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Intercel e APCelesc apoiam reeleição de Paulo Horn ao Conselho de Administração

Iniciou nesta quarta-feira, dia 14, a campanha eleitoral para Representante dos Empregados no Conselho de Administração da Celesc. Desde 1994 a Intercel apoia candidatos, tendo construído um trabalho coletivo que transformou o espaço em uma das principais instâncias de defesa da Celesc Pública e dos celesquianos.

A categoria eletricitária considera a representação fundamental para a luta dos trabalhadores, tendo aprovado no 12° Congresso dos Empregados da Celesc, realizado em Blumenau no último ano, que os sindicatos da Intercel mantenham o apoio político e financeiro a uma candidatura identificada e compromissada com os celesquianos.

Nesse contexto, a Intercel manifesta o apoio a Paulo Horn. Atual Conselheiro representante dos celesquianos, Paulo tem sua história na Celesc ligada ao movimento sindical, tendo sido dirigente e jornalista da Intercel por 10 anos, coordenando o coletivo sindical em 2020. Durante dois mandatos, atuou com muito diálogo, visitas às bases e prestação de contas constante a cada reunião do Conselho. Foi, ainda, o interlocutor entre sindicatos e Conselho de Administração em diversas manifestações e em momentos em que a Celesc esteve sob risco de perder seu caráter de empresa pública. 

O diálogo constante com os trabalhadores, a atuação conjunta com a Intercel e a atenção a todos os movimentos que ocorrem no Conselho foram fundamentais para a manutenção da Celesc Pública,num cenário em que quase todas as concessionárias de energia foram privatizadas e, consequentemente, perderam qualidade.

É por esse motivo que a Intercel e a APCelesc pedem mais uma vez o seu voto de confiança em Paulo Horn. A representação dos empregados precisa, novamente, chegar ao Conselho de Administração com um grande respaldo dos trabalhadores, com uma votação expressiva, que demonstra a confiança da categoria em sua atuação e a força dos trabalhadores para influenciarem a gestão e defenderem a empresa pública.

Por ser uma campanha curta, não será possível visitar todos os postos de trabalho. Entretanto, os sindicatos percorreram a base para reafirmar os compromissos de luta em defesa dos celesquianos e contra a privatização, levando adiante nosso lema: CELESC PÚBLICA, BOM PARA TODO MUNDO!

TRABALHADORES TAMBÉM ELEGERÃO DIRETOR COMERCIAL 

Junto com a eleição para Conselheiro será realizada a eleição para Diretor Comercial. Conforme definido no Congresso dos Empregados, a Intercel não apoia candidaturas, defendendo o direito dos celesquianos escolherem entre um dos empregados aquele que os representará na Diretoria. Mantendo o compromisso de informar os empregados, o Linha Viva entrevistou os 3 candidatos. As perguntas e respostas podem ser conferidas nas páginas centrais desta edição.

Jornal Linha Viva entrevista candidaturas à Diretoria Comercial na Celesc

O jornal Linha Viva mantém a tradição e mais uma vez entrevista as candidaturas à Diretoria Comercial na Celesc. Os três candidatos homologados pela Comissão interna da Celesc foram contatados na última sexta-feira, dia 9 de janeiro, receberam as mesmas perguntas e tiveram o mesmo prazo para enviar suas respostas: nesta segunda-feira, dia 12, até às 18h. Todos eles responderam dentro do prazo e seguiram as regras previamente estabelecidas. Abaixo você confere as perguntas feitas pelo Linha Viva e as respostas enviadas pelos candidatos. A Intercel recorda que, por decisão do último Congresso dos Empregados da Celesc, realizado em maio passado, em Blumenau, há a definição da categoria para que os sindicatos não apoiem candidaturas à Diretoria Comercial da Celesc. Do mesmo Congresso, foi tomada a decisão pela categoria para que houvesse apoio à candidatura para Representante dos Empregados no Conselho de Administração da empresa – candidatura hoje representada por Paulo Horn. A Intercel reforça a recomendação para que a categoria ouça todas as propostas e participe dos encontros com os candidatos, tanto à Diretoria Comercial como ao Conselho de Administração. 

Evandro de Paula Santos

Sou formado em Técnico em Eletrotécnica, Administração de Empresas e tenho MBA em Gestão Pública. Trabalho na Celesc há 19 anos. Trabalhei na loja de atendimento e na SPTC. Fui gerente comercial da DVCL. Como trabalho principal destaco o combate à inadimplência, pois pela primeira vez na ARFLO, conseguimos atingir a meta! Fui gerente do DPGC e responsável pelas 259 lojas de atendimento, call center, os grandes clientes e o faturamento.

Orli Osvaldo do Carmo 

Sou Orli Osvaldo do Carmo, economista (UFSC) e especialista em Gestão e Comercialização de Energia Elétrica (FEPESE). Na Celesc desde 2006, atuo em conjunto com as equipes na busca de soluções. Como ex-Gerente de Faturamento, liderei projetos de impacto direto na eficiência, como a implantação do Sistema de Leitura, Impressão e Entrega Simultânea (LIES). Na Diretoria Comercial unirei experiência e competência técnica para fazer “Uma só Celesc”.

