da união dos eletricitários do sistema Eletrobras. A categoria segue firme na busca por um Acordo Coletivo de Trabalho justo e digno, que valorize quem ilumina o Brasil.

Cuidado com lobos em pele de cordeiros

Muitos empregados, novos e antigos, seguem iludidos. A história mostra que a ilusão pode custar caro

A situação da Celesc não deixa dúvidas das reais intenções dos Lobos travestidos de Cordeiros: a precarização através do aumento da terceirização, a falta de renovação da frota, os problemas no atendimento, o descaso com a manutenção dos direitos conquistados e o descaso com a gestão pública da Celesc trazem a certeza da união de trabalhadores e trabalhadoras na luta e resistência por seus direitos e pela manutenção da empresa pública.

Mais do que nunca, a categoria precisa ficar atenta a Lobos travestidos de Cordeiros. Eles estão entre nós, agindo como se estivessem do lado da classe trabalhadora e da sociedade quando, na verdade, estão jogando sujo, trabalhando para confundir e dividir os trabalhadores para conquistar seus objetivos. Aqueles que são iludidos com esse encanto trazem grande indignação, fazendo o papel vexatório porque ‘se tornou gerente’, tentando influenciar seus subordinados contra as entidades sindicais, não entendendo que fragilizar a luta é deixar o caminho aberto para a retirada de direito e a consequente privatização. É só olhar para o setor e ver as reclamações onde foram feitas as privatizações: não tem salvação pra ninguém, ninguém se garante.

A Celesc existe há 69 anos. Esteve e estará sob o comando de diversos governadores e presidentes indicados. Porém, só continua tendo respeito de seus consumidores e sendo lucrativa por causa do trabalho incessante e da qualidade de seus empregados. A estratégia bem definida do atual governador, Jorginho Melllo (PL), em conluio com o Presidente Tarcísio Rosa e diretoria indicada, vai deixando correr solto o sucateamento da companhia. Com certeza o objetivo é chegar ao ponto de ser “obrigado” a privatizar. É só ler a entrevista no Valor Econômico do início do mês dada pelo presidente. 

O Lobo em pele de Cordeiro se apresenta como um empreendedor moderno, fala de prêmios e lucros que a Celesc vem ganhando. E, seguindo o comando do Governador, discursa mundo afora que a ideologia de mercado dá melhores resultados. 

Em princípio, pode parecer exagero, mas os fatos são incontestáveis.

1– Aumento da distribuição de dividendos aos acionistas em detrimento de maiores investimentos no sistema, aumentando o endividamento futuro da Celesc;

2– Quadro de trabalhadores sendo reduzido dramaticamente, através de constantes Programas de Incentivos a Demissões sem reposição, descumprindo o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC assinado com o Ministério Público do Trabalho;

3– Modelo de gestão que os trabalhadores defendem desde 1997 avança no passo de uma TARTARUGA.

A Celesc como empresa pública deve lembrar que a “energia é um bem de todos e alavanca do desenvolvimento social”. Portanto, o mercado não determina como serão aplicados investimentos e sim o interesse de todo o povo.

A situação da Celesc conclama cada empregado/a a levantar-se e defender mais uma vez a empresa pública e seus direitos de administrações atrapalhadas e denunciar quem venha a se utilizar para atender interesses escusos e sorrateiros. Teremos que conviver com aqueles que preferem esconder-se atrás de lamúrias e chiadeiras, achando que o mundo está contra eles, mas se deliciam na engorda com os ganhos das lutas dos outros. A jornada é difícil, mas temos em nosso DNA a luta e a resistência e, com isso, nos libertamos, não nos submetendo à mesmice de sempre, nos escravizando.

“Afinal de contas, não tem cabimento, entregar o jogo no primeiro tempo. Nada de morrer na praia, nada de correr da raia”. SERÁ QUE O CORDEIRO DOADO PELO DIRETOR DE GERAÇÃO ERA UM LOBO E FUGIU?

Presidente Tarcísio finalmente aparece! Mas para atacar sindicatos

PRESIDENTE DEMONSTRA TER SÉRIAS DIFICULDADES EM RECEBER CRÍTICAS

Uma das críticas feitas por grande parte da categoria e registrada na última edição do jornal Linha Viva foi sobre a ausência do Presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, e demais diretores, para dar explicações à sociedade sobre os problemas recentes na empresa que afetam trabalhadores e parcela considerável da população catarinense. Num passado não muito distante, a empresa teve presidentes – como Cleverson Siewert – que davam a cara a tapa e iam até os meios de comunicação explicar os problemas e dar uma satisfação aos consumidores.

