Monthly Archives: julho 2025

O esvaziamento da Diretoria Comercial

Um dos primeiros pontos que chama a atenção é o esvaziamento da Diretoria Comercial. A Diretoria Comercial é a única onde os trabalhadores podem eleger um celesquiano para representá-los na Colegiada. Ao longo dos tempos, muitos ataques contra a Diretoria Comercial foram realizados, com tentativas de impedir a participa ção dos trabalhadores, cassação ilegal de Diretor eleito e tentativas de extinção da própria Diretoria.

 O esvaziamento apresentado nesta nova proposta é muito claro e afrontoso. A Diretoria Comercial ficaria apenas com o Faturamento e a Arrecadação, enquanto toda a área de Atendimento Comercial seria vinculada à Diretoria de Regulação e a área de Gestão Técnica Comercial seria vinculada à uma nova Diretoria de Serviços. Em ambos os casos, a visão é a da terceirização.

 Não existe uma só justificativa plausível para tirar o Atendimento Comercial da Diretoria Comercial. A única justificativa é facilitar a terceirização da área, um desejo explícito do Presidente da Celesc, Tarcísio Rosa. Tarcísio já deu declarações públicas de que deseja terceirizar o atendimento, processo que tem sido barrado pela atuação da própria Diretoria Comercial eleita pelos empregados. A visão e o compromisso de um trabalhador de carreira eleito têm impedido que o atendimento comercial seja entregue à iniciativa privada. Esta mesma estratégia foi utilizada na Casan, onde antes da posse do Diretor Comercial eleito, uma alteração na estrutura esvaziou a Diretoria e permitiu que o atendimento fosse totalmente terceirizado.

 A Celesc já teve uma péssima experiência com a terceirização no Atendimento Comercial. De tão ruim, foi reestruturado, com a criação do cargo de atendente, quando os sindicatos quebraram o dogma de permitir contratações com carga horária de 4 horas, garantindo qualidade na prestação do serviço à sociedade, papel principal de uma empresa estatal.

 A terceirização é mais do que um retrocesso. É o atestado do deserviço da atual presidência da Celesc para a sociedade catarinense e da perseguição de Tarcísio contra os atendentes comerciais concursados. É a PRECARIZAÇÃO do serviço prestado, em moldes que abrem caminho para a privatização da Celesc.

 O fim da Diretoria de Geração e a criação da Diretoria de Terceirização

 Na proposta, a Diretoria de Geração deixa de existir, sendo substituída por uma Diretoria de Serviços que teria, além da Operação e Manutenção da Geração, às áreas de Operação da Distribuição, Manutenção da Distribuição, Telecom, Gestão Técnica Comercial e a responsabilidade sobre as áreas de operação e manutenção das Agências Regionais.

 Para os sindicatos da Intercel, extinguir a Diretoria de Geração éum risco à manutenção da própria Celesc Geração Pública, sendo uma porta de entrada para a privatização geral da Celesc. Esta tentativa já foi barrada recentemente.

 A criação de uma Diretoria de Serviços, que abrangeria todos os serviços operacionais da distribuição e geração aprofunda a sensação de que se cria uma Diretoria para administrar contratos, ampliando a já crescente terceirização da empresa.

 Diretoria de Distribuição vira Diretoria de Construção

 A Diretoria de Distribuição, maior orçamento e responsável pela operação e manutenção do sistema elétrico passa a ser Diretoria de Construção, abrangendo apenas planejamento, construção da distribuição, construção da geração e área de construção das Agências Regionais. A DDI é hoje a principal Diretoria da Celesc, responsável pelo planejamento do setor elétrico e pela operação e manutenção, tendo ligação direta com as metas da concessão da Celesc. Ao ser esvaziada, jogando as áreas relativas ao atendimento à sociedade para uma Diretoria que servirá somente para operacionalizar contratos e intensificar a terceirização, a DDI servirá apenas para investimentos com a ótica de retorno financeiro, esquecendo-se que estes devem estar intimamente ligados ao bom atendimento à população catarinense.

Diretoria de Gestão Corporativa sem Gestão de Pessoas?

Uma das mais absurdas mudanças está na Diretoria de Gestão Corporativa. A Diretoria passa a ser responsável pela Comercialização de Energia, o que não faz absolutamente nenhum sentido. Atualmente, a Comercialização está vinculada à Diretoria de Geração e Novos Negócios, com uma visão estratégica muito bem definida. A vinculação desta área à Gestão Corporativa, que via de regra administra suprimentos, tecnologia da informação, saúde e segurança e gestão de pessoas, demonstra um arranjo disfuncional.

