Author Archives: Adriana Schmidt

O ano novo da Celesc

A PRECARIZAÇÃO ADENTRA 2026 AMEAÇANDO A EMPRESA PÚBLICA

A virada de ano trouxe uma série de críticas de parlamentares catarinenses ao atendimento da Celesc. A deputada Pau linha (PODEMOS) divulgou um vídeo cobrando investimentos e menor tempo de reação à interrupções na região de Bombinhas. O deputado Napoleão Bernardes (PSD) também gravou vídeo cobrando a Celesc por recorrentes quedas de energia na região do médio Vale do Itajaí. Mais agressivo, o deputado Ivan Naatz (PL) criticou a empresa, afirmando que a Celesc precisa ser “passada a limpo” e que a estatal seria “um grande vexame de Santa Catarina”.

A manifestação da deputada Paulinha gerou uma reunião entre os prefeitos Alexandre da Silva, de Bombinhas, Alexandre Xepa, de Itapema, e Joel Lucinda, de Porto Belo, além de representantes da Diretoria da Celesc. Dessa reunião, a deputada divulgou que foi estabelecido um “plano emergencial” com disponibilização de uma equipe fixa no município de Bombinhas, para agilizar os atendimentos. A Celesc divulgou que o plano de ação inclui a instalação de equipes técnicas fixas nas três cidades, temporariamente, a ampliação dos horários de atendimento emergencial e o deslocamento de 40 transformadores para Porto Belo, com objetivo de agilizar a resposta às ocorrências e reduzir o tempo de restabelecimento em eventuais falhas. 

O caso e as manifestações evidenciam um cenário que a Intercel denuncia desde o início da gestão Tarcísio: a precarização e o foco no lucro atentam contra o bom serviço prestado à população.

É impressionante ver que a Celesc não tenha se planejado para o verão. Todos sabem que o trânsito de acesso às praias do Vale do Itajaí fica caótico no verão e, para garantir o fornecimento de energia, é preciso um planejamento que descentralize o fornecimento de materiais e que tenha equipes disponíveis na região para imediato atendimento. A Operação Verão não é uma novidade. A Diretoria da empresa decidiu ignorar as necessidades da população, restringindo o trabalho dos empregados para economizar no “custo de pessoal”.

Não é plausível pensar que, sabendo do trânsito do verão, a Diretoria de Distribuição tenha achado correto que equipes de manutenção saiam de Itajaí, sua base, enfrentando todo o trânsito do fim do ano, para chegar à região, que inclui municípios que recebem milhares de pessoas na temporada, aumentando a demanda de energia e, consequentemente, a atuação das equipes. Além de aumentar o tempo de atendimento, as equipes de manutenção pesada são terceirizadas, o que influencia a qualidade do serviço prestado. Nos escritórios e na Regional há uma grande falta de pessoal próprio, ignorada pela Diretoria. A soma destes fatores gera a precarização.

Isso mostra as contradições dessa gestão. Afinal, o Presidente gosta de declarar o volume de investimentos feitos pela Celesc nesta gestão. Investir no sistema tem como objetivo primário diminuir a frequência das quedas de energia. No verão, com a sobrecarga da temporada, elas invariavelmente acontecem. E aí, sem trabalhadores para recompor o sistema, a duração da falta de energia será cada vez maior, impactando a sociedade e atraindo falas privatistas e oportunistas.

A situação é fruto da visão desta Diretoria para a Celesc. Menos trabalhadores, restrição de verbas variáveis e predileção pelo serviço terceirizado que, além de mais lento, é inseguro, expondo os trabalhadores.

As manifestações da deputada Paulinha e do deputado Napoleão estão dentro do limite de sua representação e são legítimas: ambos cobram da empresa foco no atendimento à sociedade, papel fundamental de uma empresa pública. Esse é, aliás, o papel da classe política. Cobrar, sugerir, propor e construir políticas públicas para melhorar a vida do povo.

Diferente foi a manifestação grosseira e mal intencionada do deputado Naatz. Os ataques de Naatz à Celesc vêm e vão, com uma conveniência característica da péssima política, aquela que põe interesses próprios à frente do coletivo. Ainda durante o Governo Moisés, Naatz fez campanha semelhante, atacando a Celesc e dizendo que era preciso abrir a “caixa preta” da empresa. Era evidente que utilizava a estatal para suas disputas políticas eleitoreiras, às vésperas da eleição de 2022.

