Seja representante sindical do Sinergia!

Candidate-se agora mesmo! De 15 a 29 de fevereiro, por e-mail (sinergia@sinergia.org.br) ou através de uma pessoa diretora no seu local de trabalho.

📣 Para o Sinergia, a(o) representante sindical é muito importante, pois estimula o sindicalismo baseado na participação de toda a categoria.

🎤 O objetivo é que as pessoas trabalhadoras sejam participantes ativas, não apenas espectadoras da história em que se desenrola sua vida.

✊️Os benefícios e conquistas alcançados pelas eletricitárias e eletricitários são fruto da atuação das trabalhadoras e trabalhadores organizadas através do sindicato.

😃 As eleições serão no dia 25 de março, a posse será em maio e o mandato tem duração de dois anos.

Regras para viagens geram insatisfação na categoria

Grupo de trabalhadores buscou sindicatos para demonstrar indignação

As regras para receber diárias de viagens na Celesc tiveram mudanças em meados de 2023. À época, ainda no primeiro semestre do ano, Intercel e representantes da Direção da Celesc discutiram bastante o tema em reuniões da Comissão de Recursos Humanos (CRH). Os sindicatos argumentavam que os valores e as mudan­ças na política de hospedagens poderiam trazer insatis­fação da categoria. A Celesc, por sua vez, alegou que a nova política era mais justa e que os trabalhadores teriam mais conforto nas viagens.

O Sinergia se reuniu com trabalhadores da Adminis­tração Central no fim de janeiro. Eles apresentaram um abaixo assinado com mais de duzentas assinaturas de celesquianas e celesquianos indignados com o baixo valor da diária e os problemas para fazer reservas de hotéis. Um dos trabalhadores presentes na reunião com o Sinergia argumentava que “ficamos longe da nossa fa­mília por dias, deixamos de ver nossos filhos crescerem, sobrecarregamos nossa companheira, o casamento muitas vezes fica prejudicado por conta da distância e, por diversas vezes, ainda tive que pagar do bolso para conseguir dar conta da alimentação. Essa matemática não fecha”. Outro trabalhador afirmou que a Diretoria da empresa alegava, no início da implantação do novo re­gramento de viagens, que os hotéis seriam iguais tanto para a diretoria da empresa quanto para trabalhadores da Celesc, mas que isso não é a realidade. E citou, como exemplo, hotel em Itajaí, que, segundo ele, oferece uma categoria de apartamento para a diretoria e outra cate­goria para trabalhadores da empresa.

Outra demanda referendada por praticamente todos os trabalhadores presentes na reunião foi a ausência de restaurante em determinados hotéis e também nos arredores desses hotéis: “tivemos caso de não ter res­taurante no hotel conveniado e nem por perto. Nós esta­mos proibidos de sair com o carro da Celesc para jantar. Também não podemos usar Uber, já que a Celesc não está pagando o reembolso. Vamos fazer o quê? Jantar barrinha de cereal?”

As reclamações não param por aí: trabalhadores rela­taram que, em determinados hotéis, os valores de diária eram mais baratos para trabalhadores terceirizados do que para celesquianos: “o hotel Eliana, em Guaramirim, por exemplo, cobrou R$160 a diária de um terceirizado e R$190 da Celesc. Por que a Celesc está pagando mais caro do que um terceirizado?”, questionou. O hotel Elia­na também foi motivo de reclamação de outro trabalha­dor, que alegou ter de ir dormir em Joinville por receber a negativa de hospedagem neste hotel sem explicação: “depois de um dia cansativo de trabalho, é muito pesado você ter de se deslocar a outra cidade para conseguir uma hospedagem”.

A queixa mais comum entre os trabalhadores presen­tes na reunião com o Sinergia, contudo, foi o aumento dos valores, especialmente em cidades litorâneas, durante o verão: “há diversos hotéis conveniados que aumentaram o valor da diária durante o período de ve­raneio, impossibilitando que pudéssemos ficar hospe­dados”.