Wagner Felipe Vogel 

Natural de Jaraguá do Sul, engenheiro mecânico, com MBAs em Gestão Empresarial e Gestão de Projetos. Na CELESC desde 2014, atuei pela CELESC Geração, na Agência Regional de Jaraguá do Sul e, desde 2019, em Joinville, como gerente do Núcleo Norte e da Agência Regional. Estas oportunidades permitiram conhecer os processos da companhia, os desafios e buscar melhorias visando a qualidade do serviço e a manutenção da CELESC Pública e eficiente.

Qual a maior necessidade da Diretoria Comercial da Celesc hoje? Que prioridade você elenca para sua atuação como diretor Comercial? 

Evandro: Resolver as pendências do sistema comercial. Não podemos achar normal a situação caótica desse sistema. Minha prioridade será realizar uma força-tarefa para resolver essas pendências com duas vertentes: problemas mais complexos e os problemas pontuais que dificultam o trabalho no dia a dia. Vamos ampliar o quadro de lotação devido às novas demandas do sistema. Durante o Congresso dos Empregados muitos manifestaram o interesse por melhores treinamentos e vamos realizar um treinamento presencial para todos os envolvidos no sistema comercial.

Orli: Nossa maior necessidade é humanizar os processos e sanar a instabilidade do Connect, que tem gerado adoecimento e sobrecarga aos empregados. Minha prioridade será estabilizar o sistema, fortalecer e valorizar as equipes e colocar as demandas em dia, devolvendo a tranquilidade e a dignidade aos celesquianos e celesquianas. Não aceitaremos a ineficiência como destino; vamos consertar os processos para proteger a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, a imagem da Celesc e o patrimônio dos catarinenses.

Wagner: Hoje, a maior necessidade da Diretoria Comercial é a estabilização dos processos impactados pela implantação do SAP, com maior criticidade nos processos de faturamento, arrecadação e consequentemente, na gestão da inadimplência. A prioridade da minha atuação será dar previsibilidade às equipes, ouvir as demandas regionais e de nossos clientes, e restabelecer a qualidade do nosso atendimento e do serviço prestado, com foco em eficiência operacional, transparência e valorização do trabalho dos empregados.

O cenário nacional e local tem colocado os direitos de trabalhadores em constante ameaça e as últimas negociações coletivas na Celesc têm sido muito difíceis. Diante da Diretoria Colegiada, qual será sua postura sobre os direitos de celesquianas e celesquianos?

Evandro: Os direitos dos trabalhadores da Celesc são fruto de uma forte organização sindical e de uma luta constante dos empregados! Serei um defensor dos direitos dos empregados e defenderei a valorização salarial. Sou um candidato sem compromisso com nenhum grupo político e independente da atual diretoria. Sou livre para defender exclusivamente os interesses dos empregados e da Celesc Pública, sempre! Defendo também que o valor global da PLR seja revisto e ampliado para que haja uma distribuição maior e mais justa para os empregados!

Orli: Sou parceiro de luta e defensor da igualdade de direitos e da qualidade de vida. Minha postura será de defesa da união da classe: “Uma Só Celesc”. Lutarei pela isonomia e igualdade de direitos e benefícios, pois acredito que para trabalho igual, deve haver reconhecimento igual. Na Diretoria Colegiada, atuarei para que a valorização das pessoas e ambientes humanos de trabalho sejam o alicerce de qualquer decisão, combatendo a precarização.

Wagner: Minha postura será de respeito aos direitos dos(as) celesquianos(as), com diálogo permanente com as entidades representativas. Acredito na CELESC Pública, forte e eficiente, com relações de trabalho equilibradas, seguras e valorizadas. Na Diretoria Co legiada, respeitando a alçada das diferentes diretorias, defenderei soluções negociadas, responsáveis e sustentáveis, que preservem direitos e garantam a continuidade do serviço público de qualidade.

Como você se posiciona em relação à manutenção da Celesc Pública? Como pretende atuar em defesa da Celesc Pública?  

Evandro: Minha primeira proposta de campanha e mais importante é a Defesa da Celesc Pública! Como empresa pública, a Celesc possui uma das tarifas mais baixas do país e oferece um atendimento de qualidade à população. A Celesc sempre esteve entre as melhores concessionárias e em 2020 ganhamos o prêmio de melhor distribuidora de energia do país na avaliação do cliente. Na diretoria colegiada, serei um defensor da Celesc Pública, um diretor comprometido com os interesses dos empregados! Combaterei todo movimento de diretores ou presidente que tenha intenção de privatização. Celesc Pública, sempre!

Orli: Celesc pública é questão de honra; é a força motriz para o desenvolvimento de Santa Catarina há 70 anos. A privatização visa apenas o lucro, resultando em demissões, precarização dos serviços e da qualidade de vida do trabalhador, prejudicando à sociedade como um todo. Atuarei com eficiência técnica e financeira, combatendo a inadimplência e as fraudes para fortalecer o caixa e blindar nossa concessão pública. Serei uma voz firme na Colegiada e no Conselho de Administração em defesa de uma CELESC PÚBLICA, JUSTA E EFICIENTE.