Mas se agora Naatz virou, novamente, um crítico do atendimento da Celesc, é preciso apontar que ele mesmo deu sustentação a esse planejamento que conduz à precarização e, consequentemente, à piora no atendimento à população.

Em 9 de abril de 2025 foi realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) uma audiência pública para debater a Celesc Pública. Diante dos mais de 500 trabalhadores que lotaram o auditório Antonieta de Barros, Naatz posou de preposto da Diretoria da Celesc, defendendo a forma de atuação, o planejamento e, principalmente, a terceirização.

“Em relação à terceirização dos serviços, que é outra reclamação, de que muitos serviços são terceirizados e, em face dessa terceirização, a companhia não promove novos concursos nem amplia seu quadro de servidores efetivos, é preciso reconhecer que a terceirização do serviço público é uma proposta internacional. Não é só em Santa Catarina, não é só no Brasil…”, afirmou, defendendo a Diretoria das críticas feitas pelos trabalhadores. Segundo Naatz, “sem a terceirização, a empresa não consegue manter a régua e a qualidade do serviço que é prestado”, afirmou à época.

Naatz defendeu o modelo de gestão que, além de criticado pelas entidades sindicais, é responsável pela piora na qualidade do serviço prestado. Não há “caixa preta” na Celesc, há uma sucessão de decisões erradas, que colocam a gestão da empresa no mesmo balaio de distribuidoras privatizadas que privilegiam o lucro em detrimento do atendimento à população. Este modelo se apoia na precarização, apontada pelos trabalhadores como a principal característica da gestão Tarcísio. Na própria audiência pública, o Presidente da Celesc foi vaiado pelos celesquianos quando quis confrontar o Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn, que apontava o planejamento da precarização.

Quando participou da audiência, Naatz era líder do governo na Alesc, posto que não ocupa mais. Contudo, segue como deputado da base do governo, do mesmo partido do Governador. As críticas que faz publicamente, são apoiadas pelo governo?

A verdade é que Naatz retoma um oportunismo descarado, criticando os resultados da precarização enquanto dá suporte ao planejamento que levou a ela. O deputado vai além: ofende todos os trabalhadores quando diz que a Celesc é um vexame. Oferece a história da maior estatal catarinense. O digno seria o deputado apontar o dedo para a gestão da empresa, indicada pelo governo que apoia. Que aponte para o Presidente, que não esconde suas predileções pelo lucro, pela terceirização e pela privatização. Que aponte para o Diretor de Distribuição, Cláudio Varella, que não teve competência para organizar a Operação Verão. Que aponte para a Diretoria, que tem no horizonte somente o lucro, cortando verbas que garantiriam a cobertura de atendimento à população. Aliás, Varella é constantemente elogiado pelo Governador, uma vez que sua Diretoria parece ter virado a “diretoria de inaugurações de obras”. Entretanto, é preciso que se reconheça a precariedade da atuação do Diretor que, sendo trabalhador da casa há tanto tempo, deveria conhecer a realidade e planejar a operação para que a população não sofra e a empresa não vire alvo de oportunistas como Ivan Naatz.

A Celesc entra em 2026 com ameaças. Repercutindo os devaneios de Ivan Naatz, o jornalista Marcelo Lula apontou o risco de privatização, afirmando que há muita gente favorável, sem citar nomes. Sabemos que muita gente deseja a privatização da Celesc, inclusive o Presidente da empresa. Entretanto, nenhum deles olha para as necessidades do povo. Para o melhor para Santa Catarina. Uma coisa que os problemas do fim de ano demonstraram foi a falência deste modelo de gestão privada. Enquanto a direção da Celesc seguir tomando os rumos de uma gestão privada, reproduzindo os erros de Enel-SP e Copel-PR, o estado de Santa Catarina terá problemas.

Por isso, manifestações de parlamentares catarinenses cobrando a melhora do atendimento prestado à população são salutares. Olhar a empresa pela ótica de seu papel público de prover energia de qualidade para o desenvolvimento social do estado é o caminho para uma Celesc Pública cada vez mais forte. O que não podemos aceitar é um deputado estadual usar a Celesc para seu jogo político, incentivando uma caça às bruxas, desrespeitando os trabalhadores e ainda incentivando a privatização da empresa.