O assunto estava pautado para ser debatido em reu­nião da Intercel que ocorreu na data de ontem – após o fechamento desta edição. É fundamental que a Celesc reveja a postura e abra espaço para ouvir as demandas de trabalhadoras e trabalhadores de todo o estado.

[AXS] Trabalhadoras e trabalhadores aprovam contraproposta de ACT

Assembleia foi realizada na segunda-feira, 29 de janeiro

Trabalhadoras e trabalhadores da AXS Energia, empresa com sede em Florianópolis, aprovaram em Assembleia organizada pelo Sinergia a contrapro­posta da empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho 2024.

Como principais conquistas das negociações deste ano estão a manutenção de todos os direitos já existentes no Acordo Coletivo passado, além de cláusulas novas, como a de ergonomia, em que a em­presa se compromete a verificar a necessidade de melhoria de móveis e equipamentos, visando o bem estar do trabalhador, o auxílio idiomas, por meio de plataforma virtual com co-participação do trabalha­dor de 50% no valor da mensalidade, limitado a 10% do salário-base, e o auxílio-creche, que tem valor má­ximo de pagamento de R$3.000,00.

O Sinergia já fez o comunicado para a Direção da AXS sobre o resultado da Assembleia de Contrapro­posta do Acordo Coletivo de Trabalho e, nos próxi­mos dias, será feita a assinatura do documento entre as partes.

De acordo com Caroline Borba, dirigente do Siner­gia que conduziu as negociações e a Assembleia, “a participação da categoria foi muito positiva nas duas Assembleias e trouxe boas ideias e sugestões para a melhoria do Acordo Coletivo. Alguns pontos poderiam ter sido melhores, como o reajuste salarial e o valor do vale-alimentação, que ficaram apenas no IPCA, mas serão motivo de novas discussões no próximo ano com a direção da empresa”.

[ELETROBRAS] Assembleias do ACT 2024/2025 na CGT Eletrosul ocorrerão entre dias 14 e 22/02

INTERSUL CONVOCA CATEGORIA A PARTICIPAR E CONTRIBUIR COM A CONSTRUÇÃO DA PAUTA DO ACT

 A Intersul convoca a categoria eletri­citária de Santa Catarina da base CGT Eletrosul a participar das Assembleias de Construção da Pauta do Acordo Co­letivo de Trabalho 2024/2025.

De acordo com Cecy Maria Martins Marimon, representante do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) e di­rigente do Sinergia, “as Assembleias ocorrerão entre os dias 14 e 22 de feve­reiro. As informações completas sobre dias, locais e horários das Assembleias serão divulgados por Boletim especí­fico e, também, nas redes sociais dos Sindicatos que compõem a Intersul”.

Cecy faz um apelo pela participação expressiva da categoria: “nós precisa­remos de mobilização e muita força da categoria para manter os nossos direitos e conseguir avançar nas cláu­sulas econômicas e sociais. Essa será a primeira negociação com a direção da Eletrobras totalmente privatizada e é preciso demonstrar nossa união para conseguirmos conquistar esses avan­ços tão desejados pela categoria”.

De acordo com o Boletim do CNE de 06 de fevereiro, “a participação da categoria na pesquisa divulgada pe­los sindicatos foi fundamental para dar o norte nas prioridades da cam­panha. Como já era imaginado pelo CNE, apesar de todo o assédio moral e clima corporativo/organizacional apontados como ruim/péssimo, não retiraram a disposição de mobilização e de luta da categoria eletricitária.As diversas sugestões e comentários enviados apontam a necessidade de que a Eletrobras privada coloque em prática seu discurso e valorize seu qua­dro de pessoal, fazendo jus ao seu belo discurso de perseguir metas de ESG, que inclui o ESG social. O discurso para fora é de buscar melhores práticas de mercado no quesito pessoal, com pre­ocupação com seu quadro de pessoal, mas o que se constata é que o discur­so é da porta para fora. Internamente, a categoria eletricitária quer respeito e dignidade para poder executar seu tra­balho”.