Wagner: Sou defensor da CELESC Pública e eficiente. Nossa empresa cumpre um papel ESTRATÉGICO para Santa Catarina como agente propulsor do desenvolvimento econômico e social. Isso só é possível com a gestão integrada às políticas públicas, voltada ao interesse do catarinense, diante deste serviço básico que é a energia elétrica. Atuarei para fortalecer a gestão pública PROFISSIONAL, que entrega RESULTADOS, com TRANSPARÊNCIA e RESPONSABILIDADE, cumprindo sua função estatutária e social. A CELESC do catarinense é pública, tem qualidade, tarifa justa e imagem respeitada junto aos nossos clientes.

Hoje, muitos celesquianos entendem que a diretoria da Celesc atua em uma lógica privada de gestão. Qual a sua visão sobre isso e qual o seu projeto para combater essa prática, que só favorece aos acionistas? 

Evandro: Concordo com nossos colegas celesquianos. Vemos diariamente a falta de recursos para a realização das atividades e principalmente a falta de empregados devido a ausência de contratação pela atual diretoria. Neste sentido, uma das minhas propostas será revisar o quadro de lotação para adequar a realidade e suprir as necessidades de cada área da Celesc. Como exemplo, cito a criação da área de workflow que precisa de pessoas altamente qualificadas para resolver as demandas e em nenhum momento houve um planejamento para contratação de pessoal.

Orli: Defendo que o maior patrimônio da Celesc é o trabalhador e sua família. Não é justo bater recordes de lucro e dividendos a acionistas enquanto a isonomia de direitos é negada aos trabalhadores. Não posso concordar com a venda do patrimônio da empresa para locar imóveis e pagar aluguel em locais menos favorecidos estrategicamente. Meu projeto bate a lógica meramente financeira, priorizando investimentos em tecnologia e nas pessoas para que o trabalhador não seja o “pára-raios” de erros sistêmicos.

Wagner: A Modicidade Tarifária é um princípio fundamental do setor elétrico – tarifa justa ao serviço oferecido. Recentes eventos em distribuidoras privadas mostram que a piora do serviço está ligada à negligência, ao se ignorar a necessidade de investir e manter os serviços operacionais, gerando um abismo para a necessidade técnica, dos empregados e do cliente. Minha visão é a gestão pública moderna: Eficiência vem do compromisso técnico, foco no cliente e respeito às pessoas. A CELESC DEVE GERAR RESULTADO: qualidade no serviço, valorização profissional, e naturalmente, sustentabilidade financeira.

A categoria e os sindicatos da Intercel têm, ao longo dos anos, atuado contra as terceirizações nas atividades da empresa. Qual a sua posição sobre a terceirização na área comercial e em toda a Celesc? 

Evandro: Sou extremamente contra a terceirização na Celesc, seja na área comercial ou em outras áreas! A atual diretoria terceirizou atividades que envolvem o faturamento da empresa e vamos reverter essa situação, pois mexer em faturas é algo delicado e envolve a segurança financeira da Celesc. Recentemente atendi uma pessoa que estava questionando a reprova na ligação de energia e ela perguntou se os eletricistas eram terceirizados. Respondi que sim. Em seguida ela perguntou se poderia ir uma equipe própria da Celesc. Este relato reforça que a população prefere que a Celesc tenha empregados próprios!

Orli: Sou terminantemente contra a terceirização e a precarização do trabalho na Celesc. A qualidade técnica e a continuidade do serviço público dependem da valorização do empregado de carreira. A terceirização enfraquece o conhecimento institucional e prejudica a prestação de serviços. Minha gestão priorizará a capacitação interna e o fortalecimento das equipes próprias, garantindo que o controle dos processos permaneça nas mãos dos celesquianos e celesquianas.

Wagner: A terceirização é uma realidade em alguns serviços e deve ser tratada com responsabilidade. Aproveito para registrar que sou contrário à terceirização do atendimento presencial, que considero atividade estratégica e sensível. Defendo fortalecer as equipes internas e a manutenção do quadro de empregados. Iremos estabelecer um plano estruturado de formação e reciclagem dos nossos profissionais, definir conteúdo e um calendário previsível, rever processos e utilizar da terceirização apenas onde for necessária para manter a capacidade operacional, sem prejudicar as relações de trabalho.

O ano novo da Celesc

A PRECARIZAÇÃO ADENTRA 2026 AMEAÇANDO A EMPRESA PÚBLICA

A virada de ano trouxe uma série de críticas de parlamentares catarinenses ao atendimento da Celesc. A deputada Pau linha (PODEMOS) divulgou um vídeo cobrando investimentos e menor tempo de reação à interrupções na região de Bombinhas. O deputado Napoleão Bernardes (PSD) também gravou vídeo cobrando a Celesc por recorrentes quedas de energia na região do médio Vale do Itajaí. Mais agressivo, o deputado Ivan Naatz (PL) criticou a empresa, afirmando que a Celesc precisa ser “passada a limpo” e que a estatal seria “um grande vexame de Santa Catarina”.