Por fim, Ivan Naatz afirmou que falaria muito da Celesc na Assembleia Legislativa em 2026. Queremos ver se o Deputado tem coragem de criticar a Diretoria atual, por aquilo que ela é: uma gestão com “mindset privado”, que ignora o caráter público e as demandas da população para aumentar os lucros dos acionistas. Coragem, deputado! 

Axia Energia: duas trajetórias que se encontram no mesmo dia a dia

Há quem entrou na empresa estatal Eletrobras, viveu negociações, mobilizações, greves e aprendeu que direito não é favor e que conquista vem de organização. E há quem chegou pós privatização, já na Axia, por contratação direta, em outra cultura de trabalho e ainda não teve a chance de entender como funciona, na prática, a luta coletiva e sindical.

Mas uma coisa é igual para todo mundo: as decisões de cima impactam aqui embaixo. Metas, pressão, mudanças de regras, benefícios, condições de trabalho, saúde e segurança… nada disso escolhe “tipo de contratação”. Atinge a categoria inteira.

É por isso que a luta sindical importa: ela transforma o “cada um por si” em “todo mundo junto”. E quando a gente fala em conjunto, a empresa escuta diferente. Unidade virá respeito. Silêncio vira decisão tomada por outras pessoas.

Agora, precisamos de um passo simples e importante: Responder à pesquisa do Coletivo Nacional dos Eletricitários. Ela vai nos ajudar a entender como construir uma boa proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho que o CNE negociará em 2026.

O link será acessado pelo QR Code abaixo. A pesquisa é anônima, leva poucos minutos e tem peso enorme: ajuda a mapear o que realmente está acontecendo, organizar prioridades e dar força para cobrar, negociar e agir com base no que a categoria pensa.

Se você “tem tempo de casa”, sua experiência fortalece o coletivo. Se você “é recente de casa”, sua resposta é essencial para que ninguém fale por você e para que você se reconheça como parte da categoria. 

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

A Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis e Região – SINERGIA, inscrito no CNPJ 83.930.818/0001-30 com sede em Florianópolis, na Rua Lacerda Coutinho nº 149, centro, CEP88015-030, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, CONVOCA os trabalhadores e trabalhadoras da Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, integrantes de sua base territorial, associados e não associados, a participarem da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, a realizar-se no dia 08/01/2026 (quinta-feira) às 18h, em primeira convocação, com o número regular de presentes, e às 18h15min, em segunda e última convocação, com qualquer número de presentes, assembleia esta que será por meio de videoconferência, a fim de discutir e deliberar sobre a seguinte
ORDEM DO DIA:
Discussão e deliberação sobre o ajuizamento e a ratificação de ação coletiva contra a Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, visando à cobrança de diferenças de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) decorrentes da distribuição de dividendos com reservas de lucros acumuladas desde o exercício de 2016;

Discussão e deliberação sobre a fixação das despesas relativos às medidas judiciais referentes ao item anterior;

Apreciação e deliberação sobre Acordo de Bando de Horas apresentado pela Axia Energia;

Assuntos gerais.