Medidas administrativas como a adoção de valores de diárias abaixo das práticas de mercado (quando com­paradas com outras empresas do se­tor), carga de trabalho alta pela falta de quadro de pessoal, falta de treinamento adequado, causando temor na operação de suas funções, pressão e assédio mo­ral por parte da gestão da empresa cau­sando insegurança e adoecimento da categoria, a falta de informações claras e objetivas foram alguns dos relatos de Norte a Sul do País.

Podem participar das Assembleias de Construção da Pauta do ACT traba­lhadoras e trabalhadores associados ou não aos sindicatos da Intersul. A fi­liação, contudo, é mais uma forma de fortalecer a luta e ajudar na construção de um bom Acordo Coletivo.

Celesc e Intercel são homenageadas em cerimônia na ALESC

Evento foi realizado na noite de 23 de novembro. Proponente foi o deputado Fabiano da Luz (PT)

A Celesc Pública e os Sindicatos que compõem a Intercel foram homenageados em Sessão Solene na Assembleia Legislativa na noite de 23 de novembro. O proponente da homenagem foi o deputado Fabiano da Luz (PT), que vem sendo um dos parceiros da luta da categoria eletricitária no Parlamento catarinense.

O evento marcou os 68 anos da Celesc, empresa que tem aguerridos empregados que levam energia de qualidade à população catarinense mesmo nas adversidades climáticas que têm atingido o estado com frequência nos últimos anos: “Eu admiro muito a relação que a empresa tem com os sindicatos os funcionários. E também a forma como os trabalhadores brigam por seus direitos, mas defendem a estatal. Estou muito orgulhoso de propor a minha primeira sessão especial como deputado homenageando a Celesc”, afirmou o deputado Fabiano. A Intercel, entidade que congrega cinco sindicatos majoritários e o Sindicato dos Administradores, também foi homenageada pela luta em defesa dos direitos da categoria e pela manutenção da Celesc enquanto empresa pública. O Coordenador da entidade, Marlon Antônio Gasparin, discursou no púlpito enaltecendo a empresa enquanto vetor do desenvolvimento e da economia de Santa Catarina: “Não dá para pensar energia como algo dissociado do desenvolvimento econômico. Não há indústria, comércio e residências sem energia elétrica.

Temos sido referência em nível nacional. Mais do que entregar serviço de qualidade, temos uma das menores tarifas do país”. Marlon se referia ao anúncio, em outubro, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que a Celesc tem hoje a segunda menor tarifa residencial de energia do Brasil. Já o presidente da companhia, Tarcísio Estefano Rosa, destacou o desafio de aumentar a oferta de energia em Santa Catarina e enalteceu o acordo firmado este ano com a Intercel para oferecer uma nova modalidade de Plano de Saúde à categoria (que está com inscrições abertas neste mês de dezembro).

Por fim, falando em nome dos dirigentes sindicais e trabalhadores homenageados na Sessão, Jair Maurino da Fonseca, que trabalhou por 47 anos na Celesc, falou sobre o reconhecimento da atuação da empresa em todo o Brasil: “Temos muito respeito no Brasil e fora dele, sendo premiados há muitos anos com o reconhecimentos da sociedade. Isso é fruto do trabalho do seu quadro de empregados e por ser uma empresa pública”. Membros da Diretoria da Celesc, empregados(as) e Conselheiros de Administração também participaram da cerimônia

5° Congresso do Sinergia é realizado em Florianópolis

Evento aprovou o retorno do Sinergia à CUT, após negociação sobre a moratória com a Central Sindical