A manifestação da deputada Paulinha gerou uma reunião entre os prefeitos Alexandre da Silva, de Bombinhas, Alexandre Xepa, de Itapema, e Joel Lucinda, de Porto Belo, além de representantes da Diretoria da Celesc. Dessa reunião, a deputada divulgou que foi estabelecido um “plano emergencial” com disponibilização de uma equipe fixa no município de Bombinhas, para agilizar os atendimentos. A Celesc divulgou que o plano de ação inclui a instalação de equipes técnicas fixas nas três cidades, temporariamente, a ampliação dos horários de atendimento emergencial e o deslocamento de 40 transformadores para Porto Belo, com objetivo de agilizar a resposta às ocorrências e reduzir o tempo de restabelecimento em eventuais falhas. 

O caso e as manifestações evidenciam um cenário que a Intercel denuncia desde o início da gestão Tarcísio: a precarização e o foco no lucro atentam contra o bom serviço prestado à população.

É impressionante ver que a Celesc não tenha se planejado para o verão. Todos sabem que o trânsito de acesso às praias do Vale do Itajaí fica caótico no verão e, para garantir o fornecimento de energia, é preciso um planejamento que descentralize o fornecimento de materiais e que tenha equipes disponíveis na região para imediato atendimento. A Operação Verão não é uma novidade. A Diretoria da empresa decidiu ignorar as necessidades da população, restringindo o trabalho dos empregados para economizar no “custo de pessoal”.

Não é plausível pensar que, sabendo do trânsito do verão, a Diretoria de Distribuição tenha achado correto que equipes de manutenção saiam de Itajaí, sua base, enfrentando todo o trânsito do fim do ano, para chegar à região, que inclui municípios que recebem milhares de pessoas na temporada, aumentando a demanda de energia e, consequentemente, a atuação das equipes. Além de aumentar o tempo de atendimento, as equipes de manutenção pesada são terceirizadas, o que influencia a qualidade do serviço prestado. Nos escritórios e na Regional há uma grande falta de pessoal próprio, ignorada pela Diretoria. A soma destes fatores gera a precarização.

Isso mostra as contradições dessa gestão. Afinal, o Presidente gosta de declarar o volume de investimentos feitos pela Celesc nesta gestão. Investir no sistema tem como objetivo primário diminuir a frequência das quedas de energia. No verão, com a sobrecarga da temporada, elas invariavelmente acontecem. E aí, sem trabalhadores para recompor o sistema, a duração da falta de energia será cada vez maior, impactando a sociedade e atraindo falas privatistas e oportunistas.

A situação é fruto da visão desta Diretoria para a Celesc. Menos trabalhadores, restrição de verbas variáveis e predileção pelo serviço terceirizado que, além de mais lento, é inseguro, expondo os trabalhadores.

As manifestações da deputada Paulinha e do deputado Napoleão estão dentro do limite de sua representação e são legítimas: ambos cobram da empresa foco no atendimento à sociedade, papel fundamental de uma empresa pública. Esse é, aliás, o papel da classe política. Cobrar, sugerir, propor e construir políticas públicas para melhorar a vida do povo.

Diferente foi a manifestação grosseira e mal intencionada do deputado Naatz. Os ataques de Naatz à Celesc vêm e vão, com uma conveniência característica da péssima política, aquela que põe interesses próprios à frente do coletivo. Ainda durante o Governo Moisés, Naatz fez campanha semelhante, atacando a Celesc e dizendo que era preciso abrir a “caixa preta” da empresa. Era evidente que utilizava a estatal para suas disputas políticas eleitoreiras, às vésperas da eleição de 2022.

Mas se agora Naatz virou, novamente, um crítico do atendimento da Celesc, é preciso apontar que ele mesmo deu sustentação a esse planejamento que conduz à precarização e, consequentemente, à piora no atendimento à população.

Em 9 de abril de 2025 foi realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) uma audiência pública para debater a Celesc Pública. Diante dos mais de 500 trabalhadores que lotaram o auditório Antonieta de Barros, Naatz posou de preposto da Diretoria da Celesc, defendendo a forma de atuação, o planejamento e, principalmente, a terceirização.

“Em relação à terceirização dos serviços, que é outra reclamação, de que muitos serviços são terceirizados e, em face dessa terceirização, a companhia não promove novos concursos nem amplia seu quadro de servidores efetivos, é preciso reconhecer que a terceirização do serviço público é uma proposta internacional. Não é só em Santa Catarina, não é só no Brasil…”, afirmou, defendendo a Diretoria das críticas feitas pelos trabalhadores. Segundo Naatz, “sem a terceirização, a empresa não consegue manter a régua e a qualidade do serviço que é prestado”, afirmou à época.

Naatz defendeu o modelo de gestão que, além de criticado pelas entidades sindicais, é responsável pela piora na qualidade do serviço prestado. Não há “caixa preta” na Celesc, há uma sucessão de decisões erradas, que colocam a gestão da empresa no mesmo balaio de distribuidoras privatizadas que privilegiam o lucro em detrimento do atendimento à população. Este modelo se apoia na precarização, apontada pelos trabalhadores como a principal característica da gestão Tarcísio. Na própria audiência pública, o Presidente da Celesc foi vaiado pelos celesquianos quando quis confrontar o Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn, que apontava o planejamento da precarização.

Quando participou da audiência, Naatz era líder do governo na Alesc, posto que não ocupa mais. Contudo, segue como deputado da base do governo, do mesmo partido do Governador. As críticas que faz publicamente, são apoiadas pelo governo?