Abaixo, segue o link da assembleia pelo Zoom

https://us02web.zoom.us/j/87320234476?pwd=UG4zbVRKcFBsT1gxYlNCak5PUFhuUT09

Florianópolis, 6 de janeiro de 2026

Tiago Bitencourt Vergara

Coordenador Geral do SINERGIA

Ano de lutas, vitórias e de preparação para novas batalhas

Categoria precisará seguir unida e mobilizada em 2026

O ano 2025 foi forjado na luta e na unidade da categoria. Na Celesc, 11 dias de greve. Na Eletrobras – agora Axia -, a confiança da categoria nos sindicatos foi um grande diferencial. Os resultados da luta, da unidade e da confiança começaram a aparecer já em dezembro: a mudança nas estruturas de Diretoria da Celesc não ocorreu como inicialmente proposta, em uma vitória dos trabalhadores. As mobilizações ao longo do ano surtiram efeitos e a Diretoria Comercial manteve sua estrutura básica, dificultando a abertura de portas para a terceirização. Na Eletrobras, a aprovação no Congresso Nacional do PL que realoca trabalhadores da antiga empresa pública deu um gás de esperança em dias melhores. Na Cerej, o Acordo Coletivo deste ano trouxe avanços, fruto também da confiança da categoria na representação sindical. Já no fim de 2025, trabalhadoras e trabalhadores da AXS Energia rejeitaram por expressiva votação a contraproposta ao Acordo Coletivo, demonstrando que os trabalhadores entendem que merecem ser melhor recompensados. Nas demais cooperativas de energia, estado afora, os Acordos Coletivos ou mantiveram a estrutura que já tinham ou tiveram pequenos avanços. Em Brasília, neste fim de ano, tramitam projetos que podem beneficiar a categoria como um todo nos próximos anos: tanto o projeto que trata do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, como o projeto que pretende conceder a aposentadoria especial para eletricitários que atuam em área de risco. Parcela considerável da classe trabalhadora ainda foi beneficiada com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Foi um grande ano!

Se em 2025 a categoria eletricitária de Santa Catarina demonstrou unidade e força, em 2026 a receita terá de ser a mesma. As ameaças seguem constantes. A classe empresarial e o patronato têm grande número de cadeiras no Congresso Nacional e estará nas mãos dos trabalhadores mudar essa realidade no pleito de outubro. Não dá mais para votar em quem não defende os seus direitos ou em quem não defende o serviço e as empresas públicas. Celesquiano que votar em candidato que não defende escancaradamente a manutenção da Celesc Pública estará assinando a sua própria demissão. Não basta o candidato falar no pé do ouvido do eleitor que defenderá a Celesc Pública. Ele precisa fazer isso abertamente, nos discursos, nas redes sociais e no material de campanha. A Celesc segue em risco de privatização e os sinais mais recentes dos indicados do governador Jorginho Mello (PL) dão conta que o projeto está em estágio avançado. A união e a disposição de luta da categoria é que poderão barrar esse projeto – o estado de São Paulo por diversas vezes provou em 2025 que a privatização da água e da energia só traz prejuízos à população.

Tanto na única empresa pública de energia de Santa Catarina, como nas empresas privadas e cooperativas, a filiação dos trabalhadores será decisiva para a manutenção das lutas em defesa de direitos. Não se trata somente do apoio financeiro – muito necessário -, mas também do apoio político, do gesto de confiança e da representatividade.

O compromisso dos sindicatos que compõem a Intercel e a Intersul é de permanecer na luta e no diálogo constante com os seus representados. 

Intercel e Intersul desejam a você e sua família um abençoado Natal, um próspero Ano Novo e que 2026 seja um ano marcado pelo fim das guerras e de todas as formas de violências. 

Vitória dos trabalhadores da Celesc

MOBILIZAÇÃO E LUTA DOS CELESQUIANOS FAZEM COM QUE ATENDIMENTO COMERCIAL PERMANEÇA NA DIRETORIA COMERCIAL

Em julho deste ano a notícia de uma alteração na estrutura das Diretorias da Celesc trouxe preocupação para os celesquianos. As notícias mostravam que a reestruturação proposta pela Diretoria da empresa trazia riscos regulatórios, abria as portas para a terceirização do atendimento comercial e atentava contra a participação dos trabalhadores na gestão da empresa, esvaziando as competências da Diretoria Comercial, a única eleita pelos trabalhadores.

Desde então, os sindicatos da Intercel buscaram mobilizar trabalhadores e trabalhadoras para garantir que a mudança da estrutura não prejudicasse o caráter público da Celesc e o atendimento à população, papel principal de uma empresa pública. Ainda em agosto, os dirigentes sindicais iniciaram uma percorrida nos gabinetes da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), buscando apoio de deputados estaduais para barrar quaisquer alterações que pudessem trazer risco à Celesc Pública, aos trabalhadores e à sociedade.

O tema foi debatido à exaustão no Conselho de Administração, com recorrentes manifestações do Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Guilherme Horn, apontando os prejuízos e riscos contidos na proposta. Além de registrar os posicionamentos da representação dos trabalhadores, o Conselheiro eleito atuou para informar a categoria, suscitando junto à Intercel a união e a mobilização dos trabalhadores em defesa da Celesc Pública.

O tema esteve pautado para deliberação ainda em setembro, quando os trabalhadores, organizados pelos sindicatos da Intercel, realizaram forte mobilização às portas da reunião do Conselho de Administração, forçando a retirada de pauta da proposta. Infelizmente, a reestruturação voltou à pauta em novembro, sendo aprovada com o voto contrário da representação dos empregados no Conselho de Administração.