 Pior ainda é a ideia de tirar desta Diretoria a responsabilidade de realizar a Gestão de Pessoas, mandando-a para o Planejamento. A gestão de pessoas é inerente à gestão corporativa. Não existe gestão de empresas sem gestão dos trabalhadores. Além disso, a vinculação ao Planejamento  é desdobramento de uma estratégia de promoção de uma “cultura de resultados”, que passa pelo ataque aos direitos dos trabalhadores e pela implementação de uma lógica de individualismo e competição, idêntica à de empresas privadas.

 Chama a atenção, ainda, que a posição de Relações Sindicais tem sofrido um jogo de empurra-empurra entre os Diretores. Ninguém quer assumir a responsabilidade de negociar as reivindicações dos celesquianos e garantir os direitos da categoria. Fica claro que, quem for assumir essa posição será responsável por retirar direitos. Aliada à recente manifestação do Presidente Tarcísio Rosa e da Diretora Pilar Sabino ao Tribunal de Contas do Estado (veja o Boletim da Intercel nº 256) é a demonstração de um completo desrespeito aos trabalhadores.

Privatização é desejo de Diretoria ou de Governo?

A reestruturação das Diretorias em um processo focado na terceirização e na PRECARIZAÇÃO ameaça trabalhadores e sociedade catarinense com um olhar meramente financeiro. Isto feito em um momento em que se discute o futuro político do estado, com a proximidade das composições para as eleições de 2026, passa o recibo da preparação da Celesc para a privatização em um eventual segundo mandato do Governador Jorginho Mello, semelhante ao que ocorreu na vizinha Copel, no Paraná, sob o comando do Governador reeleito Ratinho Junior (PSD).

Incompreensivelmente, a proposta contrasta com as falas recentes do Governador no 12º Congresso dos Empregados da Celesc, onde afirmou que manteria a Celesc Pública, mas que ela precisa entregar mais para os consumidores. Será que estava se referindo somente aos problemas do Conecte? Adequar a Celesc a uma realidade estrutural de empresa privada não traz retorno para a sociedade, muito pelo contrário. Com uma estrutura que privilegia o financeiro, o resultado certamente será a PRECARIZAÇÃO e diminuição da qualidade do serviço prestado.

 Se o projeto não é do Governador Jorginho Mello, a defesa do projeto apresentado pelo Diretor Presidente, Tarcisío Rosa, e pelo Diretor de Finanças, Júlio Pungan, não condiz com a realidade. Nesse contexto, os Diretores empregados Pilar Sabino, Pedro Augusto Schmidt de Carvalho Júnior e Claudio Varella votarão para destruir a única Diretoria eleita pelos empregados e pela concentração de toda a atividade-fim da Celesc em uma Diretor de Terceirização? O Diretor de Geração, Eloi Hoffelder, celesquiano aposentado, votará para extinguir a Diretoria de Geração em que está lotado? 

É fundamental que a Diretoria da empresa explique aos trabalhadores suas intenções para o futuro da Celesc. A proposta que chegou aos sindicatos em forma de denúncia é verdadeira? Quem é o responsável? A Diretoria ou o Governador? Os Diretores celesquianos, da ativa e aposentado aceitarão a arapuca do Diretor Presidente e do Diretor de Finanças ou vão alertar o Governador? Assumirão as suas responsabilidades ou continuarão sendo subordinados em mais esse processo? 

A cada Governo surge uma nova estratégia de privatização da Celesc. Já enfrentamos o sucateamento no início da década de 90; a divisão da Celesc em três, copiando o modelo que vendeu uma parte da CEEE; a venda direta de ações na bolsa de valores, que deu deserta pela ação política; o golpe do novo mercado, entre outros que certamente não vieram à público. Esta não é diferente, tem o mesmo objetivo. É incompreensível a obsessão política de sucessivos governos na tentativa de privatizar a Celesc, empresa pública de qualidade, rentável e bem avaliada pela população.

 Para os sindicatos da Intercel, esta reestruturação é um atentado à Celesc Pública e um golpe nos trabalhadores e na sociedade. As entidades sindicais, mais uma vez trabalharão junto à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, já que um processo de reestruturação de Diretorias depende de alteração do Estatuto Social da empresa, a ser aprovado na ALESC, novamente buscaremos o apoio dos deputados para que a empresa pública não seja destruída em uma reestruturação que pensa a empresa apenas para o benefício dos acionistas. Por fim, sendo o acionista majoritário, o Governo do Estado não pode referendar uma proposta que vai na contramão de suas promessas.

Os celesquianos sempre resistiram, através das lutas organizadas pelos sindicatos da Intercel. Não vamos aceitar a entrega do patrimônio público. Vamos à luta!