A verdade é que Naatz retoma um oportunismo descarado, criticando os resultados da precarização enquanto dá suporte ao planejamento que levou a ela. O deputado vai além: ofende todos os trabalhadores quando diz que a Celesc é um vexame. Oferece a história da maior estatal catarinense. O digno seria o deputado apontar o dedo para a gestão da empresa, indicada pelo governo que apoia. Que aponte para o Presidente, que não esconde suas predileções pelo lucro, pela terceirização e pela privatização. Que aponte para o Diretor de Distribuição, Cláudio Varella, que não teve competência para organizar a Operação Verão. Que aponte para a Diretoria, que tem no horizonte somente o lucro, cortando verbas que garantiriam a cobertura de atendimento à população. Aliás, Varella é constantemente elogiado pelo Governador, uma vez que sua Diretoria parece ter virado a “diretoria de inaugurações de obras”. Entretanto, é preciso que se reconheça a precariedade da atuação do Diretor que, sendo trabalhador da casa há tanto tempo, deveria conhecer a realidade e planejar a operação para que a população não sofra e a empresa não vire alvo de oportunistas como Ivan Naatz.

A Celesc entra em 2026 com ameaças. Repercutindo os devaneios de Ivan Naatz, o jornalista Marcelo Lula apontou o risco de privatização, afirmando que há muita gente favorável, sem citar nomes. Sabemos que muita gente deseja a privatização da Celesc, inclusive o Presidente da empresa. Entretanto, nenhum deles olha para as necessidades do povo. Para o melhor para Santa Catarina. Uma coisa que os problemas do fim de ano demonstraram foi a falência deste modelo de gestão privada. Enquanto a direção da Celesc seguir tomando os rumos de uma gestão privada, reproduzindo os erros de Enel-SP e Copel-PR, o estado de Santa Catarina terá problemas.

Por isso, manifestações de parlamentares catarinenses cobrando a melhora do atendimento prestado à população são salutares. Olhar a empresa pela ótica de seu papel público de prover energia de qualidade para o desenvolvimento social do estado é o caminho para uma Celesc Pública cada vez mais forte. O que não podemos aceitar é um deputado estadual usar a Celesc para seu jogo político, incentivando uma caça às bruxas, desrespeitando os trabalhadores e ainda incentivando a privatização da empresa.

Por fim, Ivan Naatz afirmou que falaria muito da Celesc na Assembleia Legislativa em 2026. Queremos ver se o Deputado tem coragem de criticar a Diretoria atual, por aquilo que ela é: uma gestão com “mindset privado”, que ignora o caráter público e as demandas da população para aumentar os lucros dos acionistas. Coragem, deputado! 

Axia Energia: duas trajetórias que se encontram no mesmo dia a dia

Há quem entrou na empresa estatal Eletrobras, viveu negociações, mobilizações, greves e aprendeu que direito não é favor e que conquista vem de organização. E há quem chegou pós privatização, já na Axia, por contratação direta, em outra cultura de trabalho e ainda não teve a chance de entender como funciona, na prática, a luta coletiva e sindical.

Mas uma coisa é igual para todo mundo: as decisões de cima impactam aqui embaixo. Metas, pressão, mudanças de regras, benefícios, condições de trabalho, saúde e segurança… nada disso escolhe “tipo de contratação”. Atinge a categoria inteira.

É por isso que a luta sindical importa: ela transforma o “cada um por si” em “todo mundo junto”. E quando a gente fala em conjunto, a empresa escuta diferente. Unidade virá respeito. Silêncio vira decisão tomada por outras pessoas.

Agora, precisamos de um passo simples e importante: Responder à pesquisa do Coletivo Nacional dos Eletricitários. Ela vai nos ajudar a entender como construir uma boa proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho que o CNE negociará em 2026.

O link será acessado pelo QR Code abaixo. A pesquisa é anônima, leva poucos minutos e tem peso enorme: ajuda a mapear o que realmente está acontecendo, organizar prioridades e dar força para cobrar, negociar e agir com base no que a categoria pensa.

Se você “tem tempo de casa”, sua experiência fortalece o coletivo. Se você “é recente de casa”, sua resposta é essencial para que ninguém fale por você e para que você se reconheça como parte da categoria. 

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

A Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis e Região – SINERGIA, inscrito no CNPJ 83.930.818/0001-30 com sede em Florianópolis, na Rua Lacerda Coutinho nº 149, centro, CEP88015-030, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, CONVOCA os trabalhadores e trabalhadoras da Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, integrantes de sua base territorial, associados e não associados, a participarem da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, a realizar-se no dia 08/01/2026 (quinta-feira) às 18h, em primeira convocação, com o número regular de presentes, e às 18h15min, em segunda e última convocação, com qualquer número de presentes, assembleia esta que será por meio de videoconferência, a fim de discutir e deliberar sobre a seguinte
ORDEM DO DIA:
Discussão e deliberação sobre o ajuizamento e a ratificação de ação coletiva contra a Axia Energia S/A e empresas subsidiárias, visando à cobrança de diferenças de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) decorrentes da distribuição de dividendos com reservas de lucros acumuladas desde o exercício de 2016;

Discussão e deliberação sobre a fixação das despesas relativos às medidas judiciais referentes ao item anterior;

Apreciação e deliberação sobre Acordo de Bando de Horas apresentado pela Axia Energia;

Assuntos gerais.