Pois eis que, após a crítica à omissão de Tarcísio, ele apareceu. Ao contrário do que se esperava, ele não apareceu para dialogar com a sociedade e explicar ao povo o que está acontecendo na Celesc. Tarcísio apareceu num vídeo da rede interna da empresa para [finalmente] dialogar com os trabalhadores e aproveitar para criticar a Intercel. É importante destacar que, pessoalmente, ele ainda não teve coragem de visitar as lojas da Celesc onde estão os consumidores mais indignados e revoltados com sua gestão.

A fala na rede interna ou é de um presidente mal informado ou mal intencionado: afinal, Tarcísio afirma que achou “injusto a Intercel jogar a população contra esses empregados”. Ora, em que momento a Intercel jogou a população contra celesquianos e celesquianas?

Não custa, mais uma vez, recapitular: a Intercel, em contato com atendentes comerciais do estado todo, inseguros com a mudança de sistema, fez apelos pelo adiamento da mudança de sistema ainda no mês de março. Quem pegar edições do jornal Linha Viva dos meses de março e abril de 2024, constatará que a Intercel já estava preocupada com os efeitos da mudança de sistema sobre a saúde dos empregados e com possíveis danos à imagem da empresa. Tarcísio e sua diretoria ignoraram os alertas dos sindicatos. Não deram bola para a insegurança de atendentes, não se esforçaram por treinar melhor os funcionários e deram de ombros com a evidente falta de pessoal que fez com que o estrago fosse ainda maior (se tivesse número de empregados suficiente no atendimento, como a Intercel vinha cobrando desde o início de 2023, o dano à imagem da Celesc seria consideravelmente menor). Tarcísio ignora esse fato propositalmente.

Antes da mudança de sistemas, a Intercel também se reuniu com o Diretor Comercial, Vitor Guimarães, e fez os alertas – sem sucesso.

Após a mudança, novas reuniões internas (com representantes da Direção da Celesc) para tentar amenizar o sofrimento dos atendentes. Em nenhuma delas, o presidente esteve presente. Por que será?

A Intercel nunca questionou a competência dos trabalhadores que estão tocando, com muita responsabilidade, a mudança de sistemas. Mas decisões da alta cúpula tornaram a vida desses trabalhadores – como aqueles que estão na ponta – muito mais difícil. A comunicação feita com a população foi mais uma das falhas graves.

Atendentes comerciais de diferentes regiões do estado foram chamados para participar de reunião com a representação da Direção da empresa. São TESTEMUNHAS do empenho da Intercel em solucionar o problema dentro dos portões da companhia. Ocorre que, quando, por mais de um mês, atendentes passam a ser agredidos verbalmente, de maneira injusta, adoecem, chegam ao ponto de serem ameaçados de agressão física, é necessário que os sindicatos indiquem para a população que a sua raiva não deve ser descontada nos trabalhadores (vítimas do processo), mas, sim, em quem tem a caneta na mão e poderia ter evitado o caos: presidente e diretoria da Celesc.

E foi isso o que a Intercel fez na última semana: levando em conta a pressão psicológica sobre atendentes e outros profissionais da Celesc, sem luz no fim do túnel, foi necessário explicar para a população que a culpa pelos problemas enfrentados não é de trabalhadores e trabalhadoras da Celesc, mas, sim, de quem deveria ter trabalhado a fundo para evitar danos maiores. Tarcísio deveria, como homem público, ter vindo aos meios de comunicação admitir as falhas de sua gestão e se desculpar com a população e a categoria. Não foi grande para isso. Se apequenou ainda mais.

Os cartazes que a Intercel colou na porta das lojas de atendimento da Celesc em todo o estado (indicando que a população não descontasse sua raiva nos atendentes) foram sendo retirados no momento seguinte em que foram instalados, por ordem de chefias que só cumpriam o que a direção da empresa mandava. A pequenez de Tarcísio ficou ainda MAIS EVIDENTE na loja da Celesc em Florianópolis: a sala comercial ao lado é da Casan. Ali, diversos panfletos criticando presidente e diretores da companhia de águas e saneamento estão colados na vitrine da Casan há dias, à vista do público. Na vizinha Celesc, a ordem foi retirar o cartaz com críticas a Tarcísio poucos minutos após sua instalação.

A pequenez do presidente havia sido demonstrada dias atrás, no instagram: como um papagaio repetidor das mesmas frases, ele foi à página na rede social de um dirigente sindical com sua conta pessoal falar que “para ter sua rua asfaltada é necessário preparar-se para transtornos temporários” (mesmo discurso que ele fez no vídeo da rede interna da Celesc). Ele ignora que prefeituras têm obrigação de se organizar e se comunicar bem com a população antes de fazer uma obra de pavimentação asfáltica. Que é necessário gente suficiente para colocar o asfalto novo de maneira célere, diminuindo transtornos. E, o principal: que se o asfalto demorar a ficar pronto ou a empreiteira terceirizada não apresentar qualidade no serviço, o prefeito tem de vir até a população e explicar a demora.