Atenção: PEC da reforma administrativa é mais um ‘lobo em pele de cordeiro’

PROMESSA DE REDUZIR GASTOS DO SERVIÇO PÚBLICO É UMA EMBALAGEM BONITA PARA, NA VERDADE, RETIRAR DIREITOS CONQUISTADOS AO LONGO DE MUITOS ANOS E COM MUITA LUTA

De tempos em tempos, surgem no Brasil reformas e novas leis com promessas de beneficiarem o povo e a classe trabalhadora. Regra geral, essas promessas são apenas uma embalagem bonita escondendo o verdadeiro desejo das elites dominantes de retirarem direitos da população. Foi assim com a reforma trabalhista, durante a gestão de Michel Temer (MDB) ou com a reforma da previdência, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL) como presidente. Trabalhadores perderam uma série de direitos e terão que trabalhar muito mais tempo para poderem se aposentar. No meio sindical, é comum usar a expressão “desmonte” da previdência ou “desmonte” das leis trabalhistas, em vez de “reformas”, já que o termo “reformas” dá a falsa impressão de algo melhor, evoluído, quando, em verdade, as propostas pretendem tão somente precarizar e retirar direitos.

Mais uma tentativa de desmonte está no radar do Congresso Nacional: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020, chamada de “reforma administrativa”, enviada ao Congresso pelo Executivo ainda durante a gestão Jair Bolsonaro, pretende alterar disposições sobre servidores, empregados públicos e a organização administrativa. Ou seja, se aprovada, pode atingir trabalhadores dos Correios, da Casan ou da Celesc, por exemplo, além de todo o funcionalismo público. Desde já, fica mais um alerta aos celesquianos para que escolham bem seus representantes em Brasília na hora do voto. Uma escolha mal feita na urna pode significar a retirada de seus próprios direitos dentro de alguns anos.

 Mas, afinal, o que é a PEC 32? 

 A PEC 32 é vendida para a população como um projeto que busca modernizar a gestão pública, aumentar a eficiência dos serviços oferecidos à população e criar uma nova cultura de desempenho no setor público. Até o início do recesso no Congresso Nacional, um Grupo de Trabalho (GT) debatia o assunto de reforma restrita, sem grande abertura de diálogo com representantes da classe trabalhadora, mas dando bastante atenção aos anseios da classe empresarial.

 Entre os pontos de preocupação de entidades sindicais, estão a precarização dos serviços – já que facilita a amplia ção de contratos temporários, permite a quebra da estabilidade (ou garantia de emprego), facilitando perseguições políticas no ambiente de trabalho – e a pretensão de adotar bônus vinculados à meritocracia, o que também é preocupante e pode beneficiar apadrinhados políticos. Por fim, também criticam a ausência de medidas para combater os chamados “supersalários” – aqueles que ultrapassam o teto constitucional. 

Além disso, a PEC também pretende extinguir direitos hoje existentes, como adicional por tempo de serviço, licença-prêmio, incorporação de gratificações ou promoções automáticas por tempo de serviço.

 De acordo com a dirigente do Sinergia Caroline Borba, a PEC é mais uma tentativa de ludibriar a população. Ela lembra das promessas da reforma trabalhista: “a reforma trabalhista prometia modernização, mas entregou precarização à classe trabalhadora. Antes, era necessária a rescisão do contrato de trabalho com homologação do sindicato conferindo os direitos. Após a ‘reforma’, o trabalhador pode assinar sozinho a homologação e corre o risco de perder direitos, só para citar um exemplo”. E compara com a proposta da reforma administrativa: “essa nova reforma igualmente é vendida para a população com a promessa de reduzir gastos públicos, mas não encara itens importantes, como os supersalários. Ela pretende, sim, tirar cada vez mais força da estabilidade dos servidores e empregados públicos para favorecer apadrinhamentos políticos na administração pública”.

 A Presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Santa Catarina, Anna Júlia Rodrigues, também considera a situação preocupante: “A CUT-SC é contrária à Reforma Administrativa porque, apesar da mudança no discurso, a proposta continua representando riscos graves aos direitos dos servidores e à qualidade do serviço público. A criação de uma Lei de Responsabilidade e Resultados, com avaliação individual de desempenho e demissão por ‘baixa performance’, pode se tornar um instrumento de perseguição e desmonte das carreiras, sobretudo sem critérios claros e justos”. Anna Júlia também lembra que, “além disso, a possibilidade de ampliar contratação via CLT escancara a porta para a precarização e a terceirização. Não aceitaremos que os servidores ou empregados públicos sejam responsabilizados pelos problemas estruturais do Estado enquanto o alto escalão do serviço público segue intocado. Defendemos uma reforma que valorize o funcionalismo, fortaleça os serviços públicos e enfrente os verdadeiros privilégios”.