Abaixo, segue o link da assembleia pelo Zoom

https://us02web.zoom.us/j/87320234476?pwd=UG4zbVRKcFBsT1gxYlNCak5PUFhuUT09

Florianópolis, 6 de janeiro de 2026

Tiago Bitencourt Vergara

Coordenador Geral do SINERGIA

Ano de lutas, vitórias e de preparação para novas batalhas

Categoria precisará seguir unida e mobilizada em 2026

O ano 2025 foi forjado na luta e na unidade da categoria. Na Celesc, 11 dias de greve. Na Eletrobras – agora Axia -, a confiança da categoria nos sindicatos foi um grande diferencial. Os resultados da luta, da unidade e da confiança começaram a aparecer já em dezembro: a mudança nas estruturas de Diretoria da Celesc não ocorreu como inicialmente proposta, em uma vitória dos trabalhadores. As mobilizações ao longo do ano surtiram efeitos e a Diretoria Comercial manteve sua estrutura básica, dificultando a abertura de portas para a terceirização. Na Eletrobras, a aprovação no Congresso Nacional do PL que realoca trabalhadores da antiga empresa pública deu um gás de esperança em dias melhores. Na Cerej, o Acordo Coletivo deste ano trouxe avanços, fruto também da confiança da categoria na representação sindical. Já no fim de 2025, trabalhadoras e trabalhadores da AXS Energia rejeitaram por expressiva votação a contraproposta ao Acordo Coletivo, demonstrando que os trabalhadores entendem que merecem ser melhor recompensados. Nas demais cooperativas de energia, estado afora, os Acordos Coletivos ou mantiveram a estrutura que já tinham ou tiveram pequenos avanços. Em Brasília, neste fim de ano, tramitam projetos que podem beneficiar a categoria como um todo nos próximos anos: tanto o projeto que trata do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, como o projeto que pretende conceder a aposentadoria especial para eletricitários que atuam em área de risco. Parcela considerável da classe trabalhadora ainda foi beneficiada com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Foi um grande ano!

Se em 2025 a categoria eletricitária de Santa Catarina demonstrou unidade e força, em 2026 a receita terá de ser a mesma. As ameaças seguem constantes. A classe empresarial e o patronato têm grande número de cadeiras no Congresso Nacional e estará nas mãos dos trabalhadores mudar essa realidade no pleito de outubro. Não dá mais para votar em quem não defende os seus direitos ou em quem não defende o serviço e as empresas públicas. Celesquiano que votar em candidato que não defende escancaradamente a manutenção da Celesc Pública estará assinando a sua própria demissão. Não basta o candidato falar no pé do ouvido do eleitor que defenderá a Celesc Pública. Ele precisa fazer isso abertamente, nos discursos, nas redes sociais e no material de campanha. A Celesc segue em risco de privatização e os sinais mais recentes dos indicados do governador Jorginho Mello (PL) dão conta que o projeto está em estágio avançado. A união e a disposição de luta da categoria é que poderão barrar esse projeto – o estado de São Paulo por diversas vezes provou em 2025 que a privatização da água e da energia só traz prejuízos à população.

Tanto na única empresa pública de energia de Santa Catarina, como nas empresas privadas e cooperativas, a filiação dos trabalhadores será decisiva para a manutenção das lutas em defesa de direitos. Não se trata somente do apoio financeiro – muito necessário -, mas também do apoio político, do gesto de confiança e da representatividade.

O compromisso dos sindicatos que compõem a Intercel e a Intersul é de permanecer na luta e no diálogo constante com os seus representados. 

Intercel e Intersul desejam a você e sua família um abençoado Natal, um próspero Ano Novo e que 2026 seja um ano marcado pelo fim das guerras e de todas as formas de violências. 

Vitória dos trabalhadores da Celesc

MOBILIZAÇÃO E LUTA DOS CELESQUIANOS FAZEM COM QUE ATENDIMENTO COMERCIAL PERMANEÇA NA DIRETORIA COMERCIAL

Em julho deste ano a notícia de uma alteração na estrutura das Diretorias da Celesc trouxe preocupação para os celesquianos. As notícias mostravam que a reestruturação proposta pela Diretoria da empresa trazia riscos regulatórios, abria as portas para a terceirização do atendimento comercial e atentava contra a participação dos trabalhadores na gestão da empresa, esvaziando as competências da Diretoria Comercial, a única eleita pelos trabalhadores.

Desde então, os sindicatos da Intercel buscaram mobilizar trabalhadores e trabalhadoras para garantir que a mudança da estrutura não prejudicasse o caráter público da Celesc e o atendimento à população, papel principal de uma empresa pública. Ainda em agosto, os dirigentes sindicais iniciaram uma percorrida nos gabinetes da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), buscando apoio de deputados estaduais para barrar quaisquer alterações que pudessem trazer risco à Celesc Pública, aos trabalhadores e à sociedade.

