5 DE JUNHO – Dia Mundial do Meio Ambiente

Artigo: Tiago Vergara – Secretário do Meio Ambiente do Sinergia


Em 2025, a crise climática afetou mais de 110 milhões de pessoas ao redor do planeta, segundo dados do EM-DAT/CRED. Foram enchentes, secas, tempestades, ondas de calor, incêndios e outros eventos extremos que provocaram mortes, deslocamentos, perdas materiais e insegurança para milhões de famílias.

O relatório da ONU sobre pobreza multidimensional mostra que essa crise atinge de forma mais severa as 887 milhões de pessoas em situação de pobreza, que vivem expostas a pelo menos um risco climático, como calor extremo, seca, enchentes ou poluição do ar.

No Brasil, os impactos também foram extremos. Segundo o CEMADEN, os desastres climáticos afetaram diretamente 336.656 pessoas em 2025, com destaque para inundações, enxurradas, alagamentos, deslizamentos, secas e eventos extremos de temperatura.

Para este ano de 2026, a probabilidade do surgimento do fenômeno El Niño entre maio e julho de 2026 era de 82% e continua entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 com chance de 96%, conforme estudos publicados na National Weather Service do National Oceanic and Atmospheric Administration (EUA).

A crise climática, portanto, é uma crise social, já que quem vive em moradias precárias, sem saneamento, energia elétrica, sem infraestrutura e com menos acesso a serviços públicos é quem mais sofre. Enfrentar a emergência climática exige justiça social, proteção dos territórios e políticas públicas capazes de defender vidas.

Por isso, áreas estratégicas da economia, como saneamento básico e energia elétrica por exemplo, não podem ser tratadas como mercadorias, mas devem estar sob o controle estatal, sendo prestados como serviços públicos de qualidade para que possamos proteger as populações e dar conta dos desastres causados pela crise climática cada vez mais intensa.