Para Mauri Bezerra, vice-Presidente da CNTSS/CUT e diretor executivo do SindSaúde-SP, há que se ter cuidado, pois, “embora o discurso de quem defende a Reforma seja de que os atuais servidores não serão afetados, sabe-se da real intenção por parte da legislatura atual em aplicar imediatamente os dispositivos da PEC após sua aprovação, causando impactos sobre as carreiras, condições de trabalho e estabilidade dos servidores em exercício”. Ele também lembra que a PEC, se aprovada, facilita terceirizações e parcerias da administração pública com o setor pri vado: “A proposta abre espaço para que serviços públicos sejam compartilhados com empresas privadas, inclusive com uso de pessoal e estrutura pública. Aqui em São Paulo, o governo Tarcísio abriu as portas da privatização, agora, imaginem como será sem que haja restrições.

 A previsão é de que o texto final da “reforma” administrativa seja apresentado na Câmara em agosto, após o fim do recesso parlamentar. É importante que a categoria fique atenta e se aproprie das informações sobre o tema.

CNE cobra soluções a problemas nos planos de saúde e odontológico

Reunião com a empresa foi realizada na sexta-feira, 18 de julho

 A Comissão de Saúde do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) reuniu-se com representantes da direção da Eletrobras no dia 18 de julho passado, para tratar dos problemas dos planos de saúde e odontológico.

 A expectativa da Comissão era obter a resposta da empresa para a correspondência encaminhada ainda em janeiro, sobre problemas que até agora não foram resolvidos. Dentre estes problemas, tratou-se da demora e da dificuldade na autorização para procedimentos, as dificuldades para obter reembolso de medicamentos, falta de rede credenciada e, no plano odontológico, a absoluta precarização ocorrida após a entrega do atendimento odontológico para a Bradesco Dental.

 Foram relatadas pelo CNE as persistentes dificuldades envolvendo os planos. A principal constatação é de mau atendimento odontológico pelo plano Bradesco Saúde, oferecido pela Eletrobras a todas pessoas que trabalham na empresa e seus familiares. Casos como dificuldade de atendimento, não aceitação de procedimentos radiológicos e outros procedimentos e exames, são diariamente relatados pelas pessoas que têm necessitado o uso do plano. 

A respeito do plano de saúde, as queixas são de que em locais de difícil acesso, não há atendimento ou o atendimento é precário. Várias pessoas desistiram de utilizar o plano. O CNE solicitou – mais uma vez – que a Eletrobras responda às correspondências enviadas e que retorne com o plano de autogestão.

Últimos dias para se inscrever na Assembleia Estadual de Concórdia

ENCONTRO SERÁ REALIZADO EM 2 DE AGOSTO, A PARTIR DAS 9H, NO CTG FRONTEIRA DA QUERÊNCIA

O momento mais importante da construção da Pauta de Reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores da Celesc está chegando. A Assembleia Estadual que debate, unifica e referendar os pedidos e sugestões que vieram das Assembleias Regionais será realizada em 2 de agosto, no Centro de Tradições Gaúchas Fronteira da Querência, na Rua São Sebastião, n° 565, no bairro Fragosos, em Concórdia. 

Toda a categoria está convidada a participar e votar as cláusulas que serão negociadas com a diretoria da Celesc, a partir de meados de agosto. É importante lembrar que todas as sugestões que vieram das Assembleias Regionais serão discutidas, haverá espaço para defesa das cláusulas e pode acontecer de uma sugestão trazida na Assembleia Regional não ter votos suficientes e não entrar na Pauta de Reivindicações da categoria. Da mesma forma, cláusulas que são contraditórias entre si ou que apresentam valores/índices diferentes também terão que ser debatidas e votadas pelos trabalhadores presentes. A ausência no debate e no voto significam dar anuência para que outros colegas de trabalho votem e decidam por você. Cláusulas que já geraram grande mobilização da categoria não passaram na Assembleia Estadual em anos anteriores e, mais tarde, causaram insatisfação entre muitos celesquianos.

 Os cinco sindicatos que compõem a Intercel enviarão ônibus para Concórdia partindo das diversas regiões de Santa Catarina. É muito importante que você busque o quanto antes o/a dirigente sindical mais próximo de você e confira a forma e o prazo para se inscrever. A quantidade de vagas nos ônibus são limitadas e variam de sindicato para sindicato. Mesmo aqueles que pretendem ir para a Assembleia com veículo próprio (particular) devem fazer a inscrição.