O tema foi debatido à exaustão no Conselho de Administração, com recorrentes manifestações do Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Guilherme Horn, apontando os prejuízos e riscos contidos na proposta. Além de registrar os posicionamentos da representação dos trabalhadores, o Conselheiro eleito atuou para informar a categoria, suscitando junto à Intercel a união e a mobilização dos trabalhadores em defesa da Celesc Pública.

O tema esteve pautado para deliberação ainda em setembro, quando os trabalhadores, organizados pelos sindicatos da Intercel, realizaram forte mobilização às portas da reunião do Conselho de Administração, forçando a retirada de pauta da proposta. Infelizmente, a reestruturação voltou à pauta em novembro, sendo aprovada com o voto contrário da representação dos empregados no Conselho de Administração.

Entretanto, a aprovação no Conselho de Administração não encerrou o trabalho da Intercel, que permaneceu trabalhando em conjunto com os deputados estaduais, uma vez que a proposta ainda teria que passar por debate e aprovação na ALESC, conforme determina a Constituição do Estado de Santa Catarina. A persistência das representações dos trabalhadores e a disposição de luta da categoria deu resultado.

Nesta semana, o representante dos empregados divulgou uma grande vitória dos trabalhadores: em um recuo da Administração, foi convocada reunião extraordinária do Conselho de Administração para rever a proposta aprovada em novembro. A nova proposta cancelou a ida do Atendimento Comercial para a Diretoria de Regulação, mantendo a área na Diretoria Comercial, garantindo a continuidade dos sistemas comerciais, a qualidade do serviço prestado, a participação dos trabalhadores na gestão e colocando uma barreira a qualquer intenção de terceirização do atendimento Comercial.

Apesar da conquista, o Conselheiro Paulo Horn informou que as demais alterações foram mantidas e, por coerência, registrou voto contrário a elas. A proposta deve ser encaminhada e votada ainda esta semana no pacotão de fim de ano que o Governo do Estado tradicionalmente encaminha à ALESC, e deve ser aprovada. Cabe à categoria, através da representação dos trabalhadores no Conselho de Administração e dos sindicatos da Intercel, a permanente vigilância e fiscalização dos desdobramentos dessa reestruturação, lutando pela manutenção da Celesc Pública e sem jamais esquecer que a luta dos trabalhadores dá resultado. 

Vitória histórica para trabalhadores da Eletrobras: Senado aprova PL 1791/2019

Aprovação do PL no Senado é fruto da luta e mobilização das entidades sindicais

Na terça-feira, 2 de dezembro, o Plenário do Senado Federal aprovou o PL 1791/2019, que assegura o reaproveitamento dos empregados das empresas públicas do setor elétrico desestatizadas — em especial os demitidos após a privatização da Eletrobras. O projeto foi apresentado em 2019 na Câmara pelo então deputado federal Assis Carvalho (PT/PI).

O PL altera a Lei 12.783/2013 para determinar que os trabalhadores desligados em função da privatização sejam realocados em outras empresas públicas ou de economia mista, caso não deseje ou não tenham opção de permanecer na empresa privatizada. A realocação deve garantir atribuições compatíveis, preservação de direitos e manutenção de salários compatíveis com os ocupados anteriormente. O projeto busca preservar a experiência e o conhecimento técnico especializado acumulados pelos trabalhadores — evitando que o setor elétrico perca profissionais qualificados por demissões em massa. 

De acordo com a Presidenta da Federação Sul dos Urbanitários (FESUL), Cecy Marimon, a aprovação do PL representa uma vitória “pois trabalhadoras e trabalhadores do grupo Eletrobras sofreram nos últimos anos a privatização e seus efeitos perversos. A empresa, essencial para a manutenção da energia pública no Brasil, foi privatizada no apagar das luzes do governo anterior e a categoria vem sofrendo desde o início das privatizações com demissões, assédio moral, sofrimento mental e insegurança”. Cecy explica que “a aprovação do PL é resultado da luta da categoria, do Coletivo Nacional dos Eletricitários, das Federações de Urbanitários, que encaminharam juntamente com os demais integrantes da categoria esse projeto no Congresso Nacional.”

Além disso, a medida tem forte impacto social: muitas das pessoas demitidas — inclusive técnicos e trabalhadores com longa experiência — poderão retomar sua função no serviço público, o que implica em segurança, preservação de renda e valorização da carreira.

Próximos passos 

O PL aprovado deverá ser encaminhado à sanção presidencial e posteriormente será objeto de regulamentação. Cecy explica que “essa regulamentação é que vai estabelecer as regras, critérios, prazos e, muito especialmente, as condições para realocação de trabalhadores e trabalhadoras que sofreram os efeitos da privatização”.

Por fim, Cecy recorda que “a aprovação desse PL diz respeito especialmente a trabalhadoras e trabalhadores das empresas componentes da Eletrobras. Nós éramos aproximadamente 20.000 trabalhadores no grupo Eletrobrás e é para essa categoria que o projeto se destina”.

Com informações da Agência Senado 

Circuito de arte em Santa Catarina é tema do novo livro de Kamilla Nunes

“Maresia: Arte Contemporânea em Santa Catarina” será lançado na quinta-feira, dia 11 de dezembro na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis


Santa Catarina ganha um novo registro de sua produção artística contemporânea. No próximo dia 11 de dezembro, às 19h, a Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, recebe o lançamento de “Maresia: Arte Contemporânea em Santa Catarina”, obra da artista visual, curadora e professora Kamilla Nunes. A entrada é gratuita.