Entretanto, a aprovação no Conselho de Administração não encerrou o trabalho da Intercel, que permaneceu trabalhando em conjunto com os deputados estaduais, uma vez que a proposta ainda teria que passar por debate e aprovação na ALESC, conforme determina a Constituição do Estado de Santa Catarina. A persistência das representações dos trabalhadores e a disposição de luta da categoria deu resultado.

Nesta semana, o representante dos empregados divulgou uma grande vitória dos trabalhadores: em um recuo da Administração, foi convocada reunião extraordinária do Conselho de Administração para rever a proposta aprovada em novembro. A nova proposta cancelou a ida do Atendimento Comercial para a Diretoria de Regulação, mantendo a área na Diretoria Comercial, garantindo a continuidade dos sistemas comerciais, a qualidade do serviço prestado, a participação dos trabalhadores na gestão e colocando uma barreira a qualquer intenção de terceirização do atendimento Comercial.

Apesar da conquista, o Conselheiro Paulo Horn informou que as demais alterações foram mantidas e, por coerência, registrou voto contrário a elas. A proposta deve ser encaminhada e votada ainda esta semana no pacotão de fim de ano que o Governo do Estado tradicionalmente encaminha à ALESC, e deve ser aprovada. Cabe à categoria, através da representação dos trabalhadores no Conselho de Administração e dos sindicatos da Intercel, a permanente vigilância e fiscalização dos desdobramentos dessa reestruturação, lutando pela manutenção da Celesc Pública e sem jamais esquecer que a luta dos trabalhadores dá resultado. 

Circuito de arte em Santa Catarina é tema do novo livro de Kamilla Nunes

“Maresia: Arte Contemporânea em Santa Catarina” será lançado na quinta-feira, dia 11 de dezembro na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis


Santa Catarina ganha um novo registro de sua produção artística contemporânea. No próximo dia 11 de dezembro, às 19h, a Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, recebe o lançamento de “Maresia: Arte Contemporânea em Santa Catarina”, obra da artista visual, curadora e professora Kamilla Nunes. A entrada é gratuita.

Aos 37 anos, a manezinha que escreve sobre arte desde os 18 consolida em 208 páginas uma pesquisa que atravessa décadas e reúne entrevistas, depoimentos e ensaios de artistas e curadores atuantes no estado.

A publicação, aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024 e publicada em coedição pela CAIS Editora e EditoraEditora, será distribuída gratuitamente em versões impressa, digital e audiolivro. No tamanho A5 e dividido em seis capítulos, Maresia se organiza em três grandes eixos: circuitos, artistas e instituições, e busca compreender a virada do século XXI na arte contemporânea, sem cair em rótulos ou bairrismos.

Kamilla ressalta que a obra se organiza como um percurso compartilhado, fragmentos que se abrem em múltiplas direções, como um arquipélago de experiências, onde cada ilha é correnteza, memória em deriva, pensamento em movimento.

“Distante da lógica do bairrismo e da tentativa de fixar características de uma ‘arte catarinense’, prefiro pensar, com Édouard Glissant, em arquipélagos: espaços de relação que admitem a multiplicidade do real, aproximam litorais e aceitam a deriva sem reduzi-la à futilidade. É nesse mar que este livro se escreve, feito de errâncias, ecos, maresias e correntes cruzadas”, compartilha Kamilla.

A autora, que em 2013 publicou o livro “Espaços Autônomos de Arte Contemporânea”, atua como curadora e professora e já passou por diversas instituições de Santa Catarina, sempre com foco na criação de espaços de encontro e reflexão sobre os processos artísticos e curatoriais, sente-se feliz em lançar mais um trabalho num dos espaços mais conceituados de arte contemporânea em Santa Catarina. “É uma honra e um privilégio lançar este livro na Fundação Cultural Badesc”, completa.