 Acordo de PLR 2025 será votado na Assembleia Estadual 

 Assim como ocorreu no ano passado, o Acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2025 também será debatido e votado durante a Assembleia Estadual de Concórdia. Desde dezembro de 2024, os sindicatos da Intercel têm cobrado da direção da Celesc o início das negociações da PLR. A diretoria adiou o início dos debates, sob pretexto, no início do ano, que precisava focar na resolução dos problemas do sistema Conecte. Mais adiante, a justificativa foi a saída do ex-diretor de Gestão Corporativa, Nelson Ronnie dos Santos (diretoria responsável pelas negociações). Somente após muita pressão e ameaça de mobilização da categoria é que a diretoria da empresa começou a negociar o Acordo de PLR, em meados de junho.

Até o momento, as negociações não tiveram grandes avanços e a Intercel aguarda respostas da direção da Celesc, especialmente em relação ao expurgo dos impactos negativos do Conecte (sem gerência dos trabalhadores) e sobre a possibilidade de elevação do percentual da parcela lucro a ser distribuída à categoria, em conjunto com a exclusão de seu limitador. 

A próxima rodada de negociação da PLR 2025 está agendada para o dia 28 de julho, às vésperas da Assembleia Estadual. A Intercel espera que a Celesc encaminhe uma contraproposta justa e sem pegadinhas, que seja possível de ser debatida e apreciada na Assembleia Estadual. Em 2024, a contraproposta da empresa não contemplou os anseios da categoria e os trabalhadores fizeram uma greve de três dias. A disposição de luta dos trabalhadores permanece a mesma. É preciso que a gestão da Celesc esteja atenta e apresente uma contraproposta decente, se não quiser o enfrentamento. Vamos à luta!  

Dirigentes da Intercel fazem intercâmbio entre as bases da Celesc para a Caravana da Intercel

Visitas aos postos de trabalho em todo o estado estão sendo realizadas nessa semana

Nessa semana a Intercel dá mais um passo para a construção da campanha de data-base na Celesc: os sindicatos estão percorrendo os postos de trabalho em todo o estado com a Caravana da Intercel. 

A Caravana nada mais é que um intercâmbio entre dirigentes sindicais. Dirigentes de uma base territorial visitam a base de outro sindicato, unificando o discurso junto à categoria com as expectativas para as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho e chamando a categoria para a luta. De acordo com o Coordenador da Intercel, Ailton Communello, “as Caravanas da Intercel marcam formalmente para os trabalhadores da Celesc o início da luta pela manutenção e avanços no Acordo Coletivo de Trabalho. É o momento em que dirigentes dos cinco sindicatos majoritários que compõem a Intercel vão visitar todas as bases e falar com os trabalhadores a respeito da expectativa da data-base, aonde vão trazer informações importantes sobre como deve ser a negociação na visão dos sindicalistas e onde é feito o convite para participar da Assembleia Estadual, que esse ano acontece em Concórdia no dia 2 de agosto”. 

Ailton reforça que é de suma importância que todos os trabalhadores acompanhem as Caravanas e que fiquem atentos às informações que serão trazidas pelos sindicalistas nos locais de trabalho. E alerta que, “nesse ano, como ocorreu no ano passado, estamos também em plena negociação do Acordo de PLR 2025. Muito provavelmente, a Assembleia Estadual deste ano deve ocorrer o que ocorreu na Assembleia Estadual do ano passado. Ou seja, teremos que votar a proposta de PLR 2025, vamos ter que dizer se aceitamos ou se não aceitamos essa proposta e vamos ter os encaminhamentos a respeito da data-base para 2025. Então, todos estão convidados a participarem, ouvirem e apoiarem a Caravana da Intercel”.

 Nas imagens, você confere registros desta terça-feira, dia 15, do primeiro dia da Caravana da Intercel em diferentes Agências Regionais da Celesc. 

Indicação de novo diretor da Celesc, investigado, acende alerta na categoria

OS SINDICATOS DA INTERCEL E A CATEGORIA ESTÃO DE OLHO…

Foi confirmada no início desta semana a indicação do novo diretor de Gestão Corporativa na Celesc, Moisés Diersmann, pelo governador Jorginho Mello (PL). A Diretoria estava sem um titular desde o final do mês de abril, quando Nelson Ronnie dos Santos renunciou ao cargo. O diretor de Planejamento, Lino Pedroni Junior, vinha respondendo interinamente pela Diretoria de Gestão até o momento, inclusive representando a direção da empresa em reuniões da Comissão de Recursos Humanos e da negociação do Acordo de Participação nos Lucros e Resultados 2025 desde o mês de maio. 

O que chamou a atenção e preocupou trabalhadoras e trabalhadores da Celesc em todo o estado foram as notícias veiculadas na mídia sobre o currículo do novo diretor. Moisés foi prefeito de Luzerna, Secretário de Estado da Administração e presidente do Centro de Informática e Automação de Santa Catarina (CIASC). No ano passado, foi acusado pelo jornal O Globo e outros veículos de comunicação, de ter feito contratos sem licitação durante sua gestão como presidente do CIASC. Por essas acusações, segundo o site SC em Pauta, Diersmann teria concluído que sua permanência como presidente do órgão de informática “poderia prejudicar o governo” e teria renunciado ao cargo em novembro passado. 

