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Mulheres que fizeram história no Sinergia protagonizam edição especial do Café com História

Em uma roda de conversa marcada por emoção, memória e resistência, mulheres que constroem e construíram a luta no Sinergia compartilharam suas trajetórias em uma edição especial do Café com História, realizada nesta segunda, 30 de março. O encontro reuniu no Auditório do Sinergia, ex-diretoras do sindicato, filiadas e trabalhadoras do setor elétrico, que trouxeram relatos sobre desafios, conquistas e a importância da organização coletiva.

“Como mulher no movimento sindical eu vivi muitas violências que hoje não me permito mais viver. Foram momentos que marcaram a nossa trajetória em uma luta que fazíamos pra fora na defesa de direitos e internamente entre os dirigentes homens de todo o estado”, relatou Vivian Remor, trabalhadora aposentada da Celesc que fez parte da direção do Sinergia de 1993 até 2003.

As falas evidenciaram marcas de um tempo de enfrentamento, anos de luta para garantir o respeito e a participação das mulheres dentro do movimento sindical e nos espaços de decisão. Histórias de mulheres que se somaram aos homens trabalhadores e resistiram contra as privatizações.

No auditório, a memória também ganhou forma em materiais expostos sobre a mesa: recortes de jornais, cartazes e registros de mobilizações que retratam a atuação das trabalhadoras em diferentes frentes. Entre as pautas, destacaram-se o combate ao assédio e à violência, a luta por melhores condições de trabalho, avanços na licença-maternidade, igualdade salarial e a resistência contra processos de privatização.

Albertina Brasiliense, trabalhadora aposentada da Tractebel, atual empresa Engie, e que foi diretora do Sinergia no ano de 1993 a 1996 e de 1998 a 2008, trouxe como memória essa luta contra as privatizações e a resistência que reuniu centenas de trabalhadoras e trabalhadores. “Eles falavam que queriam desinchar a empresa, que éramos muito numerosos e que iriam encolher os nossos postos de trabalho. Foi um período de muita tensão que tivemos que lutar muito para garantir os empregos e direitos”, destacou Albertina.

Cecy Marimon, atual diretora liberada do Sinergia e também trabalhadora da Eletrosul, reforçou essa luta contra as privatizações, relembrou como foi sua chegada no sindicato e a importância da bistória de luta do sindicato. “Eu cheguei na categoria depois de anos de história do Sinergia, não vivi muitas das lutas que as mulheres deste sindicato atuaram, mas tenho certeza que foi o trabalho de cada uma que fortaleceu a nossa caminhada de dirigentes mulheres deste sindicato”, destacou ela.

Mais do que relembrar o passado, o encontro reafirmou o papel das mulheres como protagonistas das lutas sindicais que ao ocuparem o espaço de fala, compartilharam experiências que e inspiram novas gerações de trabalhadoras a seguirem organizadas.

Como a diretora Caroline Camargo Borba, também atual diretora liberada do Sinergia, organizadora da atividade que apresentou as diversas violências vividas pelas mulheres do movimento sindical e a necessidade de mudança de postura de alguns companheiros que seguem comportamentos que atingem e afetam às mulheres.

“Nós precisamos de todos, todas e todes nessa luta contra o patriarcado e ela precisa começar dentro destes espaços revolucionários que são os sindicatos”, frisou Caroline, que também destacou o papel da atividade no debate sobre as mulheres.

“A edição especial do Café com História é um reconhecimento da trajetória dessas mulheres e um chamado à continuidade da luta por direitos, respeito e igualdade no setor elétrico”, explicou Caroline.