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O ano novo da Celesc

A PRECARIZAÇÃO ADENTRA 2026 AMEAÇANDO A EMPRESA PÚBLICA

A virada de ano trouxe uma série de críticas de parlamentares catarinenses ao atendimento da Celesc. A deputada Pau linha (PODEMOS) divulgou um vídeo cobrando investimentos e menor tempo de reação à interrupções na região de Bombinhas. O deputado Napoleão Bernardes (PSD) também gravou vídeo cobrando a Celesc por recorrentes quedas de energia na região do médio Vale do Itajaí. Mais agressivo, o deputado Ivan Naatz (PL) criticou a empresa, afirmando que a Celesc precisa ser “passada a limpo” e que a estatal seria “um grande vexame de Santa Catarina”.

A manifestação da deputada Paulinha gerou uma reunião entre os prefeitos Alexandre da Silva, de Bombinhas, Alexandre Xepa, de Itapema, e Joel Lucinda, de Porto Belo, além de representantes da Diretoria da Celesc. Dessa reunião, a deputada divulgou que foi estabelecido um “plano emergencial” com disponibilização de uma equipe fixa no município de Bombinhas, para agilizar os atendimentos. A Celesc divulgou que o plano de ação inclui a instalação de equipes técnicas fixas nas três cidades, temporariamente, a ampliação dos horários de atendimento emergencial e o deslocamento de 40 transformadores para Porto Belo, com objetivo de agilizar a resposta às ocorrências e reduzir o tempo de restabelecimento em eventuais falhas. 

O caso e as manifestações evidenciam um cenário que a Intercel denuncia desde o início da gestão Tarcísio: a precarização e o foco no lucro atentam contra o bom serviço prestado à população.

É impressionante ver que a Celesc não tenha se planejado para o verão. Todos sabem que o trânsito de acesso às praias do Vale do Itajaí fica caótico no verão e, para garantir o fornecimento de energia, é preciso um planejamento que descentralize o fornecimento de materiais e que tenha equipes disponíveis na região para imediato atendimento. A Operação Verão não é uma novidade. A Diretoria da empresa decidiu ignorar as necessidades da população, restringindo o trabalho dos empregados para economizar no “custo de pessoal”.

Não é plausível pensar que, sabendo do trânsito do verão, a Diretoria de Distribuição tenha achado correto que equipes de manutenção saiam de Itajaí, sua base, enfrentando todo o trânsito do fim do ano, para chegar à região, que inclui municípios que recebem milhares de pessoas na temporada, aumentando a demanda de energia e, consequentemente, a atuação das equipes. Além de aumentar o tempo de atendimento, as equipes de manutenção pesada são terceirizadas, o que influencia a qualidade do serviço prestado. Nos escritórios e na Regional há uma grande falta de pessoal próprio, ignorada pela Diretoria. A soma destes fatores gera a precarização.

Isso mostra as contradições dessa gestão. Afinal, o Presidente gosta de declarar o volume de investimentos feitos pela Celesc nesta gestão. Investir no sistema tem como objetivo primário diminuir a frequência das quedas de energia. No verão, com a sobrecarga da temporada, elas invariavelmente acontecem. E aí, sem trabalhadores para recompor o sistema, a duração da falta de energia será cada vez maior, impactando a sociedade e atraindo falas privatistas e oportunistas.

A situação é fruto da visão desta Diretoria para a Celesc. Menos trabalhadores, restrição de verbas variáveis e predileção pelo serviço terceirizado que, além de mais lento, é inseguro, expondo os trabalhadores.

As manifestações da deputada Paulinha e do deputado Napoleão estão dentro do limite de sua representação e são legítimas: ambos cobram da empresa foco no atendimento à sociedade, papel fundamental de uma empresa pública. Esse é, aliás, o papel da classe política. Cobrar, sugerir, propor e construir políticas públicas para melhorar a vida do povo.