 Ainda de acordo com o SC em Pauta, “a relação de Diersmann com a empresa Prix Tech, sediada no município onde foi prefeito por dois mandatos, e que foi contratada por duas vezes sem licitação, deixou o agora ex-presidente sem argumentos para explicar a coincidência de a empresa ter sido a única concorrente em um dos processos de contratação do Ciasc que renderia, ao longo de cinco anos, R$ 200 milhões”.

 Tanto o Tribunal de Contas do Estado como o Ministério Público investigam as acusações e não há qualquer condenação a Moisés nesse caso, sequer em primeiro grau, motivo pelo qual ele foi habilitado, na semana passada, para a função de diretor na Celesc pelo Comitê de Elegibilidade da empresa. Desse modo, não há impedimento legal para que ele possa assumir a função. 

A preocupação da categoria, contudo, se dá pelo fato de a Celesc, que já vinha com a imagem arranhada junto à população por conta de problemas do sistema Conecte e de todo o processo de precarização dos serviços pela atual gestão, novamente figurar nas páginas de jornais por um motivo nada positivo. Além disso, nos corredores da empresa, na última semana, assim que foi noticiado que Moisés poderia ser o indicado para a DGC, trabalhadores também comentavam se não era arriscado para o governo do estado e para a empresa colocar Diersmann numa diretoria que justamente é a responsável pelas licitações.

 Estamos de olho 

No passado, os sindicatos da Intercel já fizeram campanhas de moralização na empresa, diante das evidências de má administração ou de corrupção dentro da Celesc. Diversos escândalos, inclusive, foram noticiados em capas ou em matérias de destaque ao longo dos anos no jornal Linha Viva. 

Não se pode condenar por antecipação uma pessoa que não foi julgada e que não tem qualquer condenação transitada em julgado, somente acusações ou suspeitas de irregularidades durante sua atuação pretérita.

 Contudo, fica o alerta que a categoria eletricitária está atenta a todos os passos e não aceitará, de forma alguma, o uso da empresa pública para qualquer tipo de irregularidade. A categoria eletricitária defende com unhas e dentes que a empresa siga cumprindo sua função pública, bem atendendo à população catarinense, sem beneficiar qualquer ente em nenhum contrato ou processo licitatório.

 Os sindicatos da Intercel, legítimos representantes da categoria eletricitária em Santa Catarina, igualmente permanecerão de olho e acionaram as entidades competentes caso qualquer situação atípica seja apontada. Defender a Celesc Pública também significa defender a ética e a moralização na empresa.  

Diretoria da Celos faz percorrida de prestação de contas pelo estado

Agências Regionais de Blumenau, Rio do Sul e São Miguel do Oeste já foram visitadas

A Diretoria Executiva da Celos iniciou em junho a tradicional percorrida de prestação de contas, apresentando os resultados da Fundação em 2024. Os resultados dos investimentos em linha com as metas atuariais dos planos de previdência, atualizações nas políticas de concessão de empréstimo, balanço do Plano de Gestão Administrativo, início do processo de mudança de sede e os demonstrativos de receitas e despesas dos planos de saúde fazem parte da apresentação realizada aos participantes, ativos e aposentados.

No mês de junho, a Diretoria esteve nas Agências Regionais de Blumenau e Rio do Sul e, em julho, já percorreu a Regional de São Miguel do Oeste. Nas próximas semanas, estão na agenda a Regional de  Florianópolis e a Administração Central. Para agosto estão previstas visitas nas Agências de Jaraguá do Sul, Itajaí, Lages e Joaçaba. Em setembro, a percorrida passará por Tubarão e Videira. Já em outubro, a percorrida concluirá as visitas em Criciúma, Chapecó, Concórdia, São Bento do Sul, Joinville e Mafra.

A Intercel reforça a importância da prestação de contas dos resultados da Fundação Celos, compromisso de gestão assumido pelos Diretores e Conselheiros eleitos com o apoio da Intercel e da APCelesc, e convida a todos e todas para participarem das reuniões, momento dos trabalhadores fazerem as suas críticas, darem sugestões e tirarem as dúvidas sobre o trabalho da Celos.

Dirigentes do Sinergia participam de debate sobre transição energética justa

Evento foi realizado nessa semana, na sede do Sinergia Bahia

Dirigentes do Sinergia participaram nessa semana de um debate sobre Transição Energética Justa nas Energias Renováveis, na sede do Sinergia Bahia, em Salvador. O evento foi organizado pela Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), em parceria com a Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (FRUNE) e com o Aurora LAB (organização sem fins lucrativos de campanhas de comunicação focada no ativismo ambiental). Também participaram do encontro dirigentes sindicais de todo o Brasil do ramo dos urbanitários, que congrega trabalhadores dos ramos de energia, gás, água, saneamento e meio ambiente.

