Intercel promove Seminário sobre Saúde e Segurança

Encontro teve palestras de médico, advogadas e outros profissionais, além de trocas de experiências com o Sindieletro/MG

Os sindicatos da Intercel se reuniram entre os dias 19 e 20 de março para o “Seminário Saúde e Segurança na Celesc: os desafios e o papel da Intercel”. O encontro foi construído como uma etapa de formação entre os sindicatos diante do grande número de adoecimentos e até mortes em função do trabalho na categoria eletricitária.

 A abertura do evento foi feita pelo Médico do Trabalho Dr. Roberto Ruiz, que atua na UFSC. Ele apresentou um histórico da Medicina do Trabalho e suas diversas etapas desde o período da Revolução Industrial: “Não interessa apenas a fisiopatologia, o risco. Interessa para que as pessoas adoeçam ou não no trabalho, precisamos analisar as relações sociais. Pois se, além de digitar, tiver uma ergonomia ruim, e tiver metas pesadas para cumprir, eu vou adoecer”. Ele também afirmou que “só ocorrerá doença ou acidente do trabalho onde houver risco”. Portanto, a prevenção se faz conhecendo, identificando e eliminando riscos”. O médico ainda apresentou dados de acidentes típicos, acidentes de trajeto e acidentes de trabalho.

 O Superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em Santa Catarina, Paulo Eccel, também palestrou no evento. Além de informações sobre como denunciar casos que envolvam saúde e segurança do trabalhador, ele também falou da precarização do trabalho, da ausência de direitos e das diferenças salariais entre homens e mulheres: “Diferenças de salários entre homens e mulheres que desempenham a mesma função no Brasil chegam a 20%. Em Santa Catarina, a situação é ainda mais desigual, chega a 30%”. Eccel também tratou da NR 1, que prevê o cuidado com a saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores. 

Além deles, também palestraram as advogadas do escritório Garcez, Dras. Barbara Klopass Locks de Godoi, Juliana Alice Fernandes Gonçalves, Camila Lima das Neves e Catherine Silva Schumacher, que trataram de questões jurídicas, como assédio e os impactos na saúde e bem-estar de grupos minoritários, além das possibilidades e limites de atuação com relação a saúde e segurança nas empresas públicas e terceirizadas.

 Um outro painel no evento, formado por dirigentes da Intercel, apresentou ao coletivo o histórico da saúde e segurança na Celesc e os desdobramentos da Ação Civil Pública, de 2005, a partir do acidente de trabalho com um empregado terceirizado da Linha Viva.

O encontro também contou com a participação dos dirigentes do Sindieletro/MG – sindicato que representa a categoria eletricitária em Minas Gerais -, Jefferson Leandro Teixeira da Silva e José Henrique de Freitas Vilela. Eles apresentaram o cenário das condições de trabalho com foco em saúde e segurança na CEMIG e o andamento da luta contra a privatização em seu estado.

 O encontro encerrou com um painel sobre a “Superexploração da força de trabalho e o adoecimento do trabalhador”, pelo professor e economista Nildo Ouriques.

 De acordo com o dirigente do Sindieletro/MG, Jefferson Leandro Teixeira da Silva, “para nós, foi um momento de muito aprendizado. Estamos levando uma série de contribuições que foram apresentadas nos debates e viemos trazer a contribuição de como está a condição de saúde e segurança dos trabalhadores do setor elétrico em Minas Gerais”.

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