O lançamento acontece na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis

PL da Devastação é ‘ataque direto’ aos povos indígenas, denuncia escritor Djagwa Tukumbó

Autor lança livro bilíngue e critica retrocessos ambientais, apagamento histórico e limitações da política indigenista

*Por Adele Robichez E Lucas Salum

O escritor e ativista indígena Djagwa Tukumbó vê no Projeto de Lei (PL) da Devastação um “ataque direto” aos povos originários e ao meio ambiente. Ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, ele afirmou que a flexibilização do licenciamento ambiental expressa interesses políticos e econômicos distantes das preocupações climáticas e comunitárias. “A grande mão que coordena tudo isso, na verdade, tem um nome: políticos”, disse. Para ele, mesmo terras demarcadas continuam vulneráveis sem o acompanhamento e a presença do Estado. “Demarcar terra e não acompanhar é a mesma coisa que não demarcar”, criticou.

Ao comentar 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e a derrubada dos vetos presidenciais ao PL no mesmo período, Tukumbó criticou a ausência de lideranças indígenas nos espaços de decisão. “Nós não tivemos, com voz ativa, nenhuma liderança sentada nas mesas de negociação”, apontou. Ele também avalia que a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, ainda enfrenta limites na sua atuação. “Vemos uma pessoa que está ali, mas de mãos atadas. Ela não tem um poder forte de negociação”, avaliou.

Djagwa apresentou também seu novo livro, As aventuras de Kara’i Tukumbó – o espírito das águas, uma obra bilíngue em português e guarani que aborda saberes ancestrais, proteção ambiental e impactos do garimpo. A escolha de escrever nos dois idiomas, explica, busca fortalecer o pertencimento cultural. “Você pode traduzir a ideia, mas não tem como traduzir literalmente. Foi a minha preocupação em escrever em português e em guarani, para despertar o aprendizado desse idioma”, contou.

O escritor defendeu a ampliação do uso de línguas indígenas no cotidiano, na educação e em políticas públicas, citando exemplos como Paraguai e Bolívia. “Quando você volta às suas raízes, isso deixa mais digno saber da sua ancestralidade. O idioma é uma forma de resgatar isso”, indicou. Ele também destacou como diversas expressões e costumes brasileiros, do chimarrão à expressão “tchê”, derivam do guarani, embora muitas vezes sejam apropriados sem reconhecimento de origem. “Seria legal contar isso para as gerações que estão vindo. O problema não é usar essas referências, problema é o apagamento histórico”, pontuou.

Durante a conversa, Tukumbó leu um trecho da obra em guarani, no qual ele diz que “haverá uma conscientização coletiva, e as pessoas irão se agrupar em torno de uma só causa: a floresta e a preservação da vida e do planeta”. Em seguida, comentou a potência do registro escrito como uma forma de resistência. Ele conta que a escrita tem inspirado jovens indígenas, embora parte das lideranças mais antigas ainda prefira manter alguns conhecimentos apenas na oralidade. “Vimos que podemos alcançar um número maior de pessoas e atravessar fronteiras”, afirmou.

Entrevista completa em: – BdF Entrevista PL da Devastação é ‘ataque direto’ aos povos indígenas, denuncia escritor Djagwa Tukumbó – Brasil de Fato

Celesc completa 70 anos sob ameaça

REESTRUTURAÇÃO APROVADA IGNORA TRABALHADORES E COLOCA CARÁTER PÚBLICO EM RISCO

A Celesc, maior empresa estatal de Santa Catarina, está prestes a completar sete décadas de existência no próximo dia 9, mas, em vez de celebrar apenas conquistas, o jornal Linha Viva destaca que os trabalhadores enfrentam um dos momentos mais preocupantes da história recente da companhia. Enquanto a Diretoria promove festividades e discursos sobre os 70 anos, avança silenciosamente um processo de reestruturação que fragiliza a Celesc Pública e contraria tudo o que os eletricitários catarinenses construíram ao longo de anos de resistência. O relato da aprovação da proposta de reestruturação das diretorias foi feito pelo Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn, no Boletim do Conselheiro 96, na última semana de novembro e encaminhada por e-mail a todos os celesquianos. É de leitura necessária para toda a categoria o relato feito por Paulo em seu mais recente Boletim.

 Resistência que mantém a Celesc pública 

 No relato do Conselheiro eleito, ele lembra que, em um setor dominado por privatizações, a Celesc só permanece pública porque seus trabalhadores nunca deixaram de lutar. Mobilização, organização e disposição de enfrentamento sempre foram marcas da categoria. Foi assim que se consolidaram as Comissões de Gestão e Resultados, a participação no Conselho de Administração e na Diretoria — mecanismos que garantiram presença ativa dos empregados na defesa da empresa.