O Sinergia realizou nos dias 1 e 2 de dezembro o seu 5° Congresso, em Florianópolis. Participaram do evento eletricitárias e eletricitários da Grande Florianópolis, além de dirigentes de Sindicatos, Centrais Sindicais e Movimentos Sociais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A palestra de abertura, sobre a Conjuntura da Classe Trabalhadora e o Setor Elétrico, teve como debatedores Juliane Furno, que é Doutora em desenvolvimento econômico na UNICAMP e professora da faculdade de Economia da UERJ, e Gilberto Cervinski, que é engenheiro agrônomo pela UFSM; Especialista em Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo pela UFRJ; Especialista em Economia Política pela UFES; e mestre em Energia pela UFABC. Cervinski também é integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e membro da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia. Na palestra, Juliane falou sobre as condições para que o Brasil possa retomar a indústria e fortalecer as empresas estatais, além de lembrar da necessidade da classe trabalhadora, Sindicatos e Movimentos Sociais estabelecerem cada vez mais pautas progressistas, em contraposição ao movimento neoliberal que tenta convencer a sociedade a todo instante da retirada de direitos da classe operária, forçando a acreditar que o estado mínimo é a solução aos problemas encontrados hoje na sociedade: “temos que polarizar cada vez mais para poder puxar a corda para o nosso lado”, afirmou.

Já Cervinski lembrou que o governo federal anterior tinha como lema “Deus, Pátria e Família”, mas entregava empresas fundamentais ao desenvolvimento e soberania nacional para o capital internacional, o que é uma incoerência. Ele também afirmou que há uma tendência efetiva de migração da máquina à combustão para a máquina operada por energia elétrica, que é mais eficiente. E concluiu sua fala, traçando um paralelo sobre as dificuldades que o primeiro governo de Lula encontrou – pós-apagão na gestão FHC, com necessidade de construção de usinas e linhas de transmissão – e as dificuldades da atual gestão, muito maiores, com necessidade de reestatizar empresas e retirá-las das mãos do capital internacional, além de reduzir o alto custo da energia.

Ainda no primeiro dia, foi divulgado o resultado final do Concurso FotoGrafando a Trabalhadora e o Trabalhador. Já no segundo dia de Congresso, a categoria participou de debates com os advogados do Sinergia (escritório Garcez), de grupos de trabalho que definiram mudanças no Estatuto do Sindicato e da aprovação dos estudos sobre o patrimônio da entidade sindical. O retorno do Sinergia para a CUT, após negociação da moratória com a Central Sindical, e diversas moções também foram aprovadas – entre elas, a de repúdio aos ataques de Israel à população palestina. A mesa de encerramento do 5° Congresso foi composta somente por pessoas negras ou LGBTQIAP+, reforçando o compromisso do Sinergia com a diversidade, o respeito e a inclusão. Após a finalização do Congresso, foi realizada a Assembleia que referendou todas as decisões tomadas no evento. A Assembleia contou com a participação de Mauro Passos, ex-deputado federal, ex-vereador, ex-dirigente do Sinergia e presidente do Instituto Ideal, que falou da necessidade de manutenção da tese do Sindicato Cidadão, do Sinergia continuar ativo participando das lutas da cidade

[ELETROBRAS]Caos no brasil: apagões comprovam o fracasso das privatizações da Eletrobras e de todo o setor elétrico no país

O Brasil nunca viveu tantos problemas de apagões e quedas seguidas de energia como nos últimos meses

Após o apagão de 15 de agosto, onde sofreram desligamentos 25 estados e o DF, nas últimas semanas os quatros cantos do Brasil têm vivido um verdadeiro caos! Apagões em cidades inteiras, dificuldade no restabelecimento da energia e desculpas desencontradas dos governantes – cada vez mais perdidos em estados/municípios afetados. Afinal, por que estão acontecendo tantos apagões no país? É verdade que o recrudescimento das altas temperaturas, alavancadas pelo aquecimento global, trouxe efeito devastador no combalido setor elétrico brasileiro privatizado. Mas o outrora robusto setor elétrico deveria estar pronto para resistir a essas reações adversas ou, minimamente, estar pronto para restabelecer com velocidade e eficácia os eventos de blecaute que assolam a população. Por que isso não acontece? Há anos o Coletivo Nacional dos Eletricitários alerta para os riscos decorrentes dos processos de privatizações no setor elétrico e para as consequências que não costumam demorar nestes casos. Foram centenas de boletins, audiências públicas debatendo os efeitos de privatizações em setores de infraestrutura, fundamentais para a vida do cidadão comum.