De acordo com o Aurora LAB, o objetivo do encontro era promover um espaço de diálogo entre trabalhadores e lideranças sindicais sobre as intersecções entre trabalho e clima, além de buscar sensibilizar os participantes sobre a importância da adaptação às mudanças climáticas e as oportunidades de emprego.

Arte: Vitor Massao

 Para o presidente da CNU, Paulo de Tarso, “o movimento sindical tem uma dívida com o meio ambiente, por não ter plantado antes algo que gerasse resultados práticos hoje no meio ambiente: passamos das usinas térmicas, para pequenas hidroelétricas e depois grandes hidrelétricas. Foi um passo importante para o meio ambiente, mas que deixou, por exemplo, estragos na construção de usinas. Além disso, ainda temos herança de energia térmica em diversos lugares e precisamos acompanhar as mudanças das matrizes renováveis”.

 Já para Cecy Marimon, presidenta da Federação dos Urbanitários do Sul do Brasil (FESUL) e dirigente do Sinergia e da Intersul, que também participou do encontro, “é fundamental discutir a transição energética sob a ótica dos trabalhadores, porque a visão de transição energética colonizadora que temos hoje é a visão que as empresas e os meios de comunicação vendem para a sociedade. É muito importante trazer a visão na ótica do povo atingido e dos trabalhadores do setor elétrico”.

Sinergia participa de seminário ‘A Reforma Administrativa’, em Brasília

O Coordenador do Sinergia, Tiago Vergara, participou nesta terça-feira, dia 8, de um seminário que debateu a reforma administrativa que pretende, na prática, destruir o serviço público no país. Sindicatos de servidores públicos de todo o Brasil estiveram presentes no auditório Nereu Ramos, no Anexo II da Câmara dos Deputados, que teve sua capacidade máxima de 500 pessoas ocupada.

O projeto de Reforma Administrativa é mais uma crueldade promovida pelo Congresso que, nos últimos dias, foi identificado nas redes sociais como ‘Inimigo do Povo’, uma vez que vetou o decreto de aumento do IOF para os mais ricos.

Na coordenação do Seminário, estavam os deputados federais Alice Portugal, Pedro Uczai, Tarcisio Motta e Luciane Cavalcante. 

PF afirma que Bolsonaro vigiou sindicalistas contrários à privatização da Eletrobras

DIRIGENTES SINDICAIS TIVERAM ACESSO AO RELATÓRIO FINAL DO INQUÉRITO DA POLÍCIA FEDERAL QUE INVESTIGA A ABIN PARALELA

Dirigentes da Intersul tiveram acesso ao Relatório Final do Inquérito da Polícia Federal (PF), que trata do monitoramento ilegal de trabalhadores e dirigentes sindicais contrários à pri vatização da Eletrobras pela ABIN Paralela, durante a gestão do ex-Presidente Jair Bolsonaro (PL). A PF qualificou a iniciativa da ABIN Paralela como ação de “organização criminosa”. O Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da investigação em junho.

 De acordo com o Relatório, o próprio Bolsonaro teria dado ordem a Alexandre Ramagem (então presidente da ABIN) para espionar os diretores Edvaldo Risso (Eletronuclear) e Pedro Brito (Furnas), além dos servidores Felipe Araújo, Leonardo Pessoa, Victor Costa e Caio Brasil Neto, todos ligados a Furnas, que hoje faz parte do sistema Eletrobras.

 De acordo com os investigadores da PF, os nomes foram incluídos em relatórios internos da agência paralela, nos quais eram identificados como opositores à política de privatização e descritos em tom pejorativo. 

Felipe Araújo, um dos vigiados, engenheiro de Furnas, é diretor de negociações do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro (SENGE-RJ) e membro do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE). Ele reforça que os nomes citados pela ABIN Paralela não tinham um milionésimo da capacidade econômica e da máquina que os interessados na venda da Eletrobras tinham: “Eles tinham a empresa e o governo na mão e, ainda, a Agência Brasileira de Inteligência espionando a gente. E nós, mesmo assim, trabalhadores e trabalhadoras organizados, sob ataque constante por quase uma década, conseguimos equiparar nossa força, e quase conseguimos impedir a entrega desse patrimônio. O que nós somos capazes de fazer, enquanto trabalhadores e trabalhadoras organizadas nacionalmente, em sindicatos, não conseguimos fazer pelo nosso país?”, questiona.