 Paulo lembra que essa história de resistência coletiva é justamente o que está em risco agora.

 Reestruturação aprovada sem diálogo e com graves consequências

 Desde meados deste ano, a Diretoria e o Governo do Estado insistem em uma reestruturação que, desde o início, apresentou falta de transparência, mudanças constantes e inúmeras perguntas sem respostas. Os trabalhadores se manifestaram na porta da reunião do Conselho de Administração, no prédio do Itacorubi, alguns meses atrás, solicitando diálogo antes da aprovação da proposta, mas, mesmo assim, não foram ouvidos e alguns pontos críticos nunca foram alterados. Entre eles, os seguintes destaques:

-Risco regulatório ao misturar as áreas de geração e distribuição sob uma mesma diretoria;

-Criação de uma diretoria voltada à gestão de terceirizados, abrindo caminho para a precarização dos serviços;

-Desmonte da Diretoria Comercial, único espaço onde o diretor é eleito pelos trabalhadores, reduzindo drasticamente a participação democrática dos empregados na gestão.

 Apesar de todas as denúncias e alertas dos sindicatos, dos empregados e de seu representante eleito, o Conselho de Administração aprovou a reestruturação. O único voto contrário foi justamente o do representante dos trabalhadores. Na Diretoria Executiva, conforme relato do Boletim do Conselheiro, a situação foi ainda mais grave: apenas o diretor eleito pelos empregados se posicionou contra a mudança, enquanto todos os outros — inclusive diretores oriundos da própria Celesc, mas indicados politicamente — apoiaram o projeto.

 Celesc se distancia de sua função pública 

 A reestruturação aponta para um modelo de empresa que se aproxima cada vez mais da lógica privatista: foco no retorno financeiro aos acionistas, aumento de terceirização, precarização do atendimento e perda da identidade pública construída ao longo de 70 anos.

É importante lembrar que a Celesc não é apenas uma distribuidora de energia. Ela é um patrimônio do povo catarinense, fundamental para o desenvolvimento do Estado é reconhecida justamente por sua capilaridade, respeito aos regionalismos e atuação pública. Transformá-la em uma empresa voltada ao lucro é abandonar esse compromisso. 

 Entre discursos comemorativos e ameaças concretas 

Ainda em seu Boletim, o Conselheiro lembra que nos Jogos da FAEC, na penúltima semana de novembro, a Diretoria investiu pesado na propaganda dos 70 anos da Celesc. Músi ca, vídeos, discursos e parabéns. Mas a pergunta que fica é: que empresa completará 70 anos no dia 9 de dezembro? E, principalmente: qual será o papel dos trabalhadores no futuro da Celesc?

 A luta continua 

 A aprovação da reestruturação é um ataque direto à Celesc Pública e aos seus trabalhadores. Não aceitaremos retrocessos que ameacem o caráter estatal da empresa, comprometam a qualidade do serviço ou reduzam o papel estratégico da Celesc no desenvolvimento de Santa Catarina.

 O movimento sindical reafirma seu compromisso com a defesa intransigente da Celesc Pública, com a participação dos trabalhadores e com a qualidade do serviço prestado à população. A luta continua — e será decisiva para o futuro da nossa empresa. Se necessário for, celesquianos e celesquianas estão dispostos a lutar por mais 70 anos em defesa da Celesc Pública e da qualidade dos serviços prestados à população catarinense! 

STF julga homologação de acordo entre Axia e Governo

Proposta de acordo não aumenta o poder de voto da União

O Supremo Tribunal Federal retomou na quinta-feira, 27 de novembro, o julgamento sobre a homologação do acordo entre a Axia (novo nome da antiga Eletrobras) e o governo federal. Após as sustentações orais, o julgamento foi suspenso e será retomado posteriormente, em data ainda não agendada.

 O caso voltou ao Plenário a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Antes disso, os ministros Nunes Marques  (relator), Dias Toffoli e Edson Fachin já haviam votado a favor da homologação e da extinção do processo.

 O acordo não aumenta o poder de voto da União, que continua limitado a 10%, apesar de deter 42% das ações ordinárias. Porém, o governo passa a ter mais nomes indicados na empresa: poderá indicar 3 dos 10 conselheiros de administração e 1 dos 5 membros do conselho fiscal.