A despeito das altas temperaturas decorrentes do aquecimento global, há uma recorrente equação de fatores que fragilizam o setor elétrico pós privatização. Primeiramente, a política de desinvestimentos que precede as privatizações na maioria das vezes ignora a necessária avaliação de modernização e até substituição de equipamentos antigos/obsoletos que, em períodos de sobrecarga, podem sucumbir. Além disso, nos períodos de alta temperatura os equipamentos de engrenagem do setor elétrico superaquecem e ficam sobrecarregados pelo alto uso de aparelhos de refrigeração e equilíbrio de temperatura. Como agravante, depois das privatizações, profissionais experientes são desligados em grandes ondas de plano demissão. E quase sempre são processos rápidos, visando diminuição do custo de pessoal e sem tempo e planejamento para transmissão do conhecimento aos novos empregados e retenção do capital intelectual para a empresa. Essa equação nefasta de desinvestimento e demissões que fragiliza o setor elétrico privatizado, que o torna mais exposto a apagões e que dificulta o restabelecimento da energia, foi usada e propagada pela Eletrobras e suas subsidiárias, bem como nas distribuidoras privatizadas nos anos 90 e tantas vezes “reprivatizadas” ao longo dos anos. A cartilha da Eletrobras é a mesma da Enel que apagou São Paulo, Goiás e interior do Rio, da Light que junto com Furnas apagou o Rio de Janeiro, a Equatorial e a Energisa apagaram o nordeste junto com a Chesf, da NeoEnergia que por vezes apagou Brasília desde a privatização da CEB. O episódio do Diretor da Enel depondo na CPI do Apagão na Assembleia Legislativa de São Paulo e a sessão interrompida por um novo apagão foi uma piada pronta.

O anúncio prévio da ENEL de que São Paulo teria novos apagões no último fim de semana foi uma sinalização de descontrole e falta de rumo. Nesse cenário, manifestações em São Paulo (Brazilândia) e Rio de Janeiro (Rocinha) e tantas outras com incêndios e barricadas são peculiares de uma população fragilizada e revoltada sempre que é tolhida de insumos necessários, essenciais para a vida, como água e energia. Quando o povo sai às ruas, a classe política se retrai, se mobiliza e tenta conter danos. No caos, o custo político é altíssimo. Cabe registrar que a “mudança de discurso” de autênticos liberais contra as empresas privatizadas como Tarcísio (governador de SP) e Ricardo Nunes (prefeito de SP) é meramente oportunista. Agora eles condenam a gestão privatizada por medo de perderem capital político no caos que toma conta do setor elétrico, mas sempre foram a favor do estado mínimo. Tarcísio modelou a privatização da Eletrobras e agora corre para privatizar a SABESP. Tarcísio e Ricardo podem ser qualquer coisa, menos burros! Sabem que a história comprova que apagões em série trazem custo político devastador e são verdadeiros cemitérios de reputação. No início deste século, a política desenfreada de liberalização do setor elétrico na Califórnia culminou com o escândalo da ENRON, derrubou o governador do estado e deu vida ao então novo governador, o ator Arnold Schwarzenegger, primeiro grande outsider na vida pública deste século – e tudo por descrença total na classe política tradicional. No Brasil, a política de desinvestimento em geração/transmissão de energia e a desenfreada privatização das distribuidoras nos anos anteriores de governo Fernando Henrique Cardoso, culminou no fatídico apagão de 2001. Chamado “carinhosamente” de racionamento de energia, começou em 17 de maio daquele ano e durou nove meses. Desde então, cerca de um terço da iluminação pública das ruas foi apagada. Como medida, o governo também determinou o racionamento por parte de consumidores residenciais e industriais no DF e mais 16 estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A conta de luz sofreu uma série de alterações, com previsão de multa e até corte de energia para quem não cumprisse as determinações de reduzir em 20% o consumo de energia elétrica. Essa crise ocorreu no último ano do segundo mandato de FHC e foi um dos fatores preponderantes para o desgaste da política de desestatizações e a quebra de ciclo de governos do PSDB (partido de FHC).