Aos 37 anos, a manezinha que escreve sobre arte desde os 18 consolida em 208 páginas uma pesquisa que atravessa décadas e reúne entrevistas, depoimentos e ensaios de artistas e curadores atuantes no estado.

A publicação, aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024 e publicada em coedição pela CAIS Editora e EditoraEditora, será distribuída gratuitamente em versões impressa, digital e audiolivro. No tamanho A5 e dividido em seis capítulos, Maresia se organiza em três grandes eixos: circuitos, artistas e instituições, e busca compreender a virada do século XXI na arte contemporânea, sem cair em rótulos ou bairrismos.

Kamilla ressalta que a obra se organiza como um percurso compartilhado, fragmentos que se abrem em múltiplas direções, como um arquipélago de experiências, onde cada ilha é correnteza, memória em deriva, pensamento em movimento.

“Distante da lógica do bairrismo e da tentativa de fixar características de uma ‘arte catarinense’, prefiro pensar, com Édouard Glissant, em arquipélagos: espaços de relação que admitem a multiplicidade do real, aproximam litorais e aceitam a deriva sem reduzi-la à futilidade. É nesse mar que este livro se escreve, feito de errâncias, ecos, maresias e correntes cruzadas”, compartilha Kamilla.

A autora, que em 2013 publicou o livro “Espaços Autônomos de Arte Contemporânea”, atua como curadora e professora e já passou por diversas instituições de Santa Catarina, sempre com foco na criação de espaços de encontro e reflexão sobre os processos artísticos e curatoriais, sente-se feliz em lançar mais um trabalho num dos espaços mais conceituados de arte contemporânea em Santa Catarina. “É uma honra e um privilégio lançar este livro na Fundação Cultural Badesc”, completa.

O lançamento acontece na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis

PL da Devastação é ‘ataque direto’ aos povos indígenas, denuncia escritor Djagwa Tukumbó

Autor lança livro bilíngue e critica retrocessos ambientais, apagamento histórico e limitações da política indigenista

*Por Adele Robichez E Lucas Salum

O escritor e ativista indígena Djagwa Tukumbó vê no Projeto de Lei (PL) da Devastação um “ataque direto” aos povos originários e ao meio ambiente. Ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, ele afirmou que a flexibilização do licenciamento ambiental expressa interesses políticos e econômicos distantes das preocupações climáticas e comunitárias. “A grande mão que coordena tudo isso, na verdade, tem um nome: políticos”, disse. Para ele, mesmo terras demarcadas continuam vulneráveis sem o acompanhamento e a presença do Estado. “Demarcar terra e não acompanhar é a mesma coisa que não demarcar”, criticou.

Ao comentar 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e a derrubada dos vetos presidenciais ao PL no mesmo período, Tukumbó criticou a ausência de lideranças indígenas nos espaços de decisão. “Nós não tivemos, com voz ativa, nenhuma liderança sentada nas mesas de negociação”, apontou. Ele também avalia que a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, ainda enfrenta limites na sua atuação. “Vemos uma pessoa que está ali, mas de mãos atadas. Ela não tem um poder forte de negociação”, avaliou.

Djagwa apresentou também seu novo livro, As aventuras de Kara’i Tukumbó – o espírito das águas, uma obra bilíngue em português e guarani que aborda saberes ancestrais, proteção ambiental e impactos do garimpo. A escolha de escrever nos dois idiomas, explica, busca fortalecer o pertencimento cultural. “Você pode traduzir a ideia, mas não tem como traduzir literalmente. Foi a minha preocupação em escrever em português e em guarani, para despertar o aprendizado desse idioma”, contou.

O escritor defendeu a ampliação do uso de línguas indígenas no cotidiano, na educação e em políticas públicas, citando exemplos como Paraguai e Bolívia. “Quando você volta às suas raízes, isso deixa mais digno saber da sua ancestralidade. O idioma é uma forma de resgatar isso”, indicou. Ele também destacou como diversas expressões e costumes brasileiros, do chimarrão à expressão “tchê”, derivam do guarani, embora muitas vezes sejam apropriados sem reconhecimento de origem. “Seria legal contar isso para as gerações que estão vindo. O problema não é usar essas referências, problema é o apagamento histórico”, pontuou.

Durante a conversa, Tukumbó leu um trecho da obra em guarani, no qual ele diz que “haverá uma conscientização coletiva, e as pessoas irão se agrupar em torno de uma só causa: a floresta e a preservação da vida e do planeta”. Em seguida, comentou a potência do registro escrito como uma forma de resistência. Ele conta que a escrita tem inspirado jovens indígenas, embora parte das lideranças mais antigas ainda prefira manter alguns conhecimentos apenas na oralidade. “Vimos que podemos alcançar um número maior de pessoas e atravessar fronteiras”, afirmou.

Entrevista completa em: – BdF Entrevista PL da Devastação é ‘ataque direto’ aos povos indígenas, denuncia escritor Djagwa Tukumbó – Brasil de Fato