 A disputa surgiu porque a Advocacia Geral da União, em ação direta de inconstitucionalidade, alegou que a limitação do voto da União é desproporcional, prejudica o patrimônio público e fere princípios de interesse público. Em 2023 iniciou-se um processo de conciliação, mediado pela Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, que resultou no acordo enviado ao STF para homologação.

Fundação Cultural Badesc homenageia Paulo Gaiad com “Matéria Prolífica”

Exposição reúne cerca de 50 obras que exploram a relação tempo, matéria e repetição na produção do artista; abertura será na sexta-feira, 5 de dezembro

A exposição “Matéria Prolífica”, dedicada à obra do artista Paulo Gaiad (1953-2016), vai ocupar todos os espaços da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, com cerca de 50 obras. A abertura da mostra do projeto ‘Ocupação Casa Toda’ será a partir das 19h de sexta-feira, dia 5 de dezembro. A entrada é gratuita.

Com curadoria de Thays Tonin, Victoria Beatriz, Rainara Sofia, Georgia Bergamin, Estela Camillo e Eduarda Andrade, a mostra é fruto de uma pesquisa desenvolvida ao longo de quase um ano no Acervo Artístico Paulo Gaiad, antigo ateliê do artista, hoje preservado pela família. Segundo as curadoras, esse mergulho no acervo permitiu revelar diferentes camadas da produção do artista, marcada por três décadas, e foi possível reunir obras que atravessam diferentes linguagens e suportes, resultado do interesse contínuo de Gaiad.

Entre os trabalhos reunidos para a exposição estão objetos, fotografias e desenhos, que evidenciam o uso de materiais diversos como gesso, metal e papel. “Essa multiplicidade de suportes revela a prática artística de Gaiad, marcada pela recusa em delimitar fronteiras rígidas entre pintura, escultura ou desenho”, destaca Victoria.

Tempo, matéria e recorrência: o eixo curatorial

A recorrência, um aspecto transversal da obra de Gaiad, foi o ponto de partida escolhido pela curadoria para conduzir a narrativa expositiva da exposição. A repetição insistente de símbolos: a cruz, os corpos nus, a serpente, o lagarto, e o retorno contínuo de imagens e materiais apropriados, sempre reconfiguradas em novas aparições, integram os trabalhos do artista.

Já o título da exposição remete à ideia de algo que se multiplica e se desdobra em camadas, uma fonte inesgotável de criação presente na trajetória do artista. “Matéria Prolífica” é uma oportunidade de revisitar a obra de Gaiad e perceber como suas criações se multiplicam em camadas de sentido. Cada peça carrega o vestígio da anterior, instaurando uma conversa infinita entre o artista e o tempo”, afirma Victoria, uma das curadoras do projeto.

A mostra enfatiza ainda a proximidade da obra do artista com ritos e gestos associados a morte, como relíquias, lápides, vestígios, que são reveladas em suas criações e dialogam com memórias íntimas e coletivas. Obras das séries como “Galícia”, “Monumento às Vítimas do Descobrimento da América” e “Divina Comédia – Inferno”, apresentam a potência crítica de Gaiad e destacam essa dimensão crítica acerca do luto. 

Radicado em Florianópolis desde os anos 1980, o artista incorporava o desgaste e a corrosão como parte de seu processo criativo, antecipando o encontro inevitável entre tempo e matéria.

Homenagem

Há dez anos, Paulo Gaiad foi o primeiro artista a ocupar todos os espaços da Fundação Cultural Badesc com a mostra “Impossibilias: memória e arquivo em Paulo Gaiad”, uma de suas últimas exposições em vida, já que veio a falecer alguns meses após a abertura, em 2016.

Para as curadoras, retomar essa ocupação agora é reafirmar a potência de sua obra e celebrar sua memória, mantendo viva a conversa infinita entre o artista e o tempo.

“Matéria Prolífica” poderá ser visitada até 19 de fevereiro de 2026 na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis/SC, de segunda a sexta, das 13h às 19h.

Serviço: Abertura Exposição “Matéria Prolífica”, de Paulo Gaiad

Data: 5 de dezembro – sexta-feira, às 19h

Local: Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis/SC)

Visitação gratuita até 19 de fevereiro de 2026 (de segunda a sexta, das 13h às 19h)