Agora, no apagão de 15 de agosto, quando o Brasil ficou às escuras, ninguém foi procurar o presidente da Eletrobras privatizada, apontada desde o início como responsável pelo evento zero. Procuraram o Ministro de Minas e Energia, o Diretor Geral da ANEEL e o Diretor Geral do ONS. É sempre assim: o serviço é privado, mas a concessão é pública. O custo político das privatizações no setor de energia elétrica é avassalador quando a conta chega. E é sempre o governo que paga! No governo Bolsonaro, quando o estado do Amapá apagou por 22 dias por conta de desinvestimento, péssimo equipamento e quarteirização de mão de obra, por má gestão de uma empresa espanhola de uma linha de transmissão, quem socorreu o estado foi a Eletrobras Eletronorte, que ainda era pública. E agora, quando a Eletrobras privada falhar, quem a socorre? Pelo mundo, segundo estudo do Transnational Institute, mais de mil empresas foram reestatizadas neste século, com destaque para países centrais do capitalismo, como EUA, França e Alemanha. Os principais setores reestatizados foram os serviços públicos essenciais: desde fornecimento de água e energia, até coleta de lixo. A onda das reestatizações ocorre 30 anos depois da epidemia neoliberal que tomou conta da Europa e EUA no fim dos anos de 1970 e no início de 1980.

O diagnóstico para a retomada de serviços essenciais ao Estado é quase sempre o mesmo: não há investimento para expansão e manutenção da malha e, com isso, há piora nos serviços. As tarifas crescem e as agências reguladoras perdem poder por conta de decisões judiciais e a maior parte dos lucros e dividendos são desnacionalizados, uma vez que a maior parte das vencedoras de leilões pelo mundo são empresas multinacionais, sediadas em outros países. Na contramão do mundo, o Brasil privatizou a Eletrobras no governo Bolsonaro, e o atual Ministro de Minas e Energia sugere simplesmente estender por 30 anos as falidas concessões privatizadas de distribuição de energia. Por tudo isso, é imperativa a discussão do futuro dessas concessões, do controle dessas empresas. No caso da Eletrobras, gigante do setor de geração, transmissão, transformação e comercialização de energia, é fundamental que se dê celeridade às ações para a retomada do poder de voto e intervenção da União na Assembleia de Acionistas. A discussão está no Supremo Tribunal Federal através da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7385/2023.

No caso das distribuidoras privatizadas nos anos 1990 que prestam péssimos serviços em todo o Brasil, a solução proposta de renovação automática das concessões é absurda! É naturalizar apagões e legitimar o descaso com a população que paga caro por um serviço de baixa qualidade. É preciso avaliar caso a caso e ampliar o debate! Ou levamos esse assunto a sério enquanto há tempo ou vamos amargar as consequências de um descontrole generalizado no setor elétrico brasileiro privatizado. Por fim, o Coletivo Nacional dos Eletricitários alerta: se nada for feito pelo Governo Lula naquilo que lhe cabe, se todos os pedidos para intervenção do Estado Brasileiro enquanto Poder Concedente no setor elétrico brasileiro forem ignorados, continuaremos tendo apagões cíclicos, em espiral, e os donos das empresas no máximo vão sair do Brasil e gastar suas fortunas acumuladas em alguma ilha paradisíaca. Mas o governo será responsabilizado e como sempre pudemos ver, o custo político é alto. Que haja luz para iluminar as melhores decisões. Nós, do CNE, como sempre, avisamos.

Sigamos na luta!