Diferente foi a manifestação grosseira e mal intencionada do deputado Naatz. Os ataques de Naatz à Celesc vêm e vão, com uma conveniência característica da péssima política, aquela que põe interesses próprios à frente do coletivo. Ainda durante o Governo Moisés, Naatz fez campanha semelhante, atacando a Celesc e dizendo que era preciso abrir a “caixa preta” da empresa. Era evidente que utilizava a estatal para suas disputas políticas eleitoreiras, às vésperas da eleição de 2022.

Mas se agora Naatz virou, novamente, um crítico do atendimento da Celesc, é preciso apontar que ele mesmo deu sustentação a esse planejamento que conduz à precarização e, consequentemente, à piora no atendimento à população.

Em 9 de abril de 2025 foi realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) uma audiência pública para debater a Celesc Pública. Diante dos mais de 500 trabalhadores que lotaram o auditório Antonieta de Barros, Naatz posou de preposto da Diretoria da Celesc, defendendo a forma de atuação, o planejamento e, principalmente, a terceirização.

“Em relação à terceirização dos serviços, que é outra reclamação, de que muitos serviços são terceirizados e, em face dessa terceirização, a companhia não promove novos concursos nem amplia seu quadro de servidores efetivos, é preciso reconhecer que a terceirização do serviço público é uma proposta internacional. Não é só em Santa Catarina, não é só no Brasil…”, afirmou, defendendo a Diretoria das críticas feitas pelos trabalhadores. Segundo Naatz, “sem a terceirização, a empresa não consegue manter a régua e a qualidade do serviço que é prestado”, afirmou à época.

Naatz defendeu o modelo de gestão que, além de criticado pelas entidades sindicais, é responsável pela piora na qualidade do serviço prestado. Não há “caixa preta” na Celesc, há uma sucessão de decisões erradas, que colocam a gestão da empresa no mesmo balaio de distribuidoras privatizadas que privilegiam o lucro em detrimento do atendimento à população. Este modelo se apoia na precarização, apontada pelos trabalhadores como a principal característica da gestão Tarcísio. Na própria audiência pública, o Presidente da Celesc foi vaiado pelos celesquianos quando quis confrontar o Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn, que apontava o planejamento da precarização.

Quando participou da audiência, Naatz era líder do governo na Alesc, posto que não ocupa mais. Contudo, segue como deputado da base do governo, do mesmo partido do Governador. As críticas que faz publicamente, são apoiadas pelo governo?

A verdade é que Naatz retoma um oportunismo descarado, criticando os resultados da precarização enquanto dá suporte ao planejamento que levou a ela. O deputado vai além: ofende todos os trabalhadores quando diz que a Celesc é um vexame. Oferece a história da maior estatal catarinense. O digno seria o deputado apontar o dedo para a gestão da empresa, indicada pelo governo que apoia. Que aponte para o Presidente, que não esconde suas predileções pelo lucro, pela terceirização e pela privatização. Que aponte para o Diretor de Distribuição, Cláudio Varella, que não teve competência para organizar a Operação Verão. Que aponte para a Diretoria, que tem no horizonte somente o lucro, cortando verbas que garantiriam a cobertura de atendimento à população. Aliás, Varella é constantemente elogiado pelo Governador, uma vez que sua Diretoria parece ter virado a “diretoria de inaugurações de obras”. Entretanto, é preciso que se reconheça a precariedade da atuação do Diretor que, sendo trabalhador da casa há tanto tempo, deveria conhecer a realidade e planejar a operação para que a população não sofra e a empresa não vire alvo de oportunistas como Ivan Naatz.

A Celesc entra em 2026 com ameaças. Repercutindo os devaneios de Ivan Naatz, o jornalista Marcelo Lula apontou o risco de privatização, afirmando que há muita gente favorável, sem citar nomes. Sabemos que muita gente deseja a privatização da Celesc, inclusive o Presidente da empresa. Entretanto, nenhum deles olha para as necessidades do povo. Para o melhor para Santa Catarina. Uma coisa que os problemas do fim de ano demonstraram foi a falência deste modelo de gestão privada. Enquanto a direção da Celesc seguir tomando os rumos de uma gestão privada, reproduzindo os erros de Enel-SP e Copel-PR, o estado de Santa Catarina terá problemas.

