Os trabalhadores da SETUP, empresa terceirizada da Celesc e responsável por serviços de construção, manutenção e operação de redes elétricas na Grande Florianópolis, iniciaram nesta segunda-feira (15/6) uma greve por tempo indeterminado. A mobilização reduzirá o atendimento na Grande Florianópolis, visto que parte dos serviços da estatal é realizada pela empresa terceirizada. A greve conta com o apoio do Sinergia e denuncia uma realidade de precarização que há anos afeta os trabalhadores terceirizados do setor elétrico.
Entre as principais reivindicações estão a implementação do piso regional dos eletricitários, a negociação coletiva de trabalho com um sindicato que represente de fato os eletricitários, o cumprimento das normas de segurança do trabalho, a garantia de direitos previstos na legislação trabalhista e o fim das práticas de gestão baseadas em metas e cobranças que colocam em risco a vida dos trabalhadores.
Os relatos recebidos pelo Sinergia revelam uma situação preocupante. Além dos baixos salários, a empresa estaria submetendo os eletricistas a uma forte pressão por produtividade, mesmo em uma atividade de alto risco. Atualmente, a SETUP paga R$ 1.977,73 aos eletricistas, valor muito abaixo do piso regional da categoria, fixado em R$ 2.899. Soma-se a isso a ausência de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) há cerca de dois anos e a falta de técnico de segurança do trabalho nos últimos meses.
A SETUP mantém contrato milionário com a Celesc para a execução desses serviços. Em março deste ano, foi firmado um contrato de aproximadamente R$ 21,3 milhões com vigência de 36 meses. Diante desse cenário, o Sinergia protocolou ofício junto à Celesc cobrando providências imediatas, uma vez que a contratante também possui responsabilidade sobre as condições em que os serviços são executados.
A greve expõe um problema estrutural da terceirização no setor elétrico: trabalhadores que realizam atividades essenciais e perigosas recebem salários menores, possuem menos proteção e enfrentam condições de trabalho mais precárias do que aquelas garantidas aos empregados diretos. Trata-se de uma lógica que reduz custos às custas da segurança, da saúde e da valorização profissional.
É inadmissível que trabalhadores responsáveis por uma atividade essencial para a população catarinense atuem em condições marcadas por baixos salários, insegurança e desrespeito aos seus direitos. O Sinergia seguirá acompanhando a mobilização e prestando todo o apoio necessário aos trabalhadores até que suas reivindicações sejam atendidas.