[CGT ELETROSUL] Dissídio de natureza jurídica referente ao PDV 2023 tem acordo homologado pelo TST

Processo de mediação junto ao Tribunal Superior do Trabalho chega ao fim

Após uma suspensão temporária dos desligamentos relativos ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) 2023 em toda a Eletrobras, foi concluído o processo de mediação e homologado o acordo pelo Ministro Vice-Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O acordo homologado que pôs fim ao Dissídio revogou a suspensão que vigorava dos desligamentos e estabeleceu um novo cronograma que, na prática, protelou o restante dos desligamentos. O Acordo também determinou a reabertura do PDV, nas mesmas condições, porém, limitado a 101 novas inscrições – de forma a preservar o entendimento da cláusula relativa ao PDV no ACT Nacional vigente, com os limites de trabalhadores a serem desligados, a fim evitar a deterioração completa do quadro de pessoal.

“A Intersul orienta aos trabalhadores que a solicitação seja encaminhada diretamente à empresa com cópia para o Sindicato que o representa, a fim de que os Sindicatos possam acompanhar e melhor fiscalizar o cumprimento do que foi acordado na mediação pelo TST”

O cronograma definido na mediação pelo TST prevê que os desligamentos dos trabalhadores que atuam na operação e manutenção serão efetivados somente depois de janeiro de 2024, assim como os trabalhadores que atuam no Centro de Serviços compartilhados. Os demais trabalhadores inscritos que não atuam nas áreas mencionadas serão desligados em três etapas, sendo a primeira ainda em outubro de 2023, com limite de 150 desligamentos, a segunda etapa em novembro de 2023, com mais 150 desligamentos, e a terceira etapa em dezembro de 2023, com mais 200 desligamentos. Cabe destacar que o aceite do pedido de desligamento, bem como a data efetiva continua sendo prerrogativa da empresa, em função da necessidade de avaliar a segurança operacional e a continuidade dos negócios. Cada trabalhador inscrito, portanto, será notificado da previsão de sua saída pela empresa. Todavia, caso qualquer trabalhador inscrito deseje antecipar a sua saída, poderá solicitar à empresa, que vai avaliar cada caso em particular. A Intersul orienta aos trabalhadores que a solicitação seja encaminhada diretamente à empresa com cópia para o Sindicato que o representa, a fim de que os Sindicatos possam acompanhar e melhor fiscalizar o cumprimento do que foi acordado na mediação pelo TST.

Quanto às inscrições para as 101 vagas restantes do PDV 2023, estas serão abertas somente depois da chamada “virada de chave”, quando todos os trabalhadores conhecerem sua lotação atualizada. A forte atuação das representações sindicais no dissídio também trouxeram algumas garantias importantes para os trabalhadores. O acordo homologado estabelece a obrigação da empresa dar a devida transparência do processo de desligamentos aos empregados e aos sindicatos signatários do acordo. Outra conquista importante foi a garantia de que qualquer trabalhador que tenha aderido ao PDV no prazo original ou na reabertura e que seu desligamento tenha sido recusado pela empresa, terá direito à indenização prevista no PDV, caso venha a ser demitido sem justa causa posteriormente. A indenização será devida pela Eletrobras ou por quem vier a sucedê-la, mesmo depois de 30 de abril de 2024

Primeira rodada de negociação do ACT sem avanços

Debate sobre reajuste salarial não veio na primeira reunião

A primeira rodada das negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho 2023/2024 na Engie Brasil foi realizada no dia 21 de setembro, sem avanços para a Pauta dos empregados. Na oportunidade, a empresa apresentou a sua Pauta de Reivindicações, com proposta de alteração em três cláusulas do ACT – Vigência, Rescisão de Contrato de Trabalho e Turno de Revezamento. – Vigência de um ou dois anos?