Por isso, manifestações de parlamentares catarinenses cobrando a melhora do atendimento prestado à população são salutares. Olhar a empresa pela ótica de seu papel público de prover energia de qualidade para o desenvolvimento social do estado é o caminho para uma Celesc Pública cada vez mais forte. O que não podemos aceitar é um deputado estadual usar a Celesc para seu jogo político, incentivando uma caça às bruxas, desrespeitando os trabalhadores e ainda incentivando a privatização da empresa.

Por fim, Ivan Naatz afirmou que falaria muito da Celesc na Assembleia Legislativa em 2026. Queremos ver se o Deputado tem coragem de criticar a Diretoria atual, por aquilo que ela é: uma gestão com “mindset privado”, que ignora o caráter público e as demandas da população para aumentar os lucros dos acionistas. Coragem, deputado! 

Axia Energia: duas trajetórias que se encontram no mesmo dia a dia

Há quem entrou na empresa estatal Eletrobras, viveu negociações, mobilizações, greves e aprendeu que direito não é favor e que conquista vem de organização. E há quem chegou pós privatização, já na Axia, por contratação direta, em outra cultura de trabalho e ainda não teve a chance de entender como funciona, na prática, a luta coletiva e sindical.

Mas uma coisa é igual para todo mundo: as decisões de cima impactam aqui embaixo. Metas, pressão, mudanças de regras, benefícios, condições de trabalho, saúde e segurança… nada disso escolhe “tipo de contratação”. Atinge a categoria inteira.

É por isso que a luta sindical importa: ela transforma o “cada um por si” em “todo mundo junto”. E quando a gente fala em conjunto, a empresa escuta diferente. Unidade virá respeito. Silêncio vira decisão tomada por outras pessoas.

Agora, precisamos de um passo simples e importante: Responder à pesquisa do Coletivo Nacional dos Eletricitários. Ela vai nos ajudar a entender como construir uma boa proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho que o CNE negociará em 2026.

O link será acessado pelo QR Code abaixo. A pesquisa é anônima, leva poucos minutos e tem peso enorme: ajuda a mapear o que realmente está acontecendo, organizar prioridades e dar força para cobrar, negociar e agir com base no que a categoria pensa.

Se você “tem tempo de casa”, sua experiência fortalece o coletivo. Se você “é recente de casa”, sua resposta é essencial para que ninguém fale por você e para que você se reconheça como parte da categoria. 

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

A Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis e Região – SINERGIA, inscrito no CNPJ 83.930.818/0001-30 com sede em Florianópolis, na Rua Lacerda Coutinho nº 149, centro, CEP88015-030, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, CONVOCA os trabalhadores e trabalhadoras da Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, integrantes de sua base territorial, associados e não associados, a participarem da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, a realizar-se no dia 08/01/2026 (quinta-feira) às 18h, em primeira convocação, com o número regular de presentes, e às 18h15min, em segunda e última convocação, com qualquer número de presentes, assembleia esta que será por meio de videoconferência, a fim de discutir e deliberar sobre a seguinte
ORDEM DO DIA:
Discussão e deliberação sobre o ajuizamento e a ratificação de ação coletiva contra a Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, visando à cobrança de diferenças de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) decorrentes da distribuição de dividendos com reservas de lucros acumuladas desde o exercício de 2016;

Discussão e deliberação sobre a fixação das despesas relativos às medidas judiciais referentes ao item anterior;

Apreciação e deliberação sobre Acordo de Bando de Horas apresentado pela Axia Energia;

Assuntos gerais.

Abaixo, segue o link da assembleia pelo Zoom

https://us02web.zoom.us/j/87320234476?pwd=UG4zbVRKcFBsT1gxYlNCak5PUFhuUT09

Florianópolis, 6 de janeiro de 2026

Tiago Bitencourt Vergara

Coordenador Geral do SINERGIA