 O engenheiro reforça a necessidade cada vez maior do sindicalismo caminhar à esquerda a fim de dar uma solução para a sociedade brasileira e aproximá-la de uma democracia cada vez mais popular e não liberal que já se exauriu em relação à possibilidade da resposta às necessidades da população.

 “Os trabalhadores precisam enxergar a força da organização sindical. A gente ainda estava numa situação de um golpe ainda que não tinha sido instituído, mas já estava acontecendo. Você imagina se continuassem no poder por mais quatro anos? O que eles não fariam? Talvez não teríamos essa conversa hoje. É algo perturbador”, diz Felipe. 

 Segundo ele, a informação da vigilância da ABIN Paralela pegou a todos de surpresa: “É claro que a gente sabia que estava fazendo um trabalho com bastante dedicação, um trabalho militante que estava incomodando a empresa. Agora, imaginar que a gente estava a ponto de ser investigado pela ABIN, ainda que de forma clandestina como foi feita, aparentemente pela estrutura interna do Bolsonaro, nunca nos passou pela cabeça”, declara.

 Outro vigiado pela ABIN Paralela, Victor Costa, diretor da Associação dos Empregados de Furnas e diretor de comunicação do Sindicato dos Eletricitários do Rio de Janeiro (Sinergia-RJ) e membro da coordenação de comunicação do CNE, diz que foram pegos de surpresa pela forma nada democrática do governo Bolsonaro em lidar com a oposição a seus interesses: “Em um estado democráti co de direito é normal a gente ter opiniões diferentes. Eu posso ser contrário à privatização da Eletrobras e ao governo a favor. Não tem nada demais nisso. Por isso que a espionagem nos causou grande surpresa, desapontamento e revolta”, diz Victor.

 Ele reforça que, se Bolsonaro tivesse sido reeleito à presidência, provavelmente poderia tentar perseguir pessoas que foram resistência às iniciativas do governo dele, inclusive a da privatização da Eletrobras: “Agora, você imagina se os casos que culminaram no ato de 8 de janeiro tivessem sido frutíferos num golpe de Estado no Brasil, como estava nos planos deles, inclusive, o de matarem o presidente da República, o vice e o ministro Alexandre de Moraes, segundo a imprensa. Você imagina o que que iria acontecer com as pessoas que eram colocadas nessa lista da ABIN, né?”

 Procura por justiça 

 Victor diz que os dirigentes sindicais já contataram seus  departamentos jurídicos, para que busquem justiça e reparação, para que uma possível ação não seja desconectada entre os citados. A forma que eles irão atuar ainda não se sabe, pois é preciso que se tenha mais informações: “A gente não pode normalizar uma ilegalidade dentro de um Estado democráti co de direito. Eu já disse isso e vou repetir sempre, é preciso ter indignação sempre que há descumprimento de lei, e num caso desse, de invasão de privacidade, é muito grave. Isso não pode ser normalizado. Então é por isso que eu digo que a gente vai fazer tudo que tiver que ser feito para que isso, que a gente tenha justiça e reparação”, diz.

 “Agradeço a todas as entidades que estão se manifestando em solidariedade e apoio, a mim e aos meus companheiros que tiveram a vida devassada pelo desgoverno anterior e dizer que a gente vai seguir firme e que temos certeza de estarmos do lado certo da história e que não vamos recuar por conta desse tipo de tentativa de intimidação ou constrangimento”, diz Victor.

A venda da Eletrobras, um atentado à soberania nacional 

 O engenheiro de Furnas Felipe Araújo lembra que os interesses pela privatização da Eletrobras eram muito grandes em relação à entrega desse patrimônio e não eram só econômicos, mas estratégicos também. A Eletrobras foi vendida em 2022 por R$ 40 bilhões abaixo do preço do mercado, e ainda retirou do governo federal o poder de veto nas decisões do Conselho da empresa, apesar de manter a maioria das ações (43%). Essa decisão não foi revertida.

 “O governo Bolsonaro entregou boa parte da soberania energética do país, vendendo a Eletrobras para o setor privado com influência direta e indireta, de interesses internacionais muito grandes em relação a esse patrimônio”, conta Felipe. Para Victor Costa, a questão principal é a de que o governo Bolsonaro queria passar a privatização dentro daquele “pacote da boiada”.

 “Os riscos da privatização, os efeitos, incomodaram. É a única lógica que eu entendo, porque a gente não fez nada secreto, tudo que foi feito era um posicionamento público, aberto em audiências públicas, indo à imprensa, mobilizando dentro da sociedade. Então, só vejo que o que incomodou foi o fato de eles quererem fazer tudo de forma rápida, silenciosa e a gente trouxe alguns obstáculos”, conclui Victor.

 Com informações de Rosely Rocha/CUT Nacional