O prazo mais comum para vigência de Acordo Coletivo é um ano. Nesta situação, todo ano são renegociadas todas as cláusulas do ACT com a possibilidade de melhoria nas cláusulas atuais e contratação de novas cláusulas. Já nos Acordos Coletivos de Trabalho com vigência de dois anos, é ajustado que ao final do primeiro ano serão renegociadas tão somente as cláusulas econômicas. A proposta da Engie apresentada em mesa tem como vigência o prazo de dois anos. – Reajuste e Aumento Salarial A posição da empresa em mesa de negociação sobre o Reajuste Salarial interrompe uma série histórica de seis anos, desde 2017, em que a empresa apresentava já na primeira rodada das negociações o reajuste dos salários pela inflação do período. Na primeira reunião deste ano, a empresa argumentou que pretende repor a inflação desde que o valor fique abaixo do orçado. Neste item, o Reajuste Salarial pela inflação é o ponto de partida, pois todos os empregados merecem ser valorizados e não só “os melhores” como é praticada pela Distribuição de Méritos, que é considerada insuficiente para retribuir o comprometimento do conjunto dos empregados. Outra condição que é causa de enorme insatisfação dos empregados é a não recomposição das faixas salariais do PCR pelo mesmo valor do reajuste dos salários na data base. Em consequência disso, só no período deste Acordo Coletivo, os empregados admitidos ou promovidos estão com sua remuneração 6,47% abaixo do que deveriam estar, causando assim, diminuição da massa salarial. – Transparência no Plano de Cargos e Recompensas Nos debates em relação a transparência e distribuição de méritos, cláusulas 14 e 15 da Pauta de Reivindicações, os dirigentes sindicais foram surpreendidos quando a comissão de negociação da empresa afirmou desconhecer promoções sem repercussão financeira, o que equivale afirmar que todas as promoções têm repercussão financeira. A segunda rodada de negociação está marcada para o dia 27 de setembro (após o fechamento desta edição do Linha Viva).

Participantes elegem chapas apoiadas pela Intercel e APCELESC para Conselho Deliberativo da CELOS

Chapas 1 e 2 tiveram a confiança de mais de dois mil e cem eleitores cada uma

As chapas 1 e 2, apoiadas pelos Sindicatos da Intercel e pela Apcelesc (Associação dos Aposentados e Pensionistas da Celesc), foram vitoriosas nas eleições do dia 21 de setembro, quinta-feira da semana passada, para o Conselho Deliberativo da CELOS. Ambas as chapas obtiveram mais de 37% dos votos válidos, ou seja, mais de 2.100 votos cada chapa, de um total de 5.655 votos. Puderam votar no pleito, além de celesquianos(as), aposentados(as), pensionistas e trabalhadores(as) da Fundação. A campanha das duas chapas vencedoras percorreu todas as regiões do estado em um mês, dialogando, ouvindo críticas, sugestões e apresentando propostas. João Roberto Maciel e Alei Vargas (Chapa 1) e Geraldo Prus e Paulo Xavier (Chapa 2) foram eleitos e deverão ser empossados em janeiro de 2024. Em vídeo divulgado nas redes sociais da Intercel logo após a divulgação do resultado da eleição, João Maciel agradeceu o apoio e a votação expressiva das chapas 1 e 2: “Serão mais quatro anos de mandato a partir de janeiro e podem ter certeza que os compromissos que nós temos e que ratificamos durante nossa percorrida por todo o estado novamente serão ratificados com o nosso trabalho, com o nosso esforço, na manutenção da Celesc Pública, na manutenção dos direitos já adquiridos. Esse é um compromisso que nós temos juntamente com a Intercel e com a Apcelesc, que é quem sempre deu o suporte para que possamos fazer o nosso melhor trabalho dentro da Fundação”. O Conselheiro reeleito completou: “De coração, quero agradecer tanto em nome da chapa 1, como da chapa 2, e de todos os que tiveram envolvidos nesse processo”. CELOS completa 50 anos: na terça-feira da semana passada, dia 19, durante um intervalo nas negociações do Acordo Coletivo na Celesc, as diretorias da CELOS, Celesc, dirigentes sindicais e trabalhadoras(es) se reuniram na sede da companhia de energia, no Itacorubi, para celebrar os 50 anos de atuação da Fundação. O presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, destacou no ato o desafio da implantação de uma opção mais acessível de plano de saúde, que deverá passar a viger até o fim deste ano.